A importância da união entre crédito e seguro rural foi o foco central do evento “Crédito, seguro e resiliência no campo: construindo os próximos 20 anos”, realizado na Expointer 2026, em Esteio (RS). Especialistas e autoridades se reuniram para discutir como essa integração pode proporcionar mais segurança e sustentabilidade ao setor agropecuário brasileiro.
Desafios e Oportunidades no Setor Agropecuário
Durante o encontro promovido pelo Instituto Pensar Agro (IPA), o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), enfatizou a necessidade de modernizar o sistema de proteção da produção rural. Ele argumentou que é fundamental desenvolver um seguro agrícola que esteja à altura da importância da produção nacional, minimizando a dependência de soluções emergenciais em situações de desastres climáticos.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que participou do evento por meio de uma mensagem, ressaltou a urgência de criar um modelo que não apenas proteja os produtores de intempéries climáticas, mas que também leve em conta a perda de renda. Para isso, ela sugeriu a criação de um fundo de catástrofe que envolvesse recursos da União, dos estados e dos próprios agricultores.
Gestão de Riscos e Sustentabilidade
Tânia Zanella, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e do IPA, destacou que os eventos climáticos extremos, especialmente no Rio Grande do Sul, demonstraram a necessidade crucial de uma gestão eficaz de riscos para garantir a continuidade das atividades agrícolas. Mônica Sodré, CEO da Meridiana, também abordou a importância de um novo marco regulatório para o seguro rural, enfatizando três pontos-chave: a criação de um fundo de cobertura suplementar, a integração de crédito e seguro e a implementação de uma infraestrutura nacional de dados.
“A lógica atual é emergencial e imediatista. Precisamos mudar para um modelo que garanta previsibilidade para os produtores”, afirmou.
Recalibração do Crédito Rural
No painel sobre as mudanças no setor agro, Cláudio Filgueiras, do Banco Central, propôs uma revisão nas fontes de financiamento do crédito rural. Ele argumentou que o Brasil investe entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões por safra na equalização de juros, enquanto apenas cerca de R$ 1 bilhão é destinado ao seguro rural. Filgueiras alertou que, em situações de perdas significativas, o seguro pode ser mais decisivo para a sobrevivência financeira dos produtores do que novas linhas de crédito.
Manoel Queiroz, da MAPA Capital, apontou que o financiamento necessário para a agropecuária é muito superior ao que o Plano Safra oferece, sugerindo que a agricultura empresarial terá que buscar mais capital privado. Ele também reforçou que a aplicação de recursos públicos na subvenção do seguro pode ser mais eficaz do que a subvenção do crédito.
A Importância do Seguro Rural
O painel “O seguro que o Brasil precisará em 2045” foi conduzido por Vitor Ozaki, da Picsel, que revisou o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Em 2021, o programa contou com um orçamento de R$ 1,2 bilhão, resultando em aproximadamente 214 mil apólices. No entanto, em 2025, esse número caiu drasticamente para cerca de 61 mil apólices, refletindo a redução dos recursos disponíveis.
Cátia Rucco, da Swiss Re Corporate Solutions, argumentou que o seguro deve ser parte integrante da análise para concessão de crédito, permitindo que produtores segurados tenham condições diferenciadas. Gláucio Toyama, do IRB(Re), chamou a atenção para a discrepância entre o mercado brasileiro e os internacionais, onde países como os Estados Unidos e a China movimentam dezenas de bilhões de dólares em seguros agrícolas.
Urgência de um Novo Modelo
O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena, ressaltou que a situação atual dos produtores gaúchos evidencia os efeitos do endividamento aliado à baixa cobertura do seguro rural. Ele defendeu um aumento na participação do mercado de capitais no financiamento da produção.
O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) apresentou uma proposta que abrange três pilares: uma plataforma de informações sobre produtores, ampliação do financiamento através do mercado de capitais e um novo sistema de seguro sustentado por um fundo com diversas fontes de financiamento. O evento concluiu com um apelo pela liberação de recursos destinados à subvenção do seguro rural, evidenciando a necessidade de mudanças urgentes para garantir a competitividade do agro brasileiro.







