A falta de dragagem na hidrovia do Rio Tapajós pode resultar em prejuízos significativos, estimados em até R$ 850 milhões, além de aumentar as emissões de carbono na região. Um ofício enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, assinado por 30 entidades do setor produtivo, destaca a urgência dessa intervenção para garantir a navegabilidade do rio.
Impactos da Falta de Dragagem
Os riscos associados à inação são alarmantes. As entidades alertam que, sem a dragagem, haverá um direcionamento de cargas para o transporte rodoviário, resultando em uma emissão adicional de 55 mil toneladas de carbono. Além disso, os custos logísticos podem aumentar entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada, e até 5 milhões de toneladas de grãos podem deixar de ser escoadas. Isso também comprometeria o abastecimento de combustíveis na região de Santarém (PA).
Importância do Rio Tapajós
Em 2025, a movimentação de cargas no Rio Tapajós alcançou 16,8 milhões de toneladas, representando um crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior. Essa hidrovia é crucial para o escoamento da produção agrícola, especialmente de soja e milho, que somam 88% do volume transportado. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, foram movimentadas 2,04 milhões de toneladas desses grãos.
Desafios da Navegação
A dragagem de manutenção é vital para remover sedimentos acumulados no leito do rio, garantindo condições adequadas de navegação. A profundidade do canal, ou calado, é essencial para a segurança das embarcações. A diminuição do nível dos rios pode limitar a carga transportada e até inviabilizar a navegação. A previsão de um fenômeno El Niño exacerba essa preocupação, pois pode resultar em chuvas abaixo da média e, consequentemente, na queda do nível das águas.
Comparativo com Anos Anteriores
As entidades destacam que o cenário atual é similar ao registrado entre 2023 e 2024, quando a Bacia do Tapajós enfrentou um déficit de chuvas de 80 milímetros, comprometendo a navegação. O primeiro quadrimestre de 2026 já apresenta tendências preocupantes, o que aumenta a probabilidade de problemas semelhantes.
Janela para Ação e Aspectos Ambientais
A urgência da dragagem é reforçada pela janela de tempo disponível para a execução da operação, que deve ser iniciada antes de setembro. Vale ressaltar que a dragagem de manutenção é menos impactante ao meio ambiente do que a dragagem de aprofundamento, pois busca conservar a infraestrutura existente e não requer licenciamento ambiental, conforme a legislação vigente.
Responsabilidade do Setor Privado
O ofício menciona um acordo de cooperação entre o DNIT e a ABANI, que permite que a dragagem de manutenção seja realizada pelo setor privado, sem ônus para o governo. No entanto, os alertas se estendem a outras hidrovias, como a do Rio Madeira, enfatizando a necessidade de manutenção contínua para garantir a resiliência do sistema de transporte nacional.
Demandas Anteriores e Repercussões Econômicas
A Frente Parlamentar da Agropecuária já havia levantado essa questão anteriormente, solicitando ações para assegurar a navegabilidade no Tapajós. A vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina, enfatizou que a falta de ação pode resultar em custos logísticos elevados e impactos ambientais adversos. O coordenador da Comissão de Orçamento, senador Zequinha Marinho, ressaltou que a dragagem não é apenas uma questão econômica, mas ambiental, promovendo a saúde do rio.
O novo ofício enviado pelas entidades espera que o Ministério da Agricultura intensifique suas ações junto à Casa Civil e outros órgãos competentes para a realização da dragagem antes do período crítico de seca.







