Impacto do veto da UE às carnes brasileiras pode chegar a R$ 2,6 bilhões Veto da União Europeia às carnes do Brasil pode gerar perdas bilionárias, afetando principalmente Paraná e Rio Grande do Sul. Entenda os detalhes. A recente suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia pode causar perdas financeiras significativas, estimadas em até R$ 2,6 bilhões, afetando especialmente os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Situação alarmante para os principais estados produtores
A suspensão, que entrou em vigor na quinta-feira (3), abrange diversos produtos, incluindo carnes bovina e de frango, mel e aquicultura. No Paraná, a estimativa da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) sugere que as perdas podem ultrapassar US$ 392,2 milhões em 2025, considerando os embarques de carne de frango e bovina para a União Europeia, que já eram robustos.
Perdas significativas no Paraná
Em 2025, o estado paranaense exportou US$ 382 milhões em carne de frango para a UE, equivalente a 118,7 mil toneladas. A carne bovina também teve sua participação, com US$ 10,2 milhões e 1,4 mil toneladas. No primeiro semestre de 2026, as vendas continuaram relevantes, totalizando cerca de US$ 224 milhões em carne de frango. A avicultura é uma das principais atividades econômicas do Paraná, representando 5% das exportações de carnes do estado. O presidente da FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que as exigências da UE servem como referência para outros compradores internacionais, o que torna a manutenção do acesso ao mercado europeu crucial para a imagem dos produtos brasileiros.
Rio Grande do Sul e seus desafios
No Rio Grande do Sul, a situação não é menos preocupante. A estimativa apresentada durante a Expointer aponta perdas em torno de R$ 600 milhões, com foco na avicultura, embora a carne bovina também esteja entre os produtos afetados. Em 2022, a União Europeia respondeu por 10% das exportações de carne de frango do estado.
Consequências para toda a cadeia produtiva
A Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) alerta que o impacto pode ultrapassar os frigoríficos e produtores. O vice-presidente técnico da entidade criticou a falta de ação do governo brasileiro em atender às exigências europeias, mencionando que outros países sul-americanos conseguiram cumprir os protocolos necessários. Além disso, a preocupação se estende ao efeito cascata que a suspensão pode causar em outros mercados. A restrição prolongada pode comprometer não apenas a demanda pela carne, mas também os investimentos em genética e produção animal, afetando toda a cadeia produtiva.
Demandas por ação governamental
O Sistema FAEP já havia alertado o Ministério da Agricultura sobre os riscos associados à suspensão. O Paraná é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como uma área livre de febre aftosa sem vacinação, um fator que deveria facilitar o acesso ao mercado europeu. Apesar das incertezas, há esperança de que as restrições sejam revertidas em breve. Técnicos da UE estão no Brasil desde agosto realizando auditorias para avaliar a conformidade com as normas de produção. A FAEP mantém a expectativa de que as avaliações sejam favoráveis, permitindo a retomada das exportações. A situação atual evidencia a importância do mercado europeu para o agronegócio brasileiro e a necessidade de ações estratégicas para garantir a continuidade das exportações e a proteção das cadeias produtivas locais.







