A partir de hoje, o Brasil foi excluído da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia. Enquanto as restrições à carne de aves, ovos e mel parecem estar próximas de uma solução, a carne bovina enfrenta desafios significativos para retomar as vendas.
Desafios enfrentados pela carne bovina brasileira
De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, a recuperação desse bloqueio no curto prazo é considerada “muito difícil”. Isso ocorre devido à postura rigorosa das autoridades europeias em relação ao uso de antimicrobianos na produção de carne no Brasil. Iglesias afirma que, devido ao longo ciclo de produção da bovinocultura, o Brasil pode ficar, no mínimo, dois anos sem exportar carne bovina para a Europa.
Impacto econômico das exportações
Embora o mercado europeu represente cerca de US$ 1 bilhão anuais em importações de carne bovina brasileira, essa quantia é ínfima quando comparada à receita gerada pela China, que compra quase nove vezes mais. No entanto, Iglesias alerta que a Europa funciona como um “mercado vitrine”, influenciando decisões de outros países em relação às suas políticas de importação.
Antimicrobianos e alternativas na pecuária
A suspensão das exportações tem como pano de fundo o uso de antimicrobianos na produção pecuária. O bloco europeu questiona a capacidade do Brasil de garantir que as normas de uso dessas substâncias sejam seguidas ao longo de toda a cadeia produtiva. Os antimicrobianos são frequentemente utilizados para tratar doenças bacterianas em bovinos, mas a proibição de seu uso para a exportação à UE apresenta alternativas desafiadoras.
Geraldo Balieiro, pesquisador do Instituto de Zootecnia, menciona que não existe um único substituto para os antimicrobianos. Embora existam opções como probióticos e compostos naturais, a eficácia dessas alternativas varia conforme a espécie animal, dieta, sistema de produção e finalidade. Portanto, Balieiro recomenda que os pecuaristas adotem um conjunto de estratégias, incluindo melhorias no manejo sanitário, controle ambiental e alimentação balanceada, para minimizar a necessidade de antibióticos.
Segmentação de rebanhos como solução?
Outra alternativa em consideração é a segmentação do rebanho, onde seriam criados grupos específicos para o mercado europeu, semelhante ao modelo do “Boi China”. Contudo, Iglesias observa que a documentação necessária para comprovar a adequação da produção aos padrões europeus levaria, no mínimo, dois anos, limitando as opções do setor.
Em resumo, a situação da carne bovina brasileira no mercado europeu é complexa e requer um esforço conjunto para se adequar às exigências sanitárias. A longo prazo, a adaptação às novas condições pode ser crucial para a sustentabilidade do setor.







