A colaboração entre Brasil e China na pecuária de corte é rica e complexa, englobando muito mais do que a simples comercialização de carne bovina. O professor e especialista em produção animal, Luiz Gustavo Nussio, ressalta que ambos os países têm muito a aprender um com o outro, especialmente no que diz respeito às práticas de cultivo e produção.
Desafios da Pecuária na China
De acordo com Nussio, a pecuária de corte na China enfrenta desafios significativos, incluindo uma eficiência ainda baixa em várias etapas de sua cadeia produtiva, como na cria e recria. O modelo chinês é caracterizado por propriedades menores, ligadas à pecuária familiar, enquanto outras áreas da produção de proteína animal avançaram de forma mais rápida e robusta.
Avanços da Pecuária Brasileira
Em contrapartida, o Brasil se destaca por ter desenvolvido um sistema pecuário competitivo, que se adapta bem às condições tropicais. O especialista aponta que organismos internacionais reconhecem o sucesso brasileiro em manejar a pecuária de corte, especialmente na utilização eficaz dos pastos. “A linguagem do pasto é fundamental para o sucesso da produção no Brasil”, afirma Nussio.
Custo de Produção e Oportunidades
Nussio enfatiza que a expertise em pastagens tropicais é um dos principais fatores que conferem ao Brasil sua competitividade no mercado global. O país também tem avançado em áreas como reprodução, suplementação e melhoramento genético, o que resulta em uma cadeia produtiva capaz de atender a uma variedade de mercados internacionais. “Produzimos carne de altíssima qualidade a um custo imbatível”, destaca.
Um dos aspectos que diferencia os sistemas de produção é o custo. Produzir carne bovina na China pode custar até seis vezes mais do que no Brasil, devido aos preços elevados dos insumos e à ineficiência nas fases iniciais da produção. Por outro lado, a China demanda carne com maior marmoreio, uma característica apreciada por muitos consumidores locais.
Valorização da Carne Brasileira
Esse cenário apresenta uma oportunidade valiosa para o Brasil, que já produz carne de qualidade superior, mas ainda precisa aprimorar sua apresentação no mercado chinês. Durante sua estada na China, Nussio percebeu que a imagem da agricultura brasileira é pouco conhecida entre os chineses.
Ele compartilhou que, ao longo de dois anos, visitou 28 províncias e fez mais de 70 apresentações, constatando que muitas informações sobre a agricultura brasileira eram negativas. “Meu objetivo foi mostrar uma agricultura vibrante, algo que os chineses nunca tinham ouvido falar”, revelou.
Perspectivas Futuras
Apesar de ser um dos principais fornecedores de carne bovina para a China, o Brasil ainda pode melhorar sua reputação no mercado. Nussio observou que muitos produtos brasileiros são vendidos sem uma identidade clara, frequentemente reembalados com marcas locais. Isso contribui para que a carne brasileira não receba o reconhecimento que merece.
Ele sugere que uma colaboração mais estreita entre o governo, a indústria, o setor privado e especialistas brasileiros seja fundamental. Essa estratégia deve focar na promoção da qualidade da produção nacional e na busca por nichos de alto valor agregado. Assim, a China se apresenta não apenas como um mercado estratégico, mas também como uma fonte valiosa de aprendizado para o Brasil.
Com essa troca de experiências, a evolução da pecuária em ambos os países pode ser significativamente impulsionada.







