A instabilidade geopolítica no Oriente Médio voltou a colocar a segurança energética brasileira em xeque. Com cerca de 25% do petróleo marítimo mundial transitando pelo Estreito de Ormuz, qualquer bloqueio na região impacta diretamente o preço do frete e o abastecimento global. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o cenário expõe a vulnerabilidade do Brasil, que ainda importa volume significativo do diesel que move a logística e a agricultura.
A entidade defende que a valorização da energia renovável produzida no campo é o caminho para mitigar esses riscos. “O momento reforça a importância de o Brasil avançar em uma estratégia nacional que valorize sua capacidade de produzir energia renovável a partir da própria agricultura”, avalia a associação.
Atualmente, o Brasil ocupa o posto de maior exportador de soja do mundo, matéria-prima que já sustenta a indústria nacional de biocombustíveis, mas que o setor produtivo acredita ser subutilizada.
O avanço para o B17 é visto como uma medida imediata para reduzir a necessidade de importação. No entanto, o debate da Aprosoja MT ganha tração em torno do B100 — o biodiesel puro. “O debate também precisa evoluir para discutir o papel do biodiesel puro (B100) como instrumento de segurança energética capaz de reduzir a exposição à situações excepcionais de risco de abastecimento”, afirma a entidade.
Produção própria e autonomia no campo
A agricultura depende diretamente do diesel para operar e, em cenários extremos, a falta do produto comprometeria desde o plantio até a mesa do consumidor. Por isso, a Aprosoja MT defende que cooperativas e agroindústrias tenham mecanismos para produzir biodiesel destinado ao consumo de suas próprias operações.
“A ideia não é de substituir o sistema nacional de distribuição de combustíveis, mas sim criar um mecanismo de segurança para reduzir a dependência do fornecimento externo”, explica a entidade em nota.
Além da segurança no campo, o fortalecimento da matriz de biocombustíveis impacta o transporte rodoviário, responsável pela maior parte da circulação de medicamentos e bens de consumo no país. Segundo a Associação, ampliar a participação dos biocombustíveis e debater o uso estratégico do B100 são passos importantes para aumentar a resiliência nacional.
“Um país que alimenta mais de um bilhão de pessoas no mundo precisa garantir que sua produção não seja interrompida por falta de insumos essenciais”, conclui a Aprosoja MT. Com o mercado de energia marcado por conflitos, a tese é de que o Brasil deve transformar sua potência agrícola em uma vantagem estratégica para a economia.
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O post Aprosoja MT: tensões no Oriente Médio reforçam papel estratégico do biodiesel no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.