O excesso de chuva e os períodos de veranico castigaram as lavouras de soja em municípios como Nova Ubiratã e Boa Esperança do Norte, em Mato Grosso. Além da perda direta de grãos, a logística foi severamente prejudicada pela destruição de estradas e bueiros, dificultando o escoamento. Diante do cenário crítico, o sucesso do milho segunda safra passou a ser a principal esperança para evitar o endividamento e manter os investimentos no campo.
Em Nova Ubiratã, onde foram cultivados cerca de 250 mil hectares de soja, a frustração é visível. Edson Luiz Zimermmann, presidente da Copa Norte, estima que a média do município fique entre 58 e 60 sacas por hectare. “Entre 15 e 20 sacas a menos por hectare. Estamos passando por um cenário muito crítico”, afirma.
O impacto financeiro é agravado pela queda nos preços, com a saca recuando de R$ 115 para R$ 100 em curto período. Para quem depende de áreas arrendadas, a conta se torna ainda mais difícil de fechar. “Hoje, se ele for colocar na ponta da caneta, não compensa plantar”, lamenta Zimermmann em entrevista ao Patrulheiro Agro.
A cooperativa liderada por ele representa 45 integrantes e cerca de 50 mil hectares. A estratégia agora é focar totalmente no milho e renegociar prazos. “Vamos torcer para os juros abaixarem para a gente sentar com quem temos os nossos débitos e conseguir fazer um parcelamento e continuar a vida”, pontua o dirigente.

Prejuízos no campo
No município vizinho, Boa Esperança do Norte, a situação se repete. Em algumas propriedades, o prejuízo chegou a 20 mil sacas de soja. A aposta no milho segunda safra é o que sustenta a tentativa de garantir fluxo de caixa para honrar os compromissos herdados da oleaginosa.
O agricultor Moacir Antônio Guarnieri, que cultivou 1.840 hectares de soja nesta temporada, descreve o período como uma “safra doída”. Após enfrentar dois veranicos em outubro e chuvas intensas na colheita, ele viu sua média despencar. “No mínimo era colher 70 sacas por hectare, e a frustração puxou para nós 52 sacas”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.
Com um custo de lavoura próximo de 60 sacas por hectare, o resultado negativo impacta o giro anual da propriedade. Guarnieri reforça a necessidade de políticas de proteção mais acessíveis. “Eu acredito que tinha que ter um seguro rural subsidiado porque os seguros que tem aí são caros”, defende o produtor.

Impacto na economia local
O atraso no plantio da soja, que chegou a 40 dias em algumas áreas, gerou uma janela apertada para o milho e perdas significativas de qualidade. Segundo Cassiano Pase, secretário de Agricultura, Meio Ambiente, e Desenvolvimento Econômico de Boa Esperança do Norte, houve fazendas com perdas de até 70% em determinados talhões, o que gera um alerta para o setor público.
Para o prefeito de Boa Esperança do Norte, Calebe Francesco Francio, o prejuízo transborda a porteira das fazendas. A destruição da malha viária rural pelas chuvas exigiu gastos emergenciais que comprometem as finanças municipais. “O produtor entra no modo economia, isso traz o prejuízo para o município que consequentemente diminui a arrecadação”, explica.
Apesar das perdas localizadas, o balanço final do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que Mato Grosso registrou produtividade média de 66 sacas por hectare na safra 2025/26. O levantamento, que percorreu 34 mil quilômetros em 103 municípios, mostra que o resultado ficou quase 10% acima do previsto inicialmente para o estado.
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