O mercado do boi gordo enfrentou uma semana de cotações em queda, com preços variando entre estáveis e mais baixos. Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, a decisão dos Estados Unidos de isentar 300 mil toneladas de carne bovina das cotas tarifárias não teve um impacto significativo nas negociações diárias, embora tenha gerado entusiasmo no mercado futuro.
A análise do cenário atual
Iglesias ressalta que a reação positiva foi mais notada no mercado futuro, que teve um crescimento acentuado recentemente. Para a primeira quinzena de setembro, ele acredita que o efeito da medida americana será limitado, com a indústria ainda avaliando a viabilidade de aumentar as exportações para esse país.
Além disso, o ambiente de negócios no Brasil continua favorecendo os frigoríficos de grande porte, que têm escalas de abate mais confortáveis, contribuindo para a redução dos preços em diversas regiões.
Perspectivas para setembro
Os analistas da Scot Consultoria, liderados por Felipe Fabbri, apresentam quatro fatores que indicam uma possível alta nos preços da arroba do boi gordo em setembro. Primeiro, os frigoríficos devem focar na compra de bovinos jovens para abate, especialmente na segunda quinzena do mês, a fim de garantir estoque para atender a demanda de exportação para a China em 2027.
Outro ponto relevante é a diminuição da participação de fêmeas nos abates, comum nos meses de setembro a dezembro, o que pode pressionar os preços para cima, já que a oferta tende a ser menor.
Adicionalmente, a medida do governo dos EUA de liberar até 300 mil toneladas de carne com tarifa zero pode beneficiar o setor brasileiro, contribuindo para a valorização da arroba do boi ao longo do ano.
Impactos do cenário político e econômico
Com o início das campanhas eleitorais e a distribuição de verbas do fundo partidário, o mercado interno deve receber um impulso. A injeção de capital pode aumentar o consumo de carne bovina no Brasil, conforme observa Iglesias.
Valores médios do boi gordo
No dia 27 de agosto, os preços médios do boi gordo na modalidade a prazo eram os seguintes:
– São Paulo (Capital): R$ 340, queda de 4,23% em relação à semana anterior
– Goiás (Goiânia): R$ 330, baixa de 1,49%
– Minas Gerais (Uberaba): R$ 335, sem alterações
– Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 340, estável
– Mato Grosso (Cuiabá): R$ 335, queda de 1,47%
– Rondônia (Vilhena): R$ 333, redução de 1,48%
Mercado atacadista e exportações
O mercado atacadista também apresentou preços em queda, refletindo uma demanda enfraquecida e um consumo reduzido. A concorrência com outras proteínas, como carne suína e de frango, continua alta, o que impacta negativamente a carne bovina, conforme aponta Iglesias.
O quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 20 por quilo, uma queda de 4,76%, enquanto o quarto do traseiro ficou em R$ 26 por quilo, uma redução de 3,70%.
As exportações de carne bovina do Brasil totalizaram US$ 873,580 milhões em agosto até o momento, com uma média diária de US$ 58,238 milhões. A quantidade exportada chegou a 141,071 mil toneladas, com um preço médio de US$ 6.192,50 por tonelada. Comparado a agosto de 2025, houve uma queda de 18,6% no valor médio diário e uma redução de 26,4% na quantidade média exportada.
O cenário indica que, apesar de um agosto desafiador, setembro pode trazer uma recuperação significativa para os preços da arroba do boi gordo.







