22/04/2026

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Crise no Estreito de Ormuz encarece produção de soja e milho em Mato Grosso

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O agravamento do conflito no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, atingiu diretamente o bolso do agricultor mato-grossense. A instabilidade na região provocou uma escalada nos preços do petróleo e de insumos essenciais, elevando o custeio para o ciclo 2026/27 da soja em 6,98% no último mês. Segundo dados do Projeto Custo de Produção Agropecuária de Mato Grosso (CPA-MT), o valor por hectare foi estimado em R$ 4.435,40 em março.

A alta reflete o impacto imediato no preço do óleo diesel. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o combustível nas bombas de Mato Grosso saltou de R$ 6,35 por litro, em fevereiro, para R$ 7,21 na média de março. Esse acréscimo de R$ 0,86 por litro encarece as operações mecanizadas, que são fundamentais para o preparo do solo e semeadura.

Além do combustível, o mercado de nitrogenados e fosfatados sofreu o impacto das restrições de oferta geradas pela tensão internacional. Os fertilizantes, que representam 46,71% do custeio total da soja, registraram uma alta mensal de 10,77%, atingindo R$ 2.071,87 por hectare. Este é o segundo maior valor já registrado para o período em toda a série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Diante deste cenário, a relação de troca para o produtor segue pressionada, exigindo cautela no planejamento financeiro. “A alta dos insumos reforça a importância do planejamento de compras, como forma de mitigar custos e reduzir margens negativas para o produtor”, aponta o relatório elaborado pelo Imea em parceria com o Senar-MT.

Custo do milho e relação de troca

A cultura do milho também apresenta sinais de pressão inflacionária decorrente do cenário global. Para a safra 2026/27, o custeio referente a março de 2026 foi estimado em R$ 3.686,80 por hectare, um avanço de 3,38% em relação ao levantamento anterior. O movimento foi puxado pelos fertilizantes, corretivos e defensivos, cujos preços subiram 5,67% e 3,12%, respectivamente.

Com o milho cotado a uma média de R$ 43,48 por saca, o poder de compra do agricultor diminuiu significativamente. Atualmente, a relação de troca indica a necessidade de 99,06 sacas por hectare para a aquisição de uma tonelada de ureia, um aumento de 20,30% no comparativo mensal. Para o MAP e o KCl, as altas foram de 13,55% e 11,44%, evidenciando a dificuldade de aquisição de nutrientes básicos para a lavoura.

Como reflexo direto dessas incertezas, o volume de insumos negociados e as importações de fertilizantes em Mato Grosso até março de 2026 estão abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado. A retração nas compras sinaliza uma postura mais conservadora do setor diante da volatilidade dos preços internacionais.

Impacto na cultura do algodão

O algodão, cultura conhecida pelo alto investimento tecnológico, não ficou imune à crise logística e geopolítica. A nova projeção para o custeio da safra 2026/27 fixou o valor em R$ 10.531,50 por hectare, alta de 2,64%. O Custo Total (CT) da pluma saltou para R$ 18.630,38 por hectare, revertendo uma tendência de queda que vinha sendo observada em fevereiro.

O aumento nas despesas com fertilizantes e corretivos para o algodão foi de 6,27% no último mês. Esse movimento é explicado não apenas pela restrição de oferta dos produtos no mercado global, mas também pelo aumento expressivo nos custos logísticos causados pelos desvios de rotas no Oriente Médio. O cenário reverteu a competitividade da safra, que agora está 0,88% mais cara que o ciclo anterior.

A rentabilidade do cotonicultor está sendo testada justamente no período de maior demanda por insumos. Com a elevação dos gastos estruturais, especialistas alertam que a gestão de risco se torna o fator determinante para evitar prejuízos. O acompanhamento diário das cotações e a estratégia de aquisição antecipada são as ferramentas disponíveis para enfrentar a instabilidade no Estreito de Ormuz.


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