21/04/2026

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“Nunca foi tão difícil prever a safra”, diz CNA

Foto: Canal Rural Mato Grosso

A forte dependência do Brasil por fertilizantes importados — cerca de 92% do total utilizado — volta a acender o alerta no campo em meio às tensões geopolíticas e à pressão sobre custos. O cenário afeta diretamente o planejamento da próxima safra e amplia a incerteza para produtores rurais.

Além dos insumos, o diesel também entra na conta e pesa sobre a atividade em um momento crítico do calendário agrícola, com colheita de soja, plantio da segunda safra de milho e escoamento da produção. Esse conjunto de fatores pressiona margens e dificulta decisões no campo.

De acordo com o diretor técnico-adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Maciel Silva, há uma sobreposição de problemas que impactam diretamente o agro brasileiro. Ele explica que o primeiro capítulo está ligado ao diesel, já que o Brasil importa cerca de 30% do que consome, o que eleva custos logísticos.

O segundo ponto envolve os fertilizantes, especialmente os nitrogenados. Segundo ele, “quase 40% da ureia que o Brasil importa tem origem no Oriente Médio” e uma parcela significativa do comércio global passa por uma rota estratégica. “Entre um terço e um quarto dos fertilizantes do mundo passa pelo estreito de Hormuz”, afirma em entrevista ao Direto ao Ponto.

diretor técnico-adjunto da CNA, Maciel Silva Foto Canal Rural Mato Grosso
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Dependência e gargalos estruturais

A dependência externa não se limita aos nitrogenados. Conforme Maciel Silva, o Brasil também importa mais de 90% dos fósforos, além de enfrentar limitações na produção de enxofre, essencial para a indústria de fertilizantes. “Então são 92% dos fertilizantes”, diz.

Apesar de o país ter capacidade instalada para produzir ureia, boa parte dessa estrutura não é utilizada. O principal entrave está no custo e na logística do gás natural, matéria-prima fundamental para a produção. Ele ressalta que o Brasil possui o recurso, mas enfrenta dificuldades para levá-lo até as plantas industriais. “A gente tem o gás natural, o que não conseguimos fazer é que ele chegue nas plantas de produção de ureia”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.

Esse cenário evidencia um problema estrutural que, de acordo com ele, exige decisões de longo prazo. A discussão passa por infraestrutura, abertura de mercado e políticas públicas para reduzir a vulnerabilidade externa.

diretor técnico-adjunto da CNA, Maciel Silva Foto Canal Rural Mato Grosso
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Safra 2026/27 sob pressão

O impacto dessa dependência já preocupa para a próxima safra. Conforme a CNA, cerca de 30% dos fertilizantes necessários para o ciclo 2026/27 foram comercializados até agora, o que ainda deixa grande parte das compras em aberto.

Com custos elevados, crédito mais restrito e margens pressionadas, a tendência é de ajustes por parte dos produtores. “Ou ele vai reduzir pacote tecnológico ou ele vai diminuir a área”, frisa Maciel Silva. Ele destaca que a redução de área tende a ser mais relevante, principalmente em regiões menos produtivas ou em áreas arrendadas.

A situação é ainda mais delicada para culturas como o milho segunda safra, que dependem mais de fertilizantes nitrogenados. Já a soja tem certa vantagem pela fixação biológica de nitrogênio, o que ameniza parte do impacto.

Diante desse cenário, a incerteza predomina. “Nunca foi tão difícil analisar o mercado para uma safra subsequente”, afirma o diretor da CNA. Segundo ele, há muitas variáveis em jogo, como custos, clima, geopolítica, crédito e comportamento de mercado.

Além disso, fatores climáticos, como a possibilidade de ocorrência de El Niño, podem agravar ainda mais o quadro. Para o setor, o desafio será equilibrar custos e produtividade em um ambiente de alto risco e decisões cada vez mais complexas.

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