Medida eleva em mais de 450% a carga tributária atual e compromete presença do Brasil no segundo maior mercado do setor;
A partir desta quinta-feira (1º), o suco de laranja brasileiro poderá enfrentar uma tarifa de 50% para entrar nos Estados Unidos — medida que pode gerar prejuízos de até US$ 792 milhões por safra (aproximadamente R$ 4,3 bilhões), segundo estimativa da CitrusBR (Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos). O cálculo tem como base dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A nova alíquota representa um aumento de 456% em relação aos impostos pagos na safra 2024/25, que totalizaram US$ 142,4 milhões. Atualmente, o Brasil paga uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada exportada aos EUA. Com a mudança, o custo deve subir significativamente, especialmente se a tarifa adicional de 10%, anunciada em abril, for mantida.
Mesmo que a nova tarifa de 50% substitua os 10% anteriores, a carga continua pesada: a CitrusBR projeta perdas de US$ 635 milhões por safra, aumento de 345,8% frente à carga tarifária vigente.
EUA são segundo principal destino do suco brasileiro
Os Estados Unidos figuram como o segundo maior mercado para o suco de laranja brasileiro, atrás apenas da União Europeia. De acordo com dados da última safra, encerrada em 30 de junho, o país importou 307,6 mil toneladas do produto — o equivalente a cerca de 85 milhões de caixas de 40,8 quilos — gerando uma receita de US$ 1,31 bilhão e respondendo por 41,7% das exportações do setor.
Juntos, EUA e Europa concentram mais de 80% das vendas externas brasileiras. Enquanto os europeus utilizam o produto principalmente para reconstituição e consumo direto, o mercado americano se destaca pelo consumo de sucos premium e não concentrados, com maior disposição para pagar por qualidade.
Aumento global da carga tributária
A tarifa norte-americana impacta diretamente o faturamento da indústria e pode afetar toda a cadeia produtiva. Globalmente, o setor pode ver o total de tributos pagos saltar de US$ 393,6 milhões para US$ 1,3 bilhão. A conta inclui taxas aplicadas por mercados como União Europeia, Canadá, Japão, China, Reino Unido, Noruega, Suíça e Rússia.
Brasil é líder mundial, mas mercado alternativo é limitado
O Brasil é responsável por cerca de 70% das exportações mundiais de suco de laranja concentrado e congelado — uma liderança consolidada após décadas de investimento em tecnologia, adaptação de cultivares ao clima tropical e estruturação de uma cadeia altamente integrada.
Apesar do domínio, a CitrusBR alerta que não há mercados alternativos com capacidade de absorver, no curto prazo, o volume que atualmente é destinado aos EUA. Japão, Austrália, Canadá, países do Oriente Médio e outros emergentes têm se mostrado promissores, mas a diversificação ainda está em fase de consolidação.
Risco à competitividade
A escalada tarifária imposta pelos EUA compromete a competitividade do Brasil em um mercado estratégico, que valoriza tanto a qualidade quanto o volume do produto. A indústria teme retração nos embarques, redução da margem de lucro e possível desestímulo à produção, com impacto direto sobre empregos e investimentos em toda a cadeia citrícola.







