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No dia 5 de julho, o mundo celebra uma das trad ições gastronômicas mais antigas da humanidade: o churrasco. A data não faz parte de nenhum calendário oficial internacional, mas World BBQ Day ganhou relevância em vários países como um momento para exaltar a cultura da carne feita no fogo, uma tradição que une povos, costumes, histórias e sabores.
O World BBQ Day se tornou um manifesto sobre o papel da carne, do fogo e da mesa como espaços de encontro, celebração e, cada vez mais, de responsabilidade ambiental e social. No Brasil, onde o churrasco faz parte da nossa identidade, o dia 5 de julho é também uma oportunidade para valorizar quem produz, transforma e serve do campo à mesa. Mas atenção, “barbecue” e “churrasco” não são exatamente a mesma coisa, embora ambos estejam relacionados ao ato de assar a carne na brasa. Essa união de fogo, alimento e comunidade tem raízes profundas.
500 mil anos de história na brasa
O churrasco ou barbecue não é uma invenção moderna. Há cerca de 500 mil anos, os primeiros hominídeos já utilizavam o fogo como método de cocção, transformando carne crua em alimento mais macio e seguro. O domínio do fogo como prática constante só foi consolidado aproximadamente 300 mil anos atrás, quando os ancestrais humanos aprenderam a produzir e controlar as chamas.
Ao longo dos séculos, surgiram fornos, caldeirões e uma infinidade de técnicas que transformaram a carne no centro da culinária em diversas culturas. Mas, se há um preparo que mantém uma ligação ancestral com nossas origens, esse é o assado na brasa.
No Brasil, a tradição do churrasco se consolidou socialmente. Está presente em encontros de família, festas, batizados e casamentos. Por muitos anos, cortes como picanha, maminha e fraldinha dominaram as grelhas. Nos anos 2000, a influência argentina trouxe uma nova leitura para a carne no Brasil, com a popularização de cortes como ancho, bife de chorizo e técnicas específicas de parrilla.
Nos últimos anos, a revolução está nos cortes do dianteiro. Antes restritos a cozidos e preparações de longa duração, hoje eles ganham protagonismo na grelha, como é o caso do flat iron steak, que passou a figurar no cardápio dos melhores açougues e casas de carne.
Fata é que o ato de preparar carnes no fogo evoluiu e assumiu formas distintas em cada parte do mundo: do churrasco norte-americano ao asado argentino, da parrilla uruguaia ao fogo de chão brasileiro.
Além de celebrar a gastronomia, o World BBQ Day abre espaço para discutir temas atuais como rastreabilidade da carne, da produção sustentável, da pecuária regenerativa e da valorização da cadeia produtiva.
Entenda a diferença entre “barbecue” e “churrasco”
As diferenças entre “barbecue” e “churrasco”, na prática, designam técnicas, tradições e métodos diferentes, dependendo do contexto cultural.
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Barbecue se refere a um método de cozimento lento, em baixa temperatura
O que é o barbecue:
O termo “barbecue” deriva da palavra “barbacoa”, usada por povos indígenas do Caribe para descrever uma estrutura de madeira sobre a qual os alimentos eram defumados.
Nos Estados Unidos e em vários países de língua inglesa, barbecue se refere a um método de cozimento lento, em baixa temperatura, com calor indireto e geralmente com defumação. O processo pode durar várias horas, usando madeira ou carvão para gerar fumaça, que agrega sabor e textura à carne.
Características: Cocção lenta (slow cooking); defumação intensa; temperaturas baixas (90°C a 120°C); foco em cortes como brisket (peito), ribs (costelas) e pulled pork (porco desfiado).
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Método de assar carne em fogo direto ou sobre brasas
O que é o churrasco:
No Brasil, Argentina, Uruguai e outros países da América do Sul, churrasco é o método de cozinhar carne em fogo direto ou sobre brasas, usando grelhas, espetos ou fogo de chão. O preparo é feito em altas temperaturas, o que garante suculência e crosta dourada, com tempo bem menor que no barbecue americano. O sabor vem da própria carne e da brasa, sem necessidade de defumação intensa ou molhos.
Características: Cocção rápida na maioria dos cortes (com exceção da costela e cupim); fogo de chão, espeto ou parrilla; temperaturas altas (acima de 180°C); foco em cortes como picanha, maminha, fraldinha, costela e contrafilé.
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Brisket, ou peito, é o corte símbolo do churrasco texano
10 cortes para um churrasco perfeito
Picanha: Corte clássico do churrasco brasileiro, retirado da alcatra. Tem formato triangular, capa de gordura generosa e peso entre 1 kg e 1,5 kg.
Maminha: Localizada na ponta da alcatra, tem formato alongado, gordura em um dos lados e textura extremamente macia. Pesa em média 1,5 kg.
Fraldinha: Corte da parte inferior do abdômen. Possui fibras longas e pouco teor de gordura. O peso médio varia de 1,2 kg a 1,5 kg.
Contrafilé (Bife de Chorizo ou Ancho): Um dos cortes mais versáteis e nobres. Tem capa de gordura lateral, marmoreio evidente e pesa entre 6 kg e 8 kg na peça inteira.
Costela: Corte icônico do churrasco de fogo de chão. Possui carne intercalada com osso e gordura, garantindo suculência e sabor. Peças podem passar de 10 kg.
Short Ribs (Costela Curta): Costela nobre da parte dianteira. Tem excelente marmoreio, é suculenta e muito valorizada para grelha e defumação. Pesa entre 1 kg e 2 kg.
Ancho (Ribeye): Parte dianteira do contrafilé, reconhecida pela maciez e alto grau de gordura entremeada. As peças para grelha costumam variar entre 300 g e 600 g.
New York Steak (Bife de Chorizo): Corte da parte traseira do contrafilé, sem osso, com gordura lateral. Macio e suculento, pesa em torno de 300 g a 500 g.
Flat Iron: Retirado da paleta, é macio, marmorizado e muito saboroso. De formato alongado e achatado, tem peso médio entre 800 g e 1 kg.
Brisket (Peito): Corte símbolo do churrasco texano. É volumoso, cheio de colágeno e gordura, perfeito para defumação lenta. Pode pesar entre 5 kg e 7 kg.
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Costela curta, um corte da moda na brasa
Cortes que estão na moda em 2025
As tendências mundiais da carne na brasa em 2025 mostram uma combinação de busca por custo-benefício, sustentabilidade e fusão de culturas. Entre os mais pedidos estão:
- Picanha: Com status global, segue como estrela nas grelhas dos Estados Unidos e Europa.
- Short Ribs/Galbi: A costela curta ganhou versões inspiradas no churrasco coreano, com marinadas intensas e cortes no estilo LA.
- Flat Iron: Corte do dianteiro que virou sinônimo de sabor, acessível e extremamente macio. Ganhou espaço em churrascarias e boutiques de carne.
- Whole Steer Cooking (Boi Inteiro): A tendência dos grandes eventos gastronômicos. Assar o boi inteiro, uma prática ancestral, voltou como espetáculo culinário em festivais e encontros de churrasqueiros.
Raças que entregam a melhor carne
Nelore: Líder no Brasil, representa cerca de 80% da carne bovina produzida no país. Com melhorias em genética, alimentação e manejo, entrega cortes cada vez mais valorizados.
Angus: De origem escocesa, tem carne macia, suculenta e com alto marmoreio. No Brasil, além dos animais puros, destaca-se o Brangus, animais com composição racial 5/8 – 3/8 Zebu, na maior parte das vezes Nelore.
Hereford: De origem inglesa, tem carne macia, sabor acentuado e com um perfil mais amanteigado. No Brasil, animais com composição racial 5/8 Hereford e 3/8 Zebusão registrados como Braford.
Wagyu: Ícone de maciez e marmoreio, essa raça japonesa produz a carne mais valorizada do mundo. No Brasil e no exterior, há exemplares cruzados com Angus, tornando o corte mais acessível.
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Churrasqueira é parte sensível na arte do assado
5 dicas para quem vai acender a churrasqueira
1 – Tempo de fogo: acenda o carvão pelo menos uma hora antes. As brasas precisam estar bem formadas e não use a chama direta.
2 – Regra do carvão: a quantidade de carvão deve ser igual à de carne. Se forem 10 kg de carne, leve 10 kg de carvão.
3 – Quanto comprar: calcule 400 gramas de carne por pessoa no churrasco. Se incluir ossos (como costela), dobre essa quantidade. Para comparação, no preparo em panela a conta cai para 200 gramas por pessoa.
4 – Origem importa: carnes do dianteiro vão melhor em cocções longas, enquanto as do traseiro são ideais para a grelha.
5 – Marinar é poder: vinho, alho, cebola e ervas elevam o sabor e ainda ajudam a criar molhos ricos com o próprio líquido do cozimento.