O mercado global de DDG e DDGS brasileiros vive um momento de forte otimismo com a consolidação de novas rotas comerciais. A chegada da primeira remessa desses coprodutos à China, ocorrida nas últimas semanas, reforça a estratégia do setor em expandir as exportações para além dos 25 países que já compram o farelo nacional.
Os embarques internacionais são considerados fundamentais para manter a saúde financeira das usinas. Com a produção em franca expansão, o setor precisa garantir que a demanda acompanhe o ritmo da oferta, que tem potencial para dobrar nos próximos dez anos, evitando o excedente interno e a desvalorização do produto.
Na safra 2025/26, o Brasil alcançou o volume de quase cinco milhões de toneladas de DDG e DDGS, um salto de 20% em relação ao ciclo anterior. Esse crescimento é resultado direto da expansão das usinas de etanol de milho, que seguem com projetos de novas plantas e ampliação das estruturas já existentes em polos agrícolas.

Expansão das usinas e oferta futura
Atualmente, o país conta com 27 usinas em operação, com uma unidade recém-inaugurada em Luís Eduardo Magalhães. Segundo Andréa Veríssimo, diretora de relações internacionais e comunicação da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), há outras 14 plantas em construção e mais 14 aguardando licenciamento para o início das obras, o que garante um horizonte de crescimento contínuo.
“No mínimo, na próxima década a gente vai dobrar o tamanho desse setor. Só que sempre que a gente para olhar os dados, a gente tem que revisar e tem revisado para cima. Então, hoje a gente fala em dobro na próxima década, talvez seja mais que isso”, destaca a diretora da Unem sobre o vigor do segmento ao projeto Mais Milho.
Com o aumento da moagem de milho, a oferta de coprodutos usados na alimentação animal tende a acompanhar esse ritmo. Esse cenário exige atenção dos produtores para que o salto produtivo não comprometa a competitividade do negócio, uma vez que os “DDGS” representam uma fatia decisiva do faturamento das indústrias de etanol.
A manutenção dessa competitividade é o que permite ao setor de biocombustíveis manter investimentos em tecnologia. O equilíbrio entre o que é consumido no pasto brasileiro e o que é enviado ao exterior ditará o ritmo de novas plantas industriais.

Competitividade e o mercado de proteínas
As projeções indicam que, até 2030, a produção de farelo de milho cresça para a ordem de 10 a 12 milhões de toneladas. Embora o mercado doméstico tenha potencial de absorção, há desafios na disputa de espaço com o farelo de soja, que também possui oferta elevada nas bases de produção de proteína animal.
Bruno Wanderley de Freitas, economista da Datagro, explica que o confinador e setores como avicultura e suinocultura tendem a realizar misturas entre os farelos dependendo da variação de preços. “Intuitivamente, a gente espera que no futuro haverá sim alguma acomodação de preços desses coprodutos”, analisa o economista.
Essa acomodação de preços pode impactar diretamente a competitividade do etanol de milho em relação ao de cana-de-açúcar. Como os coprodutos respondem por 20% a 23% do faturamento da usina, a manutenção de margens saudáveis no DDG é o que permite ao biocombustível de milho seguir competitivo no mercado interno.

Abertura estratégica do mercado chinês
A internacionalização deixou de ser apenas uma opção e passou a ser tratada como prioridade para o setor. Em 2023, a Unem iniciou um projeto com a Apex Brasil para promover o produto no exterior. O desempenho financeiro confirma a evolução: de US$ 1 milhão exportado em 2021 para a casa dos US$ 190 milhões nos anos seguintes.
O apetite da China, que abriu seu mercado para o farelo brasileiro em maio do ano passado, é visto como um divisor de águas. “Claro que levou todo esse tempo em todas as certificações e homologações que têm que ser feitas tanto no Brasil quanto na China, mas o apetite da China é gigantesco”, afirma Andréa Veríssimo ao Canal Rural Mato Grosso.
O primeiro carregamento brasileiro com 62 mil toneladas marca uma nova fase, já que os chineses buscam reduzir a dependência do DDG norte-americano. “O mercado chinês já fechou as portas para o DDG norte-americano por questões de antidumping e eu acho que o brasileiro tem uma oportunidade gigante lá”, pontua Bruno Wanderley de Freitas.

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