06/07/2026

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Transição climática desordenada preocupa empresas e já aumenta custos dos negócios

Os líderes empresariais veem a sustentabilidade como uma fonte de competitividade, mas continuam preocupados com os riscos de uma “transição climática desordenada”, segundo uma nova pesquisa publicada pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), organização empresarial internacional, sem fins lucrativos, sediada em Genebra, na Suíça, criada em 1995. Ela reúne mais de 250 grandes empresas multinacionais

A pesquisa constatou que nove em cada dez líderes empresariais entrevistados consideram a sustentabilidade uma fonte de vantagem competitiva, sendo que 89% mantiveram ou ampliaram seus investimentos. No entanto, quase sete em cada dez também alertaram para os riscos crescentes de uma “transição climática desordenada”, enquanto quase metade das empresas enfrentou custos mais elevados relacionados ao clima no ano passado.

Foram ouvidos mais de 500 líderes empresariais de 50 países. O levantamento foi em parceria com a Breakthrough Agenda e a Marrakech Partnership, com apoio da Bain & Company e dos Climate High-Level Champions. O relatório mede a percepção do setor empresarial sobre a transição climática, investimentos em sustentabilidade e os riscos econômicos associados às mudanças climáticas e às políticas de descarbonização

A grande maioria dos entrevistados, oito em cada dez, também defendeu políticas públicas mais fortes e consistentes desde já para evitar os custos mais elevados de uma transição desordenada, com quase 40% dispostos a absorver despesas maiores no curto prazo.

O diretor-presidente do WBCSD, Peter Bakker, afirmou que as mudanças climáticas já são uma realidade e que as empresas precisarão se preparar para os riscos físicos associados a esse cenário. Bakker acrescentou que as empresas também estão sentindo os impactos do aumento dos custos de energia e das mudanças abruptas nas políticas públicas.

WBCSD_EdIAPeter Bakker, diretor-presidente do WBCSD

Segundo ele, embora muitos profissionais da área de sustentabilidade estejam encontrando mais dificuldades para convencer seus conselhos de administração, a discussão sobre os impactos climáticos já passou a fazer parte de todas as áreas das empresas. Bakker acrescentou que as empresas estão investindo em soluções climáticas muito mais direcionadas, como eletrificação e agricultura regenerativa.”Se você quer reduzir suas emissões de Escopo 3 na cadeia de suprimentos, então as equipes de compras precisam participar dessa conversa”, afirmou.

“E, se você está preocupado com interrupções na cadeia de suprimentos, então as equipes de avaliação de riscos precisam estar envolvidas. As equipes de continuidade dos negócios e os departamentos financeiros também precisam participar”, disse Bakker.

“A sustentabilidade está passando da moralidade para a materialidade. Não se trata mais de ‘estamos aqui para salvar o planeta’. Trata-se de ‘isso realmente vai impactar nosso negócio’ ou criar novas oportunidades.”

“Não se trata mais de metas, mas sim do plano de transição que as empresas possuem e estão dispostas a compartilhar, para que possamos verificar se elas realmente estão realizando os investimentos necessários para ampliar essas soluções em escala.”

Colm Devine, vice-presidente global de sustentabilidade da EY, afirmou, em comunicado, que as empresas estão reconhecendo cada vez mais que a maior ameaça é o custo da inação. Devine acrescentou que as interrupções relacionadas ao clima já estão afetando as cadeias de suprimentos, a disponibilidade de recursos, os custos operacionais e as perspectivas de crescimento de longo prazo.

Ele disse, porém, que pesquisas da própria EY mostram que, embora quase dois terços das organizações já tenham planos de ação climática, apenas 12% fizeram progressos significativos no desenvolvimento ou na divulgação desses planos. “O desafio agora é a execução”, afirmou Devine. “Estamos observando uma mudança significativa para a implementação prática das estratégias de sustentabilidade, com foco claro tanto na geração de valor quanto no fortalecimento da resiliência das empresas.”

“Os líderes que estão avançando mais rapidamente estão aproveitando essa oportunidade para repensar o futuro por meio de suas estratégias, de seus modelos de negócios e de seus modelos operacionais”, disse ele. “Nenhuma organização consegue construir resiliência sozinha.”

“Muitos dos riscos mais relevantes estão distribuídos pelas cadeias de valor e por sistemas mais amplos. Por isso, aqueles que estão obtendo os maiores avanços estão cada vez mais promovendo colaboração em ecossistemas e, cada vez mais, colaboração entre concorrentes”, disse Devine.

Mars_edIAAlastair Child, diretor de sustentabilidade da Mars Inc.

O diretor de sustentabilidade da Mars Inc., Alastair Child, afirmou, em comunicado, que as empresas precisam demonstrar que agir em relação ao clima é uma fonte de valor econômico e crescimento de longo prazo.

Child acrescentou que as empresas que administrarem de forma ativa seus impactos sobre as pessoas e o planeta serão as mais resilientes e estarão em melhor posição para conquistar vantagem competitiva nos próximos anos.

“Na Mars, estamos constatando o impacto positivo de incorporar a ação climática ao centro da forma como operamos”, afirmou Child.

“Todo plano de negócios deve cumprir metas de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e outros objetivos não financeiros. É por isso que os incentivos de aproximadamente 1.900 de nossos principais líderes estão parcialmente vinculados às metas de sustentabilidade.”

Já o doutor Ulf Moslener, professor de Finanças de Energia Sustentável da Frankfurt School of Finance and Management, afirmou que uma “transição desordenada” é, por definição, o que acontece quando a ação climática é adiada e depois precisa acelerar rapidamente para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

Moslener acrescentou que, embora muitas empresas tenham anunciado metas de transição, comparativamente poucas explicaram de que forma pretendem alinhar seus investimentos de capital a essas metas, redirecionando de maneira sistemática os investimentos para longe de ativos intensivos em carbono.

“Na minha avaliação, a pesquisa do WBCSD aponta menos para uma falta de coordenação entre governos e empresas e mais para a ausência de sinais de políticas públicas confiáveis e previsíveis”, afirmou. “Políticas climáticas fortes e consistentes permitem que os mercados coordenem investimentos e inovação. É perigoso interpretar isso como se os governos devessem esperar que os setores intensivos em carbono tomem a iniciativa.”

“O resultado preocupante da pesquisa, uma expectativa crescente de uma transição desordenada, reflete precisamente os custos dessa incerteza nas políticas públicas.”

Publicado originalmente em forbes.com

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