O setor agropecuário de Mato Grosso pediu ao governo estadual que o Fethab 2 não seja renovado após 2026. Em reunião do Fórum Agro MT com o vice-governador Otaviano Pivetta nesta quinta-feira (19), lideranças do agronegócio expuseram a baixa rentabilidade e os custos elevados que pressionam o caixa das propriedades rurais.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram o peso do tributo sobre as margens do produtor. Na soja, a safra 2023/24 fechou com prejuízo de R$ 220,51 por hectare, mesmo com o recolhimento de R$ 152,40 de Fethab.
Para o ciclo 2026/27, a estimativa é que o custo do fundo chegue a R$ 189,12 por hectare. O valor representa mais que o dobro do lucro líquido projetado para o período, de apenas R$ 85,48 por hectare.
Sobrevivência no campo
No milho, a projeção para 2025/26 indica prejuízo de R$ 163,11 por hectare. Já no sistema soja mais milho, a estimativa para 2026/27 é de resultado negativo de R$ 77,62 por hectare, com recolhimento de R$ 291,33 por hectare ao fundo.
No algodão, apesar da margem positiva, o custo do Fethab é elevado, sendo R$ 328,23 por hectare, diante de lucro líquido estimado em R$ 671,70 por hectare. Na pecuária de cria, o lucro previsto para 2025 é de apenas R$ 19,06 por hectare, sendo que o Fethab consome R$ 9,77.
O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, destacou que a prioridade é garantir que o produtor permaneça na atividade. “Hoje, a nossa demanda é pela não renovação do Fethab 2. Vimos com bons olhos a sensibilidade do governo em enxergar o que está acontecendo com o setor produtivo e a situação do produtor rural”, afirmou.
A gestão estadual pontuou que o governo aceita discutir o tema, mas ressaltou que a decisão depende de não comprometer o orçamento do Estado. “Nós vamos rever tudo o que for preciso rever para auxiliar o setor que sustenta o estado”, disse o vice-governador Otaviano Pivetta.
O secretário de Fazenda, Rogério Gallo, defendeu que os recursos do fundo têm sido aplicados integralmente em infraestrutura, citando a entrega de mais de 6,2 mil quilômetros de asfalto novo desde 2019. Mesmo com a defesa dos investimentos, Gallo afirmou que o governo está atento à situação do setor e disposto a avaliar a reivindicação apresentada pelas entidades.
O presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Diogo Damiani, reforçou que o limite financeiro foi atingido. “O produtor já passou do limite. Em Sorriso, o Fethab consome hoje cerca de 40% da margem líquida da soja. O setor precisa de fôlego e de ajuda concreta para evitar efeitos ainda mais graves no campo”, concluiu.
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