O produtor rural deve reduzir drasticamente o uso de fertilizantes na próxima safra. A estimativa é de cortes que podem superar 50%, principalmente no fósforo, segundo a Aprosoja Brasil.
A decisão vem após três safras de margens apertadas, com custos elevados, preços das commodities em baixa e dificuldade de acesso ao crédito, frisa o diretor executivo da entidade, Fabrício Rosa.
O cenário se agravou com os impactos geopolíticos no Oriente Médio, que elevaram o preço do diesel e pressionaram os insumos. “Infelizmente, vemos novamente uma subida de fertilizantes e agora temos uma guerra ainda em andamento que impactaram bastante a perspectiva de margem do produtor”, diz em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
Com a rentabilidade comprometida, o endividamento avançou e travou o crédito no campo. “Os produtores vieram as últimas safras tentando renegociar com os bancos as parcelas de custeio e investimento. Os bancos foram bastante resistentes”, relata.
Crédito travado e pressão no campo
Além da dificuldade de renegociação, produtores enfrentam restrição para novos financiamentos, mesmo quando conseguem pagar dívidas. “Se o produtor tem alguma liquidez para ele pagar a parcela, o banco não está renovando o limite do produtor”, afirma.

O modelo de alienação fiduciária, adotado como alternativa para ampliar o crédito, também tem gerado perdas. “A gente sabe que tem um deságio em cima disso que todo mundo perde, o produtor perde, quem deu dinheiro também perde às vezes de 50% em cima do bem”, explica.
Sem alternativa, parte dos produtores recorre à recuperação judicial para evitar a perda do patrimônio. “Na maioria dos casos, ele não tinha outra opção. Ou ele fazia o RJ, ou então perdia tudo com o banco”, diz.
Corte de custos e risco na próxima safra
Para a próxima safra, a resposta no campo deve ser um ajuste severo nos custos. A Aprosoja Brasil projeta uma redução inédita no pacote tecnológico, com destaque para os fertilizantes. “O produtor vai reduzir o pacote tecnológico como nunca antes visto. Fertilizante, fósforo, nós estamos falando de queda assim de mais de 50%”, afirma Fabrício Rosa ao Canal Rural Mato Grosso.
A estratégia inclui ainda o avanço da chamada semente salva e cortes em diferentes frentes do custeio. “Hoje o produtor está fazendo conta e onde dá para economizar, ele está economizando, está se espremendo”.
O movimento, no entanto, pode trazer reflexos diretos na produtividade. A redução no uso de insumos, somada a possíveis riscos climáticos, tende a impactar o desempenho das lavouras na próxima safra.
Além disso, há expectativa de redução de área plantada, tanto para soja quanto para milho, diante da baixa rentabilidade. “Com esse componente de preço e margem baixa, o produtor tende a reduzir a área também para próxima safra”, pontua o diretor executivo da Aprosoja Brasil.
No caso do milho, o cenário preocupa ainda mais devido ao elevado volume de estoque, que pode pressionar os preços. “Vamos ter um estoque gigantesco de milho para a próxima safra. O que significa que também haverá uma pressão de preços”, conclui.
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