Há mais de 98 anos no mundo e com liderança consolidada na Europa, a Fendt chegou ao Brasil em 2019 — e não veio para ocupar uma fatia modesta do mercado. A marca alemã, pertencente ao grupo AGCO, desembarcou em Sorriso, no Mato Grosso, com uma promessa clara: levar ao agricultor brasileiro o que existe de mais avançado em equipamentos agrícolas. No Forbes Cast desta edição, Fábio Doto, diretor de marketing da Fendt para a América Latina, explica como a empresa está cumprindo essa promessa — e por que o produtor brasileiro não está atrás de ninguém no mundo quando o assunto é adoção de tecnologia.
“Eu considero que o agricultor brasileiro não está atrás de ninguém no mundo e até diria que ele está à frente no sentido de produzir de uma forma mais sustentável e mais eficiente”, afirma Doto. Com mais de 25 anos de atuação no setor, ele conhece os dois grandes limitantes que definem o dia a dia do produtor: custo e produtividade. E é sobre esses dois eixos que a Fendt concentra toda a sua proposta de valor.
Tecnologia que se paga no campo
Entre as novidades apresentadas em 2026, a Fendt trouxe uma nova série de tratores com transmissão CVT, sensores embarcados e inteligência artificial que permite autoajuste de velocidade e consumo. Os equipamentos da marca consomem, em média, de 15% a 20% menos combustível do que a concorrência — resultado da combinação de motores que operam em rotações inferiores, o que também aumenta a durabilidade dos componentes e reduz o custo de manutenção.
No segmento de plantadeiras, a tecnologia da Precision Planting — outra marca do grupo AGCO — garante a entrega da semente e do fertilizante no local, dose e momento certos. Segundo Doto, em operações com muita manobra de cabeceira, é possível reduzir de 50% a 75% da aplicação de fertilizante, representando uma economia de cerca de R$ 30 por hectare por safra em soja e milho. “Toda a tecnologia que for desenvolvida e contribuir na parte de otimizar os custos e também na produtividade de uma forma sustentável — essa tecnologia tem importância”, resume.
O trator que trabalha sozinho
Uma das maiores apostas da Fendt para o ciclo produtivo 2026 é o Autorun, sistema de automação assistida que permite ao trator operar sem ninguém na cabine. Por meio de um tablet, o operador define as tarefas e as rotas dentro do talhão; a partir daí, o equipamento executa o trabalho — preparando o solo, ajustando a velocidade e até acompanhando uma colheitadeira no campo para realizar operações de transbordo de grãos.
“O futuro faz parte do nosso dia de hoje. A gente acha que o trator autônomo vai demorar para chegar. Não — a tecnologia nós já dominamos e estamos mostrando ao mercado”, afirma Doto. A solução responde diretamente a um dos principais gargalos do campo brasileiro: a escassez e o custo da mão de obra qualificada. Mas, para o executivo, o operador de máquinas não desaparece com a automação — ele evolui. “O operador vai ser mais tomador de decisão do que um piloto. A máquina está fazendo praticamente 90% dos ajustes; cabe a ele validar e decidir.”
Motores para o futuro, disponíveis hoje
Na frente da transição energética, a Fendt também anda adiantada. Enquanto a legislação brasileira exige que fabricantes atendam ao nível de emissão Tier 3, a marca já entrega equipamentos no padrão final Tier 4, com redução de 90% na emissão de monóxido de nitrogênio. Além disso, os motores Core 75 e Core 80 — premiados globalmente — foram projetados com uma arquitetura modular: o bloco central permanece o mesmo, mas os periféricos podem ser adaptados para operar com etanol, biometano ou hidrogênio.
“Imagina o coração — e os periféricos ao coração eu mudo. Mas o coração está lá, definido de uma forma inovadora”, explica Doto. A Fendt também já comercializa um trator 100% elétrico em escala global. Para o executivo, não há uma única aposta certa na transição energética — o caminho passa por um portfólio amplo, adaptado à realidade de cada cadeia produtiva e região. O biometano faz sentido para granjas de suínos e aves; o etanol tem espaço crescente com o avanço do milho energético; o hidrogênio é o horizonte próximo.
Da Europa aos trópicos — e além
A expansão da Fendt pela América Latina segue uma lógica clara e responsável: Brasil primeiro (2019), Paraguai em seguida e, mais recentemente, Argentina. Em todos os mercados, o processo de tropicalização — adaptação de configurações, pneus, eletrônica embarcada e testes extensivos em campo — precede qualquer lançamento comercial. Os equipamentos são validados no sul do Brasil, no cerrado, na Bahia, em São Paulo e na Argentina antes de chegarem às concessionárias.
O Paraguai, apontado por Doto como um mercado estratégico pela forte presença de produtores brasileiros e pelas condições agroclimáticas similares às do Mato Grosso do Sul, tem crescido de forma expressiva no agronegócio regional. Já a Argentina impressiona pela maturidade técnica dos seus agricultores — incluindo os contratistas, prestadores de serviços que percorrem o país de norte a sul com seus equipamentos. “O argentino é um agricultor que nos questiona muito sobre a operação das máquinas. E isso nos ajuda a crescer”, reconhece o executivo.
O parceiro do ciclo inteiro
Para Doto, o papel da Fendt no agro do futuro não se resume a vender máquinas. A empresa quer estar presente em todo o ciclo de vida do equipamento: desenvolvendo, entregando, treinando, dando suporte e, quando chegar o momento, auxiliando na renovação da frota. A aquisição da PTX Trimble pelo grupo AGCO reforça esse posicionamento, trazendo tecnologias de guidance, plantio de precisão e gestão que podem ser aplicadas inclusive em máquinas de outras marcas — o que a empresa chama de gestão de frota mista.
“Uma máquina bem operada, bem configurada para aquela condição e aquela lavoura, ela vai tirar o máximo dali. Essa é a nossa máquina nova”, define Doto. A frase resume bem a filosofia da marca: antes de convencer o produtor a comprar um equipamento novo, a Fendt quer provar que a tecnologia disponível — nova ou adaptada — é capaz de transformar resultado.
Ao final do episódio, quando questionado sobre o que diria a um produtor que acabasse de entrar no estúdio, Doto foi direto: “Qual é o seu grande desafio? Em cima desse desafio, eu tenho certeza que, se trabalharmos juntos, seremos o seu parceiro eterno.” Para o filho desse produtor, a mensagem foi igualmente objetiva: “A Fendt é a marca mais tecnológica do mercado e a máquina que vai ser parceira do futuro para você.”
Assista ao episódio completo no canal da Forbes Brasil no YouTube e entenda mais sobre as oportunidades e desafios do futuro da saúde.
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