06/06/2026

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Polato Sementes Capta R$ 137 Milhões em Operação Inédita Ligada ao Dólar

Em dezembro do ano passado, enquanto acompanhava os últimos preparativos para a entrada em operação de uma nova indústria de beneficiamento de sementes em Pedra Preta, no sul de Mato Grosso, a direção da Polato Sementes iniciou outro projeto, desta vez longe das lavouras. A empresa começou a estruturar uma operação para acessar o mercado de capitais e financiar uma nova etapa de crescimento.

Seis meses depois, os dois movimentos se encontraram. A unidade industrial, construída com investimento de R$ 100 milhões, entrou em operação com a meta de dobrar a capacidade produtiva da companhia para 1 milhão de sacas anuais. Na semana passada, a empresa concluiu uma captação de R$ 137 milhões por meio da primeira oferta pública de uma Cédula de Produto Rural (CPR) Financeira com variação cambial realizada no Brasil.

Poucos dias antes, a Polato havia comemorado 45 anos de fundação. Criada em maio de 1981, a companhia acompanhou a transformação de Mato Grosso em uma das maiores potências agrícolas do planeta e construiu sua atuação no mercado de sementes de soja, algodão e sorgo.

B3_DivulgOrlando Henrique Ferrari Polato diz que CPR foi um passo importante para a empresa familiar

“O momento tem um significado muito especial para a nossa história. Realizamos uma operação inovadora que simboliza a evolução da Polato”, afirma Orlando Henrique Polato, CEO da empresa. “É a demonstração de que uma empresa familiar pode preservar seus valores e suas raízes enquanto se prepara para os desafios do futuro”

O instrumento utilizado na operação chama atenção pelo ineditismo. Embora a CPR tenha se consolidado como um dos principais mecanismos de financiamento privado do agronegócio, a modalidade com variação cambial ainda é pouco utilizada no mercado brasileiro.

Hoje, a maior parte das CPRs emitidas no país segue dois formatos. Na CPR Física, o produtor assume o compromisso de entregar uma quantidade determinada de produto agrícola em uma data futura. Já na CPR Financeira, a liquidação ocorre em dinheiro, sem a entrega da produção. O estoque desses títulos supera R$ 450 bilhões registrados na B3 e serve de base para operações que financiam desde produtores rurais até grandes grupos do agronegócio.

No caso da operação da Polato, o valor do título acompanha as oscilações do dólar ao longo do contrato, embora o pagamento seja realizado em reais. A estrutura procura aproximar o financiamento da dinâmica das commodities agrícolas, cujos preços são fortemente influenciados pela moeda americana.

“Hoje já são mais de R$ 450 bilhões em estoque de CPR na B3. E em oferta pública, mais uma vez o Itaú BBA como pioneiro e como vanguarda nesse produto, já acumulam mais de R$ 10 bilhões em ofertas públicas de CPR financeira. Isso para a gente é um marco muito importante”, afirmou Leonardo Betanho, superintendente de produtos da B3.

A captação ocorre em um momento de expansão do mercado brasileiro de sementes. O país figura entre os maiores mercados globais do setor, impulsionado principalmente pela soja, cuja área cultivada supera 47 milhões de hectares. Segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), mais de 4 milhões de toneladas de sementes certificadas são comercializadas anualmente no Brasil.

A corrida por produtividade transformou a genética em um dos ativos mais importantes da agricultura moderna. Novas cultivares precisam combinar rendimento, resistência a doenças e adaptação a diferentes condições climáticas. No algodão, segmento em que o Brasil se tornou o maior exportador mundial, a demanda por inovação segue crescente. O mesmo ocorre com o sorgo, cuja expansão acompanha o avanço da pecuária intensiva e da indústria de biocombustíveis.

É nesse ambiente que a Polato decidiu ampliar sua estrutura industrial. A nova unidade de Pedra Preta incorpora sistemas digitais de controle e beneficiamento e foi projetada para sustentar o crescimento da produção nos próximos anos.

Segundo a empresa, a operação financeira é resultado de um processo de fortalecimento da governança corporativa, com investimentos em auditorias, sistemas de gestão e reorganização de processos internos. O movimento ganhou velocidade após a sucessão familiar conduzida por Orlando Henrique Polato, responsável por liderar a fase mais recente de expansão da companhia.

“Essa conquista também representa a confiança do mercado na nossa gestão, na nossa equipe e no potencial do agronegócio brasileiro”, afirma o executivo.

Com a nova fábrica em operação e os recursos captados no mercado, a empresa entra em uma fase em que crescimento industrial, genética e acesso a capital passam a caminhar juntos. Para uma companhia que nasceu no início da expansão agrícola de Mato Grosso, a operação marca a entrada em um universo ainda pouco frequentado pelas empresas de sementes brasileiras: o das estruturas financeiras sofisticadas voltadas ao agronegócio.

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