06/06/2026

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Dólar sobe a R$ 5,15 após payroll dos EUA e reforça atenção sobre juros

O dólar à vista fechou em alta de 1,78% nesta sexta-feira (5), a R$ 5,1572, no maior nível desde 2 de abril, após a divulgação de dados fortes de emprego nos Estados Unidos. O movimento acompanhou a valorização global da moeda americana e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. No mercado, a leitura foi de que o Federal Reserve pode manter juros elevados por mais tempo ou até voltar a subir a taxa básica ainda em 2026.

Segundo o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, foram criadas 172 mil vagas em maio, acima do teto de 125 mil projetado por analistas consultados pelo Projeções Broadcast. Houve ainda revisão para cima dos números de abril, de 115 mil para 179 mil, e de março, de 185 mil para 214 mil. A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%, enquanto o salário médio por hora subiu 0,3% no período.

Com os dados, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, superou 100 pontos no início da tarde. Os rendimentos dos Treasuries também avançaram, com o papel de dois anos chegando a 4,17%. A ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar 70% de chance de alta de juros pelo banco central dos Estados Unidos em dezembro.

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No Brasil, a moeda americana acumulou ganho de 2,27% na primeira semana de junho, após avanço de 1,82% em maio. No ano, o real ainda registra valorização, mas a pressão cambial recoloca no radar os efeitos sobre cadeias dependentes de importação. Para o agro, o câmbio mais alto pode elevar custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e máquinas, ao mesmo tempo em que altera a competitividade das exportações de commodities.

Isadora Junqueira, economista da Az Quest, afirmou que o payroll reforça um cenário de inflação mais resistente e mercado de trabalho aquecido nos Estados Unidos. Já Paulo Gala, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), avaliou que a combinação de dólar pressionado e inflação local reduz espaço para cortes na taxa Selic. O material disponível não detalha, porém, efeitos imediatos por cultura, proteína ou praça agropecuária específica.

No curto prazo, a trajetória do câmbio deve seguir sensível aos próximos indicadores de inflação e atividade nos Estados Unidos, além das expectativas para juros no Brasil. Sem novas informações setoriais específicas, ainda não é possível medir com precisão o efeito direto desta sessão sobre comercialização agrícola, custo de produção ou margens por cadeia produtiva.

Fonte: Estadão Conteúdo

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