06/05/2026

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Os Planos de Aurélio Pavinato para Levar a SLC Agrícola ao Triple A do CDP

Quando Aurélio Pavinato assumiu o comando da SLC Agrícola, em dezembro de 2012, a companhia plantava pouco mais de 300 mil hectares. Treze anos depois, opera acima de 730 mil hectares, figura entre as maiores produtoras de commodities agrícolas do país e acaba de alcançar a nota máxima do CDP em Florestas e Segurança Hídrica. A organização global sem fins lucrativos administra o único sistema independente de divulgação ambiental do mundo.

O resultado da SLC não é um ponto fora da curva, mas o retrato de uma estratégia construída ao longo de décadas na gestão do executivo. E, agora, orientada para um objetivo mais ambicioso de Pavinato: o Triple A da entidade, que inclui também a agenda climática.

Agrônomo, com mestrado e doutorado em Ciência do Solo, Pavinato, hoje com 58 anos, construiu praticamente toda a sua carreira dentro da empresa. Foram mais de 20 anos na produção agrícola antes de chegar à presidência executiva. Essa trajetória moldou a forma como ele enxerga sustentabilidade.

“A pergunta sempre foi como produzir para sempre, de forma sustentável”, afirma.

“Isso precisa fechar a conta do ponto de vista agronômico, econômico e ambiental.”

Escala, capital e pressão por eficiência

Divulgação/SLC AgrícolaColheita de algodão em fazenda da SLC Agrícola

A SLC é hoje uma companhia de escala continental. Na safra 2024/25, cultivou cerca de 731,6 mil hectares distribuídos em 23 unidades de produção em oito estados (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí e Pará). Produz algodão, soja e milho, atua em integração lavoura-pecuária e mantém uma operação relevante de sementes.

Trata-se de um modelo intensivo em capital, sensível ao clima, aos custos e à volatilidade dos preços internacionais.

Em 2024, a empresa registrou receita líquida próxima de R$ 7 bilhões. Não é à toa que a companhia faz parte da Lista Agro100 da Forbes, ocupando a 45ª posição. O resultado financeiro representou um recuo de 4,4% ante 2023, impactado pela menor produtividade de soja e milho na safra 2023/24.

O algodão, por outro lado, sustentou parte da performance: foram 364 mil toneladas embarcadas, volume recorde e 52% superior ao de 2023. O EBITDA ajustado atingiu R$ 2,0 bilhões, com margem de 29,4%, enquanto a alavancagem permaneceu controlada em 1,8 vez.

O investimento em bens de capital (CAPEX) somou R$ 1,1 bilhão, o maior da história da companhia, direcionado principalmente à expansão da área plantada, aquisição de máquinas, correção de solo e investimentos em irrigação.

É nesse ponto que a agenda ambiental se conecta diretamente à estratégia financeira: eficiência operacional e mitigação de risco passaram a ser determinantes para a preservação de margem no longo prazo.

Desmatamento zero como estratégia de negócio

A classificação “A” do CDP em Florestas está diretamente ligada a decisões estruturais tomadas ainda antes da consolidação do ESG como critério de investimento. Em 2015, a SLC decidiu não adquirir novas áreas com vegetação nativa. Em 2021, formalizou a política de desmatamento zero para Amazônia e Cerrado, assumindo o compromisso de não operar áreas convertidas após esse marco.

“Isso não foi uma resposta tática ao mercado”, afirma Pavinato. “Sustentabilidade não se constrói em um ou dois anos. É um projeto de décadas.”

O crescimento da companhia ocorreu majoritariamente por meio de arrendamentos e ganhos de produtividade, em um modelo asset light que permitiu expandir a produção sem conversão de novas áreas.

Hoje, soja, milho, algodão e sementes são produzidos integralmente em áreas próprias ou arrendadas, livres de desmatamento, com controle rigoroso também sobre fornecedores de gado. A lógica reduz riscos regulatórios, jurídicos e reputacionais, fatores cada vez mais precificados pelo capital global.

Água: gestão fina de um recurso crítico

Divulgação/SLC AgrícolaTécnicos agropecuários em área de produção de algodão

Na frente hídrica, outro pilar avaliado pelo CDP, a SLC se apoia em um diferencial estrutural da agricultura brasileira: a dependência majoritária das chuvas. Mais de 99% da água utilizada pela companhia vem da precipitação natural. Quando há irrigação, ela é suplementar e orientada por sistemas inteligentes que medem a real demanda hídrica das plantas.

“No Brasil, temos a vantagem de um sistema produtivo baseado em chuva, mas isso não elimina a necessidade de gestão”, diz Pavinato. “Investimos pesado em telemetria, monitoramento e manejo preciso do balanço hídrico.”

O uso de sensoriamento remoto, aplicação localizada de defensivos e agricultura digital permitiu reduzir em até 90% o consumo de água em determinadas operações. Além disso, todas as captações são realizadas com autorização dos órgãos ambientais, reforçando a governança sobre um recurso que tende a ganhar valor econômico crescente.

O lugar da SLC no clube restrito do CDP

O desempenho coloca a SLC em um grupo ainda pequeno de companhias brasileiras do agronegócio com avaliação máxima do CDP. No país, apenas Klabin S.A. e Marfrig Global Foods S.A. (atual MBRF) já alcançaram o Triple A, com nota máxima simultânea em Clima, Florestas e Água. No patamar do duplo “A”, agora, além da SLC, está também a BRF S.A. (atual MBRF).

O dado reforça a leitura de que o CDP se consolidou como um marcador de maturidade corporativa, e não apenas ambiental. Em 2025, cerca de 640 investidores, responsáveis por US$ 127 trilhões (R$ 635 trilhões) em ativos, utilizaram os dados da organização para embasar decisões de investimento. Transparência e consistência passaram a ser pré-requisitos de acesso ao capital.

Clima: o degrau mais complexo rumo ao Triple A

Para Pavinato, a conquista do duplo “A” não encerra o ciclo. O desafio agora é avançar na dimensão climática, considerada a mais complexa.

“O clima exige escala, integração e governança”, afirma Pavinato. “Não se trata apenas da nossa operação, mas de toda a cadeia.”

O plano envolve ampliar a agricultura regenerativa em todas as regiões, expandir o uso de insumos biológicos, substituir parte dos fertilizantes sintéticos por biofertilizantes e estruturar modelos de economia circular dentro das fazendas.

Fora da porteira, o desafio está na mensuração, redução e reporte das emissões ao longo da cadeia de valor, especialmente no escopo 3, além da estruturação de projetos de carbono com rigor técnico e regulatório.

“Sustentabilidade e eficiência hoje andam juntas”, resume o CEO. “Não existe crescimento sustentável sem disciplina operacional e geração de valor no longo prazo.”

Sob a gestão de Aurélio Pavinato, a SLC Agrícola entra em uma fase em que clima, água, florestas e finanças passam a ser tratados como partes de um mesmo sistema decisório. O Triple A do CDP surge menos como um selo e mais como um teste definitivo de maturidade para um modelo de agronegócio que busca escala, rentabilidade e resiliência em um cenário global cada vez mais exigente.

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