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Em primeira mão para a Forbes Agro, o economista Eduardo Monteiro, country manager da americana Mosaic no Brasil, uma das principais produtoras e distribuidoras mundiais de fertilizantes, anunciou que a companhia chega com força ao mercado de fertirrigação no Brasil, o que significa fertilizar e irrigar lavouras ao mesmo tempo.
A prática é uma das estratégias mais eficazes para elevar a produtividade porque entrega nutrientes exatamente onde e quando a planta precisa, com menor desperdício e maior eficiência. Em cultivos de alto valor ou em sistemas tecnificados, ela é decisiva para estabilizar produção e reduzir custos operacionais.
“Hoje, vemos com clareza o potencial de mercado. Estou falando de um mercado de 1 milhão de toneladas por ano, mas que até 2030 vai chegar a 4 milhões de toneladas, segundo dados da Embrapa”, diz Monteiro. “Qual é o impulsionador disso? O aumento da área irrigada. Então, é este mercado que vem se tornando relevante, e aí, essa relevância nos chamou a atenção.”
Dos cerca de 90 milhões de hectares cultivados por lavouras no Brasil, cerca de 10%, 9 milhões de hectares são irrigados hoje. Mundialmente o país está em 6º lugar em área irrigada, segundo os dados mais recentes, de 2023, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês).
A liderança é da Índia com 79,3 milhões de hectares irrigados, seguida pela China (71,6 milhões de hectares), Turcomenistão (28,1 milhões de hectares), Estados Unidos (22,2 milhões de hectares) e Paquistão (19,5 milhões de hectares). No entanto, a tendência é o Brasil atingir 20 milhões de hectares irrigados até 2040.
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Irrigação por pivô central numa área de plantação de soja em Mato Grosso
De olho neste potencial brasileiro, o movimento passa a ser estratégico para a Mosaic que vai combinar seu peso no mercado de fertilizantes minerais com a ambição de liderar também em bionutrição e solúveis para irrigação.
“Queremos aproveitar o gancho da semana da COP30”, diz Monteiro. “Este é o momento para trabalhar muito forte no desenvolvimento da vertente de bionutrição.” As soluções biotecnológicas que antes eram mais demandadas na proteção das lavouras contra pragas e doenças, passam a entrar em novas frentes, como na nutrição das plantas. “Isso é sustentabilidade. Um exemplo que vai se perpetuar”, diz ele.
A companhia registrou faturamento líquido de R$ 24,15 bilhões no Brasil em 2024 e, globalmente, reportou US$ 11,12 bilhões (R$ 58,82 bilhões, conforme a cotação atual) em receita também no ano passado, o que significa que o Brasil representa 41% dos negócios globais da companhia.
Não é à toa que a Mosaic é destaque no anuário Forbes Agro100 2025 como a grande líder do setor de Agroquímicas, Genética e Insumos. A edição mostra as 100 empresas e cooperativas que se destacaram no agronegócio brasileiro em 2024 que, juntas, faturaram R$ 1,89 trilhão. “É muito importante também sermos a melhor na opinião dos produtores rurais”, diz Monteiro.
Fertirrigação e biológicos
É por isso que a entrada da Mosaic nesse segmento passa a ser um marco na trajetória, segundo o maior executivo da companhia no país. “Estamos ampliando nosso portfólio com soluções que respondem às necessidades atuais do campo”, diz Monteiro.
A fertirrigação não vem sozinha. Está acompanhada por soluções biológicas que vêm sendo desenvolvidas pela empresa globalmente desde 2023, pelo seu novo braço tecnológico, a Mosaic Biosciences.
Para se ter uma ideia as vendas dos produtos deste segmento mais que dobraram nos nove primeiros meses de 2025 ante o mesmo período de 2024. E, até o fim deste ano, as vendas tendem a mais que dobrar, atingindo cerca de US$ 70 milhões (R$ 371,4 milhões, na cotação atual).
A primeira linha desta linha de produtos para a fertirrigação chegou justamente neste mês de novembro aos produtores rurais brasileiros. Esta mesma tecnologia da companhia já é realidade também para produtores na China e na Índia.
Poder da união de minerais e biológicos
Com a fertirrigação, a produção da lavoura ganha maior eficiência no uso da água e maior recuperação produtiva em culturas de alto valor. A Mosaic vislumbra os mercados de hortifrúti, o qual não tem muito acesso atualmente, além de mirar café, citros, cana-de-açúcar e grãos.
O pulo do gato, para o engenheiro agrônomo Gabriel Gimeno, diretor de vendas Brasil e Paraguai, é associar fertilizantes minerais com tecnologias biológicas (formulações a partir de algas, bactérias ou fungos). Essa união melhora o aproveitamento dos nutrientes minerais pela planta.
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O engenheiro agrônomo Gabriel Gimeno, diretor de vendas da Mosaic para o Brasil e Paraguai
“Aplicações pontuais podem render até 2 sacas [de 60 quilos] por hectare a mais na soja, quando usadas nos momentos críticos como florescimento”, diz Gimeno.
Segundo Gimeno, a agricultura brasileira chega a cada vez mais no teto da alta produtividade que vem sendo alcançada por avanços na genética das plantas, em técnicas adequadas de plantio e de manejo com a lavoura, cuidados com os ataques de pragas e doenças. O próximo passo é garantir que a plantação absorva o máximo dos nutrientes como o nitrogênio, o fósforo e o potássio, que formam a trio de minerais essenciais para uma lavoura, e reverta isso em alimentos por área colhida.
Riscos, sensibilidade e impacto econômico
Garantir o máximo aproveitamento deste insumo é justamente lidar com um dos itens mais caros para um produtor rural. Isso porque os fertilizantes são importados em grande parte.
Para se ter uma ideia, no ano passado, as entregas deste insumo a fazendeiros no país totalizou 45,62 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Deste volume, apenas 15,4%, 7,04 milhões de toneladas, foram produzidas nacionalmente, os 84,6% restantes vieram de fora (38,58 milhões de toneladas).
“Esse ano, estimamos que teremos aqui um mercado muito próximo ao que foi o ano passado, talvez com um pequeno crescimento”, diz Monteiro. “Mas esse crescimento é em função de quantidade, não em função de nutriente, porque estamos importando o produto com baixa concentração”.
Por ser um produto com baixa concentração de uso e grande parte importada, o produtor precisa ter atenção redobrada, isso porque este insumo tradicional para as lavouras representa um dos maiores custos na produção de soja, por exemplo, a lavoura número do Brasil.
Segundo a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (MS), na safra 2025/2026, os fertilizantes representam 39,83% das despesas com custeio da lavoura (R$ 2.400), exigindo 11,63 sacas de 60 quilos por hectare para cobrir esse insumo.
O custo total de produção por hectare foi estimado em R$ 6.100, um aumento de 1,9% em relação à safra anterior que foi de R$ 5.990 por hectare. Já os fertilizantes saltaram 24,1% em relação à safra 2024/2025. Por isso, quanto mais tecnologias o produtor tiver a seu favor, melhor será o aproveitamento, com ganhos além da produtividade.