O custo da próxima safra de milho e sorgo no Brasil está, hoje, condicionado a fatores que fogem do controle do produtor rural. A dependência de insumos importados e a instabilidade nas rotas comerciais internacionais tornaram a geopolítica um item obrigatório no planejamento agrícola. Esse gargalo logístico e diplomático será um dos eixos centrais do 4º Congresso Abramilho, marcado para 13 de maio, em Brasília.
Mesmo ocupando o posto de terceiro maior produtor mundial de milho, o Brasil ainda não resolveu sua vulnerabilidade básica: a importação de mais de 90% dos fertilizantes. O país também depende de mercados estrangeiros, especialmente da China, para o fornecimento de moléculas de defensivos e de parte do diesel que movimenta as máquinas no campo.
A dinâmica de preços no interior do Brasil passou a responder quase instantaneamente a conflitos e tensões em regiões distantes. Quando rotas de suprimentos são afetadas ou o preço do petróleo oscila devido a crises diplomáticas, o reflexo chega rapidamente à nota fiscal do agricultor, encarecendo o frete e os químicos essenciais para a lavoura.
Risco e estratégia
“A escolha desse tema foi feita porque vivemos um momento de geopolítica complexa. A instabilidade internacional afeta do preço do diesel à disponibilidade de defensivos agrícolas e fertilizantes”, pondera o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Glauber Silveira. Segundo ele, o setor busca caminhos para mitigar esses danos e entender o impacto de tratados, como o acordo entre Mercosul e União Europeia.
O debate técnico em Brasília contará com nomes do Ministério das Relações Exteriores e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre outros. A intenção é formular propostas que possam ser levadas ao Governo Federal para reduzir a exposição do agronegócio às crises externas.
“Nossa perspectiva é trazer luz ao tema. O que nós, produtores, podemos ou devemos fazer a curto, médio e longo prazos? Existem soluções que podemos buscar junto ao Governo, ou então iniciativas setoriais que podem nos ajudar?”, questiona Silveira. O evento ocorre das 8h às 14h, com mediação do jornalista Mauro Zafalon.
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