15/04/2026

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Falta de vontade política trava o agro, afirma presidente do Sindicato de Sinop

Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

O agronegócio em Mato Grosso enfrenta um período de forte insegurança financeira e operacional. Segundo Ilson José Redivo, presidente do Sindicato Rural de Sinop, a combinação de preços baixos das commodities com a alta nos custos de insumos e maquinários fez com que a conta do produtor parasse de fechar. O cenário compromete diretamente a capacidade de investimento nas propriedades no estado.

A disparidade econômica é visível no poder de compra do agricultor. Redivo aponta que, enquanto em anos anteriores eram necessárias 25 mil sacas de soja para adquirir determinada máquina, hoje o produtor precisa desembolsar 35 mil sacas pelo mesmo equipamento. Esse achatamento da renda é agravado por fatores externos, como conflitos geopolíticos que encarecem fertilizantes e combustíveis.

Somado ao desafio financeiro, o setor convive com o que o presidente classifica como “problemas eternos”: a falta de infraestrutura para o escoamento da produção e a insuficiência de armazéns. Atualmente, Mato Grosso possui capacidade para estocar pouco mais da metade de sua produção de grãos, o que torna o escoamento imediato uma questão de sobrevivência, mas que esbarra em fretes elevados.

Para o líder sindical, a estagnação de projetos vitais, como a Ferrogrão, reflete um cenário de abandono por parte do poder público. “O problema que nós temos no país é falta de vontade política. Enquanto você não tiver vontade política para resolver os gargalos que tem, você nunca vai resolver”, diz Redivo em entrevista ao Estúdio Rural.

Ilson Redivo presidente sindicato rural de sinop foto maruan bello canal rural mato grosso
Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

Gargalos estruturais e logística

A ausência de ferrovias penaliza o produtor que depende do transporte rodoviário. Redivo exemplifica que o frete de Sinop a Miritituba (PA) custa cerca de R$ 20 por saca, valor que poderia cair pela metade com o modal ferroviário. Para ele, a falta de uma direção clara do governo gera uma instabilidade que coloca em xeque a continuidade da produção em larga escala.

“É essa determinação do governo que nós precisamos, que o governo seja incisivo e nos mostre o caminho que ele quer que a gente siga. Se ele quer que a gente pare de produzir, vamos parar de produzir, por que não?”. Ele ressalta que produzir sem renda é inviável, especialmente para um setor que sustenta parte expressiva do PIB nacional e estadual.

O presidente do Sindicato reforça que é preciso uma postura ativa do governo para solucionar os entraves que travam a produção. Conforme ele, o setor agropecuário responde por um quarto do PIB brasileiro e mais da metade da economia mato-grossense, o que justificaria um apoio mais robusto e estratégico para garantir a segurança nacional através do armazenamento.

Tecnologia e racionalização de custos

Como alternativa para mitigar os custos, muitos produtores têm optado por racionalizar o uso de fertilizantes, aproveitando a reserva de solo construída ao longo de décadas. O dirigente explica que o pacote tecnológico permitiu saltar de uma produtividade média de 25 para 65 sacas por hectare em 50 anos, mas alerta que a tecnologia sozinha não resolve a falta de margem líquida.

A estratégia de “encolher” o investimento em fertilizantes é uma tentativa de se manter na atividade sem comprometer a qualidade fitossanitária da lavoura. Redivo pondera que itens como sementes de qualidade, fungicidas e inseticidas não podem ser negligenciados, sob o risco de inviabilizar a colheita. O produtor, portanto, vive o dilema de reduzir custos onde é tecnicamente possível.

Mesmo com o aumento escalonado da produtividade nas últimas décadas, o cenário financeiro atual é preocupante para o planejamento das próximas safras. O endividamento do produtor rural e a necessidade de renegociar linhas de crédito com juros acessíveis são pautas urgentes para que a ciranda financeira do campo não leve à insolvência de quem produz.

Ilson Redivo presidente sindicato rural de sinop foto maruan bello canal rural mato grosso
Foto: Maruan Bello/Canal Rural Mato Grosso

Norte Show como polo de informação

Nesse contexto de desafios, a realização da Norte Show, em Sinop, ganha importância estratégica para o setor produtivo. A feira, que ocorre de 21 a 24 de abril, é vista como um ambiente essencial para que o produtor encontre alternativas de negócio e se atualize sobre inovações tecnológicas e perspectivas geopolíticas.

“A finalidade dela é trazer informação, é trazer conhecimento, trazer novas ideias que são essas pessoas altamente capacitadas que vão passar para gente, que vão dar um direcionamento da nossa situação política, geopolítica, o que nós estamos enfrentando no momento”, destaca Redivo ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Para ele, o evento ajuda a projetar Sinop como a capital do Nortão e polo regional de serviços.

A organização da feira foca em uma grade de palestras diversificada, buscando sanar deficiências de gestão e apresentar novos equipamentos com tecnologia embarcada. A expectativa é atrair visitantes de mais de 30 municípios e até do sul do Pará, reforçando o papel do evento em aquecer a economia local e divulgar a cidade internacionalmente.

Norte Show Sinop foto assessoria
Foto: Assessoria Norte Show

Importância do setor na economia

O dirigente reforça a necessidade de a sociedade e o governo valorizarem a cadeia produtiva, lembrando que a balança comercial brasileira seria deficitária sem as exportações do campo. Além da produção primária, ele defende o avanço na industrialização local para agregar valor aos produtos de Mato Grosso.

“Tire o setor agropecuário da cadeia produtiva brasileira, o que que seria do Brasil? Quem mora nos grandes centros, reflita. A nossa balança comercial fica deficitária no primeiro ano se parar de exportar. Nós temos um papel preponderante, mas não estamos sendo valorizados por aquilo que somos”, conclui o presidente.

A reflexão proposta por Redivo foca no impacto social do agro, que gera empregos e renda em escala nacional. Para o representante de Sinop, o estado transformou-se em um celeiro mundial em cinco décadas e agora precisa de garantias políticas para continuar operando com sustentabilidade financeira e segurança para as próximas safras.

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