19/05/2026

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Em Tempos de Incerteza, Sobrevive Quem Planeja

Estamos prestes a completar a terceira década deste milênio e, enquanto o novo nos deixa perplexos com a revolução tecnológica que abrange da nano à macro instância de nossas vidas, o velho problema da guerra persiste e ganha força.

Para além da tragédia humanitária, os conflitos espalham incertezas em todo o mundo e repercutem a tal ponto que fazem o Oriente Médio ou o Leste Europeu parecerem vizinhos de porteira de uma fazenda no Cerrado brasileiro. Essa instabilidade afeta todos os setores das economias e, no agro, é especialmente danosa.

Desafios globais e a segurança alimentar

As guerras não são os únicos fatores de instabilidade do momento. Tensões geopolíticas, mudanças nas rotas comerciais, pressões inflacionárias e eventos climáticos extremos vêm redesenhando a lógica das cadeias globais de produção e abastecimento.

Para o agronegócio, essa contingência amplia, simultaneamente, a responsabilidade do setor na garantia da segurança alimentar e no fornecimento de matérias-primas essenciais para a economia global.

Em seu dia a dia, o agricultor já precisa lidar com dezenas de fatores, sendo que, sobre pelo menos metade deles, não possui qualquer controle. Ele fica à mercê do clima, do mercado, da diplomacia, da segurança jurídica (ou da falta dela), do surgimento de novas pragas e doenças e do suprimento de insumos, para citar apenas os elementos básicos.

A importância do planejamento estratégico

Quando o mundo entra em estado de alerta, o controle sobre os fatores que impactam o trabalho do produtor rural reduz-se ainda mais, e o planejamento — que deve ser uma constante em cada etapa do negócio — torna-se mais complexo. Mesmo assim, planejar é indispensável. É preciso traçar o máximo de cenários possíveis e estabelecer ações contingenciais para cada um deles.

Com um histórico de superação de crises, o algodão brasileiro é um excelente exemplo de como planejamento, estratégia e resiliência podem transformar adversidades em oportunidades. No Oeste da Bahia, o sucesso da cotonicultura foi construído a partir de decisões estruturadas, investimentos consistentes e, sobretudo, de uma visão coletiva de futuro.

Ao longo das últimas décadas, produtores, entidades e instituições trabalharam de forma coordenada para elevar padrões de produtividade, incorporar tecnologia e consolidar práticas sustentáveis.

O papel do associativismo e da reputação

Nesse processo, o associativismo desempenha um papel central. Ao reunir produtores em torno de objetivos comuns, ele fortalece a capacidade de articulação, amplia o acesso à informação e viabiliza soluções que, individualmente, seriam inalcançáveis. Trata-se de um modelo que potencializa a competitividade e cria uma base sólida para enfrentar cenários adversos.

Em tempos como os que testemunhamos, criar um “colchão de reputação” também é fundamental. Mas não basta parecer: é preciso ser, de fato, o que se aparenta. O mercado está mais atento a critérios de sustentabilidade, rastreabilidade e responsabilidade social. A reputação deixou de ser um atributo intangível para se tornar um ativo estratégico.

*Alessandra Zanotto Costa é produtora rural de algodão e soja do oeste baiano, sócia-diretora no Grupo Zanotto. Filha de gaúchos que migraram do Sul do país para a Bahia, iniciou para valer sua história no agro em 2005 e consolida uma gestão centrada na sustentabilidade. Se posiciona como voz ativa no fortalecimento da participação feminina na liderança do setor e integra o comitê Women in Cotton, da International Cotton Association (ICA). Atualmente, é presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e do Fundo de Desenvolvimento do Algodão na Bahia (Fundeagro).

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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