O setor de biocombustíveis em Mato Grosso planeja um novo salto logístico com a construção de um alcooduto de 2,1 mil quilômetros. O projeto, orçado em R$ 22 bilhões, pretende interligar o município de Sinop, no médio-norte do estado, ao polo de Paulínia, em São Paulo. A proposta foi detalhada durante a 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada em Cuiabá na última semana, como a principal aposta para sustentar a expansão da produção de etanol de milho.
Atualmente, Mato Grosso detém a liderança nacional do segmento, com uma fabricação de 5,6 bilhões de litros na safra 2024/2025 — o que representa 70% do total brasileiro. Com 17 usinas em operação, o estado enfrenta o desafio de escoar grandes volumes para os centros consumidores. O duto projetado teria capacidade para transportar 13 milhões de metros cúbicos, atendendo à demanda crescente que deve atingir 26,8 milhões de toneladas de milho processadas na safra 2026/27.
O ex-senador e CEO do Grupo MC, Cidinho Santos, aponta que a viabilização da obra conta com o interesse do governo federal para inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e atrai capital privado. De acordo com o empresário, o duto já nasceria com uma taxa de ocupação próxima de 70%, considerando que a produção atual da região gira em torno de 8 milhões de metros cúbicos.
Integração de modais
A estrutura dutoviária é vista como parte de um conjunto de melhorias que inclui a duplicação da BR-163 e a expansão das ferrovias. Para o setor, a diversificação das rotas de escoamento é fundamental para manter a viabilidade econômica do milho transformado em valor agregado, como o etanol e o DDGS (coproduto utilizado na nutrição animal).
“Estamos falando de um projeto que começa a ganhar forma agora e que ainda será muito discutido nos próximos meses. Esse alcooduto, somado às rodovias duplicadas e às ferrovias em construção, vai colocar Mato Grosso em outro nível de competitividade”, afirmou Cidinho Santos.
Além da rota para o Sudeste, especialistas defendem que o estado explore o Arco Norte para abastecer as regiões Norte e Nordeste. O diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz, ressaltou que o escoamento via Miritituba e Barcarena funciona de forma complementar ao projeto do duto. “Essa logística pelo Norte não concorre com o alcooduto, ela complementa. A ideia é ampliar os caminhos e alcançar regiões deficitárias em etanol”, disse.
O debate sobre a eficiência logística também passa pelas hidrovias. O ex-presidente do DNIT, Luiz Antonio Pagot, defende que a integração entre Santarém e o Porto do Itaqui pode baratear o custo final do produto. “Você pode levar o etanol até Santarém, colocar em balsas e distribuir a partir de um hub. É uma solução logística eficiente e com custo mais baixo”, explicou.
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