O preço do diesel saltou mais de 36% no último mês, atingindo a marca de US$ 5 (R$ 25,40, segundo a cotação atual) por galão — aproximadamente R$ 6,71 por litro — na segunda-feira (16).
O aumento do custo do combustível, que é vital para agricultores, empresas de logística, trabalhadores da construção civil e o setor varejista, pode significar, em breve, uma disparada nos preços de outros produtos para o consumidor final.
Fatos Principais
- O valor por galão de diesel alcançou US$ 5 (R$ 25,40), de acordo com a GasBuddy, sendo apenas a segunda vez na história dos Estados Unidos e a primeira desde 2022 que atinge esse patamar.
- O preço médio subiu para US$ 4,99 (R$ 25,35) nesta segunda-feira, segundo a AAA, uma alta de 7% em relação aos US$ 4,66 (R$ 23,67) de uma semana atrás e de 36,7% frente aos US$ 3,65 (R$ 18,54) de um mês atrás, antes do início dos ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã.
- A valorização do diesel, combustível primário no transporte, construção e agricultura, implica em despesas operacionais elevadas para grandes companhias, custos que podem ser repassados aos consumidores via aumentos em bens de varejo, alimentos, custos de construção e outras mercadorias.
- Matt McClain, analista de petróleo da GasBuddy, classificou a mudança como um “aumento extraordinariamente acentuado em um período muito curto” e alertou para um efeito dominó que impactará o preço de “absolutamente tudo”.
- A FedEx e a UPS, as maiores transportadoras dos EUA, já elevaram as taxas de sobrecarga de combustível e implementaram taxas temporárias para envios dos EUA ao Oriente Médio. O especialista do setor David Sullivan alerta para “mais volatilidade de preços e taxas de rotas específicas vinculadas ao conflito” no Irã.
- Os alimentos são os próximos itens com previsão de alta, visto que agricultores dependem do diesel para operar maquinário e transportar comida pelo país. Caminhões transportam 83% de todos os produtos agrícolas e 92% dos laticínios, frutas, vegetais e nozes nos EUA, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).
- Equipamentos de construção, como tratores, escavadeiras e caminhões basculantes, também utilizam diesel. Como a maioria dos materiais de construção é transportada por caminhões movidos a esse combustível, os preços de moradias, infraestrutura e reformas podem ser elevados.
Citação de destaque
“Os custos de todos os produtos vão subir”, afirmou o economista de energia Philip Verleger à Reuters.
Contexto Geral
Picos no custo do diesel já provocaram altas no varejo anteriormente. Quando o petróleo bruto atingiu cerca de US$ 147 (R$ 746,76) por barril em meados dos anos 2000, os preços globais de alimentos, taxas de frete, passagens aéreas e bens de consumo acompanharam a subida.
Os preços do trigo, milho e arroz dispararam, gerando revoltas por comida em dezenas de países e uma crise alimentar mundial que perdurou por cerca de dois anos. Transportadoras norte-americanas adicionaram altas sobretaxas de combustível, repassadas aos preços nas lojas, e diversas firmas de grande porte, como Arrow Trucking e Jevic Transportation, faliram.
Fenômeno semelhante ocorreu após a pandemia de Covid-19, agravado pela guerra na Ucrânia. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas alertou este mês que a escalada dos preços dos combustíveis impulsionada pela guerra no Oriente Médio pode empurrar mais pessoas “para a insegurança alimentar grave”.
Por que os preços do diesel subiram tanto mais que os da gasolina comum?
O diesel já apresentava uma oferta mais restrita que a gasolina antes do conflito com o Irã, em parte devido a um inverno rigoroso no Nordeste dos EUA, que elevou a demanda por óleo de aquecimento, explicou Tom Kloza, analista independente e conselheiro da Gulf Oil, à CNN.
Como o diesel e o óleo de aquecimento são destilados provenientes da mesma fração do petróleo bruto, eles competem pelo mesmo suprimento. O combustível de aviação pertence à mesma categoria, e especialistas também alertam para o encarecimento das passagens aéreas.
Número de Destaque: US$ 300 milhões (R$ 1,52 bilhão)
Esse é o valor adicional que os norte-americanos estão gastando diariamente com combustível em comparação a 30 dias atrás, segundo Patrick De Haan, da GasBuddy.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com