Nos últimos anos, a Chomps se tornou o snack de carne que mais cresce nos Estados Unidos — apesar de não conseguir acompanhar o forte apetite de seus consumidores. “Vivemos nesse cenário constante de limitação, em que só conseguimos atender a uma parte da demanda”, afirma Rashid Ali, cofundador e CEO da marca sediada em Chicago.
Mas isso ficou para trás. A Chomps agora está liberada para crescer. Este é o primeiro ano, segundo Ali, em que a empresa tem estrutura suficiente para produzir palitos de carne em volume capaz de atender aos cerca de 2 milhões vendidos diariamente.
Fundada em Naples, na Flórida, em 2012, a Chomps caminha para superar US$ 900 milhões (R$ 4,73 bilhões) em receita anual neste ano, segundo estimativas da Forbes — acima dos US$ 660 milhões (R$ 3,47 bilhões) registrados no ano passado —, com participação de 10% no mercado de snacks de carne.
Seus palitos — feitos com carne bovina de gado criado e terminado a pasto, carne de cervo e peru sem antibióticos — têm atraído consumidores em busca de proteína para consumo rápido, especialmente mulheres, que representam cerca de 70% da base de clientes. Os produtos já estão presentes em aproximadamente 50 mil pontos de venda, incluindo Walmart, Target, Costco, Kroger, Publix e H-E-B.
Segundo estimativas da Forbes, a Chomps vale mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,26 bilhões) — podendo ultrapassar esse valor caso atinja US$ 1 bilhão em receita anual. Ali, de 45 anos, e o cofundador Pete Maldonado, de 44, detêm o controle da companhia. Maldonado possui cerca de 35% (avaliados em pelo menos US$ 350 milhões — R$ 1,84 bilhão) e Ali cerca de 20% (US$ 200 milhões — R$ 1,05 bilhão).
Os fundadores afirmam que a empresa é lucrativa desde os primeiros 30 dias de operação, mas a rentabilidade é limitada pela parcela destinada aos fabricantes terceirizados, além da alta nos preços da carne e de outros insumos. A Forbes estima que o EBITDA da Chomps em 2025 tenha sido de cerca de US$ 50 milhões (R$ 263 milhões), com margem de aproximadamente 7%. A empresa não comentou seus números.
“O simples fato de a Chomps ter chegado onde está hoje — e ainda sabermos que só exploramos uma fração do seu potencial — é impressionante”, diz Maldonado, que deixou o cargo de co-CEO para assumir a presidência do conselho no ano passado. “Agora temos capacidade produtiva total e vamos descobrir até onde podemos chegar.”
Trajetória
Maldonado e Ali se conheceram por meio de amigos em comum da faculdade, que os apresentaram em uma festa de aniversário com tema de pôquer, em Chicago. Maldonado, personal trainer, tinha a ideia de criar uma startup de carne de gado a pasto, e ambos decidiram investir juntos, com aportes iniciais de US$ 3.250 (R$ 17.095) cada. A primeira versão do negócio foi uma alternativa de carne a pasto vendida por e-commerce, semelhante às caixas da Omaha Steaks. Batizada de Logic Meatlocker, surgiu no embalo da popularização do CrossFit, que levou muitos adeptos a adotarem dietas ricas em proteína.
“Todo grupo de amigos tinha um praticante de CrossFit, e você sempre recorria a ele para pedir conselho”, lembra Ali. “Era quase como um influenciador antes da era dos influenciadores.”
Após seis meses com vendas praticamente inexistentes, Maldonado decidiu pivotar o negócio para palitos de carne — principalmente porque enviar carne seca, em vez de produtos congelados, era mais barato e exigia menos capital. Isso permitiu que a empresa crescesse com recursos próprios e rapidamente se tornasse lucrativa. “Aprendemos a gerenciar caixa, estruturar o negócio corretamente e precificar bem”, afirma Ali.
Em um momento decisivo para o setor, surgiram os investidores Carter e Courtney Reum, que mais tarde fundariam a gestora de venture capital M13, em Santa Monica. Eles haviam investido na marca de jerky Krave e lucraram quando a Hershey adquiriu o negócio por US$ 240 milhões (R$ 1,26 bilhão) em 2015.
Maldonado entrou em contato com os Reum para apresentar a Chomps, e, no ano seguinte, os irmãos investiram mais de US$ 500 mil (R$ 2,63 milhões). “Achamos que poderíamos acelerar as vendas e o marketing”, afirma Courtney Reum. “Queríamos nos envolver porque acreditávamos no produto, na equipe e na categoria.”
Nos primeiros quatro anos, os produtos da Chomps eram vendidos apenas online, enquanto os fundadores mantinham seus empregos principais — Maldonado no mercado imobiliário comercial e Ali em consultoria e private equity. Quando os Reum investiram, o negócio paralelo já havia se tornado a principal atividade, após a empresa conquistar seu primeiro varejista: a Trader Joe’s. A Chomps encerrou 2016 com receita estimada acima de US$ 4 milhões (R$ 21 milhões). “Sempre priorizamos profundidade, não amplitude”, diz Ali.
Nos dois anos seguintes, o crescimento se concentrou na Trader Joe’s. Em 2018, a empresa expandiu para outras redes, como Albertsons, elevando a receita para cerca de US$ 20 milhões (R$ 105 milhões). Depois vieram Walmart, Meijer, Wegmans e Whole Foods.
“Isso nos permitiu colocar muito mais unidades dentro de cada casa”, afirma Ali. “E ampliou o público: deixou de ser um produto só para a mãe e passou a atender toda a família.” Segundo ele, isso não pressionou os preços unitários, graças ao foco em eficiência econômica.
Durante a pandemia, a Chomps prosperou e atingiu US$ 100 milhões (R$ 526 milhões) em receita anual. Enquanto isso, concorrentes enfrentavam dificuldades. A Krave perdeu força sob a Hershey e foi recomprada em 2020 por seu fundador, Jon Sebastiani, por meio da Sonoma Brands. Já a Stryve, que abriu capital via SPAC em 2021, entrou em forte declínio e hoje é negociada como penny stock. A Chomps, por sua vez, manteve a trajetória de crescimento. “Sabíamos que excesso de caixa mudaria nossa forma de pensar o negócio”, diz Ali.
Nesse contexto, Maldonado (então CEO) e Ali (COO) venderam uma participação minoritária para a Stride Consumer Partners por US$ 80 milhões (R$ 420,8 milhões), avaliando a empresa em US$ 300 milhões (R$ 1,58 bilhão).
“Ainda existem muitos produtos no mercado que não atendem a tantos critérios quanto a Chomps”, afirma Juan Marcos Hill, sócio da Stride. “É difícil estabelecer um limite para o crescimento deles.”
Apesar disso, a empresa enfrenta desafios. Sob a liderança dos dois executivos, que se tornaram co-CEOs em 2023, a Chomps captou dívida em 2023 e 2024 com a SG Stonegate Capital. Em 2025, obteve uma linha de crédito de US$ 100 milhões (R$ 526 milhões) com o Wells Fargo.
Grande parte desse capital é destinada à competição em uma das categorias mais disputadas da indústria alimentícia. Embora lidere entre as marcas emergentes — à frente da Archer, que tem receita estimada em US$ 300 milhões (R$ 1,58 bilhão) —, há dezenas de novas empresas disputando espaço nas prateleiras.
“Muitas dessas marcas surgem e desaparecem rapidamente”, diz Ali. “Podem ter um pico de crescimento e depois sumir. Não queremos que isso aconteça.”
Conquista
No ano passado, 81% do crescimento da Chomps veio de consumidores novos na categoria. “Isso é incomum”, afirma Ali. “As marcas tradicionais tinham um posicionamento muito masculino. A Chomps trouxe novos consumidores ao formato.”
“É isso que o varejo quer”, acrescenta. “Não alguém que apenas redistribua vendas, mas que expanda a categoria.”
Ainda assim, a empresa enfrenta pressão de marcas próprias de varejistas. Costco e Target passaram a produzir seus próprios palitos de carne, aumentando a concorrência. Já o jerky — vendido por empresas como a Jack Link’s, que fatura US$ 2 bilhões (R$ 10,52 bilhões) por ano, e pela Archer — é mais difícil de replicar.
Fontes indicam que a Chomps contratou bancos para avaliar opções de saída, embora a empresa negue buscar uma venda imediata. As alternativas incluem IPO ou aquisição. Um comprador precisaria pagar um valor elevado em um momento desafiador para o setor. A Conagra, por exemplo, dona da Slim Jim e da Fatty’s, viu suas ações caírem mais de 10% no último ano.
Além disso, qualquer potencial aquisição exigiria uma estratégia robusta de produção. A lucratividade da Chomps é impactada pelo acordo com a Western Smokehouse Partners, que inaugurou uma fábrica exclusiva em 2025. Outra unidade será aberta em 2027. No longo prazo, a Chomps ou um comprador pode optar por adquirir a fabricante ou investir em produção própria. A empresa não comentou possíveis negociações.
Enquanto isso, a companhia busca novas ocasiões de consumo. Um dos movimentos é a entrada no café da manhã. Após identificar que clientes se sentiam culpados por consumir o produto pela manhã, a Chomps lançou o sabor Savory Breakfast. O item será vendido na Target a partir de abril e também online.
“As pessoas já consomem de manhã, mas não se orgulham disso”, afirma Ali. “É leve, saboroso e atrativo. Isso abre um novo momento de consumo.”
A expansão para lojas de conveniência também está nos planos. Atualmente, a marca está presente em 12,5 mil postos de gasolina e pequenos varejistas, incluindo Wawa, Love’s e cerca de 3 mil lojas da 7-Eleven.
“Estamos avançando com cautela para entender bem esse canal”, diz Ali.
“Daqui a 10 anos, qualquer pessoa vai reconhecer e confiar na marca”, afirma Maldonado. “Não queremos ser apenas mais uma opção saudável. Queremos ser a melhor.”
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com