17/06/2026

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Como A MBRF Leva Sua Cadeia Produtiva Aos Gramados

“A gente estima que, se compararmos com a última Copa, podemos chegar a ter até 50% a mais de vendas.” A projeção feita por Luiz Franco, diretor de Marketing e Inovação da MBRF, numa entrevista exclusiva à Forbes Agro, ajuda a explicar por que a companhia decidiu associar uma de suas principais marcas à seleção brasileira até 2030.

Dona da Sadia e da Perdigão, a MBRF transformou a Copa do Mundo de 2026 em uma das principais apostas comerciais do ano. Em março, a Sadia voltou a integrar o grupo de patrocinadores oficiais das Seleções Brasileiras de Futebol e assumiu também o posto de fornecedora oficial de proteínas dos atletas.

A movimentação ocorre após um período de expansão da companhia. Em 2025, a MBRF registrou receita líquida recorde de R$ 163,96 bilhões, avanço de 11,9% sobre o ano anterior. A companhia em estava na lista Forbes Agro100 de 2025, ocupando a 2ª e 8ª posição, como Marfrig Global Foods e BRF, respectivamente.

A criação da MBRF unificou sob uma mesma estrutura corporativa os negócios da BRF e da Marfrig, reunindo operações de bovinos, aves e suínos, produzindo cerca de 8,2 milhões de toneladas de alimentos ao ano.

Divulgação/MBRFLuiz Franco, diretor de Marketing e Inovação da MBRF

Além das seleções brasileiras de futebol masculina e feminina, a companhia patrocina um total de 20 equipes, incluindo futsal e futebol de areia, como fornecedora oficial de proteínas.

“E o que é ser fornecedora oficial de proteínas? É servir a essas 20 seleções o ano inteiro. Isso envolve, logicamente, questões nutricionais, questões muito bacanas de desenvolver as coisas junto com o chefs e nutricionistas. Calculamos que, no período todo de ciclo de patrocínio, dê mais de 100 toneladas de produtos.”

Na onda do churrasco e snacks para a Copa

Flavia Novais/Getty ImagesChurrasco típico brasileiro, com pão de alho, picanha, linguiça, vinagrete e farofa

Para a companhia, a Copa representa mais do que exposição de marca. O torneio funciona como uma plataforma de aceleração de consumo para categorias diretamente ligadas aos hábitos dos torcedores, como churrasco, embutidos, frios, snacks e refeições compartilhadas.

“O carrinho do brasileiro aumenta 8,3% em períodos de Copa. Mas quando você olha para categorias específicas que são ligadas à Copa do Mundo, essa porcentagem aumenta muito”, afirmou Franco.

Os dados ajudam a dimensionar a oportunidade. Segundo levantamentos da Scanntech citados pela companhia, o fluxo de consumidores cresce 8,3% na véspera das partidas, enquanto o ticket médio avança 69% nas horas que antecedem os jogos.

Entre os produtos mais associados ao consumo durante a competição, cortes destinados ao churrasco registram crescimento relevante nas vendas.

A experiência da Copa do Catar, em 2022, reforça a estratégia adotada pela companhia para 2026. Na véspera e no dia da partida entre Brasil e Camarões, a venda de linguiça defumada aumentou 250%, enquanto o salame triplicou de volume, segundo o executivo da MBRF. A linguiça para churrasco dobrou as vendas no mesmo período.

A expectativa agora é ampliar esse desempenho. Segundo Franco, a projeção de crescimento leva em conta não apenas a maior duração do torneio, mas também a evolução operacional da empresa desde a última edição.

“Estamos falando de uma Copa do Mundo que vai ter 10 dias a mais do que a última. Estamos falando de uma MBRF que cresceu versus a MBRF da última Copa, com ganho de share, ganho de giro e ganho de eficiência”, afirmou o executivo.

Uma cadeia que começa no campo e chega à seleção

Divulgação/MBRFVista aérea de uma das unidades fabris da MBRF

Ao associar a Sadia à seleção brasileira, a MBRF leva para os gramados uma cadeia produtiva formada por cerca de 9 mil produtores integrados de aves e suínos, além de centenas de profissionais que atuam no acompanhamento técnico das granjas.

O sistema de integração conecta produtores rurais e indústria. A companhia fornece genética, alimentação, assistência técnica e protocolos produtivos, enquanto os produtores parceiros realizam o manejo dos animais.

Essa estrutura abastece uma ampla rede industrial distribuída principalmente pelas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, envolvendo grande parte de suas 37 unidades industriais. É essa estrutura que precisa ser preparada com meses de antecedência para atender ao aumento esperado da demanda durante a Copa.

“Pelo tamanho do negócio, acaba envolvendo quase todas as nossas unidades. Para o produto acabado estar na ponta na Copa do Mundo, ele precisa ter sido pensado muito lá atrás”, afirmou Franco.

Copa cria uma nova sazonalidade para o setor

Divulgação/MBRFEmpanados de frango da MBRF, especiais para a Copa

Outro fator que fortalece a aposta da companhia está no calendário da competição.

Diferentemente da Copa do Catar, que foi disputada entre novembro e dezembro, o torneio de 2026 ocorre durante o inverno brasileiro. Para a MBRF, a mudança altera o padrão tradicional de consumo e cria uma demanda adicional para categorias ligadas ao churrasco e ao compartilhamento de refeições.

“Quando você traz uma Copa do Mundo para o inverno brasileiro, você está trazendo uma temporada de churrasco que não era tão forte assim para os meses de junho e julho”, afirmou Franco. “Isso é altamente positivo para uma companhia como a nossa que é multiproteínas.”

A estratégia da empresa combina o patrocínio esportivo com ações comerciais voltadas ao varejo. A Sadia colocou no mercado embalagens especiais da seleção brasileira em 21 produtos considerados estratégicos para o portfólio, além de lançar novos itens direcionados aos momentos de consumo associados ao futebol.

Para a MBRF, o retorno esperado vai além do crescimento de vendas no curto prazo. A companhia vê o futebol como uma plataforma de conexão com consumidores em um período que historicamente amplia o consumo de alimentos ligados aos momentos de convivência e compartilhamento.

“Para companhias como a MBRF, que têm um portfólio muito ligado a esse tipo de evento, a assistir jogo, é uma ocasião muito especial. Seja no sentido do negócio ou seja na parte de branding”, afirmou Franco. “De quatro em quatro anos, o Brasil pára para ver os jogos da seleção.”

E a empresa, após o torneio, já se prepara para atender Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que ocorrerá no Brasil entre os dias 24 de junho e 25 de julho.

“Acho que um prenúncio de que esse Campeonato Mundial Feminino também vai ser muito interessante foram os dois últimos amistosos, um em São Paulo e outro em Fortaleza, em que o público foi altíssimo, os jogos foram superemocionantes e a Sadia esteve lá também com a seleção feminina.”

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