O bem-estar animal consolidou-se como um pilar de rentabilidade na avicultura e na suinocultura brasileira em 2026. Um novo relatório divulgado pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (Cobea) demonstra que as granjas que adotam práticas mais responsáveis já colhem resultados superiores em eficiência zootécnica.
O estudo funciona como um diagnóstico da evolução do setor, provando que o manejo humanizado impacta diretamente na redução da mortalidade e na melhoria da conversão alimentar.
Para a entidade, o diagnóstico serve para orientar produtores e empresas sobre como alinhar a produção às rigorosas demandas internacionais.
Segundo a diretora-executiva da Cobea, Elisa Tjarnstrom, o documento destaca que, embora o Brasil possua realidades tecnológicas distintas entre as regiões por conta do tamanho de seu território, o compartilhamento de boas práticas tem acelerado a modernização do campo, transformando a sustentabilidade em um diferencial competitivo.
A executiva pontua que os setores de aves e suínos são os protagonistas dessa transformação. O relatório aponta que o investimento em ambientes climatizados e a redução do estresse animal não trazem apenas benefícios éticos, mas ganhos financeiros reais. Isso porque granjas que priorizam a sanidade e o conforto térmico registram indicadores de desempenho significativamente melhores.
Na suinocultura, o destaque do relatório foi a transição concluída pela Seara para sistemas de gestação coletiva (livres de gaiolas). A mudança, realizada sem comprometer a rentabilidade, serve como um marco para o setor, demonstrando que grandes escalas de produção podem se adaptar com sucesso a novos modelos estruturais e de treinamento de equipes.
Relatório traz recomendações para o futuro
O relatório da Cobea traz recomendações específicas para os próximos anos, baseadas em padrões da Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa).
Na avicultura de postura, a orientação é a eliminação de práticas como a muda forçada e a expansão de sistemas cage-free (livre de gaiolas). Já na avicultura de corte, o foco deve ser o enriquecimento ambiental e o monitoramento digital, ferramentas que auxiliam na gestão precisa dos indicadores produtivos e na rastreabilidade.
Além das melhorias genéticas, a publicação reforça que o produtor deve investir em auditorias e sistemas de transparência.
Elisa reforça que, como o consumidor global busca saber a origem e a forma como o alimento foi produzido, a rastreabilidade tornou-se uma estratégia comercial indispensável para acessar mercados de alto valor agregado, onde o compromisso com o bem-estar animal é moeda de troca.
*Sob supervisão de Victor Faverin
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