A reta final da colheita da primeira safra de milho no Paraná já revela um movimento claro de transformação no campo. Em meio às máquinas em operação, novas tecnologias começam a ganhar espaço e apontam para um novo patamar de eficiência na produção.
Na Fazenda Novorá, em Ventania, região conhecida como Campos Gerais, o milho segue como peça-chave dentro do sistema produtivo, especialmente pela sua função estratégica na rotação de culturas. O gerente de produção, André Flügel, destaca que o cereal vai além de uma cultura complementar e tem peso direto na rentabilidade da propriedade.
“Sem dúvida, o milho é uma das culturas, depois da soja, que tem um peso muito grande, porque ele entra na rotação de cultura”, afirma, ao ressaltar que o plantio antecipado permite encaixar outras culturas na sequência.
Ao longo do ano, a fazenda cultiva cerca de mil hectares de milho, sendo 700 hectares na safra de verão. Mesmo com um início de ciclo mais frio, a produtividade deve fechar dentro do esperado para a região. Flügel relata que as condições climáticas acabaram equilibrando o cenário. “Os primeiros plantios sentiram um pouco, mas no final compensou. Teve uma chuva boa”, diz. A expectativa é encerrar a safra com produtividade entre 13 mil e 14 mil quilos por hectare.
Esse desempenho é resultado de um conjunto de decisões que começam antes mesmo do plantio. O manejo envolve desde a escolha de híbridos até o controle rigoroso de pragas, doenças e plantas daninhas. Flügel resume que não há solução isolada: “É um manejo como um todo, não é tão simples”, pontua ao Especial Mais Milho, ao mencionar o uso de áreas de teste dentro da propriedade para validar materiais e estratégias ano após ano.

Eficiência começa no manejo e avança com a tecnologia
A busca por rentabilidade, conforme o produtor, passa diretamente pela capacidade de aproveitar melhor as janelas de cultivo. Ele observa que o objetivo é otimizar o sistema produtivo como um todo. “O produtor tem que pensar em rentabilidade, que é plantar um milho com ciclo curto, colher bem e ainda plantar um feijão”, afirma.
Nesse cenário, a tecnologia entra como aliada decisiva, principalmente quando as condições fogem do ideal. Flügel observa que, em momentos de pressão por tempo, como na antecipação para entrada de outra cultura, a exigência sobre as máquinas aumenta. Por isso, conforme ele, o campo precisa de equipamentos cada vez mais inteligentes.
“A gente precisa de máquinas que nos entreguem, que se ajustem automaticamente, que quebrem o mínimo possível e entregue qualidade dentro do nosso silo”.

Automação marca nova fase da colheita
É justamente essa demanda que impulsiona uma nova geração de soluções no campo. Durante a colheita na fazenda, produtores acompanharam de perto o lançamento de uma plataforma com automações inéditas voltadas à cultura do milho, operando em conjunto com colheitadeiras como a S7900 equipada com a plataforma CR25 e também a X9 em operação no campo.
A gerente global de marketing da John Deere, Greta Griffante, ressalta que a proposta é elevar o nível de eficiência das operações. “A experiência de colheita do milho da John Deere é um marco do lançamento da nossa nova plataforma de milho”, afirma.
Segundo ela, o foco está em tecnologias que operam de forma autônoma, reduzindo a dependência de ajustes manuais. “Nossas máquinas estão com tecnologias de automação exclusivas do mercado”.
Na prática, a colheitadeira passa a reagir sozinha às condições do campo. A especialista em marketing tático da John Deere, Tatiane Cravo, detalha que a automação começa pela velocidade da operação. “Ela traz ali uma tecnologia exclusiva do mercado que ajusta automaticamente a velocidade da colheitadeira”, explica, ao destacar que o sistema utiliza câmeras e imagens para antecipar decisões sem intervenção do operador.
O avanço chega também à plataforma de colheita, que passa a trabalhar de forma integrada com a máquina. Tatiane pontua que o equipamento se adapta automaticamente às variações da lavoura. “Essa automação faz ali a regulagem de acordo com a variabilidade do diâmetro dos talos automaticamente”, diz ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

Os ganhos aparecem no desempenho diário da operação. Conforme ela, a tecnologia amplia a área colhida e reduz custos. “A gente consegue até 20% a mais de hectares colhidos no dia com 4.5 de economia de combustível”, afirma. Já a nova plataforma pode entregar “até 12% a mais de hectares colhidos no dia” e “até três vezes menos perdas”.
Conectividade leva a lavoura para dentro do escritório
Além da automação, a conectividade tem ampliado o controle sobre as operações. Hoje, o produtor já não precisa estar no campo para acompanhar o desempenho das máquinas.
O consultor de soluções da MacPonta Agro, Eduardo Nusda, destaca que o monitoramento acontece em tempo real, direto do celular ou do computador. “Ele não precisa mais estar no campo para ver se o serviço está sendo bem executado”, afirma à reportagem. Conforme ele, é possível acompanhar desde a velocidade até o consumo de combustível e o tempo de máquina parada.
Essa integração também permite antecipar problemas e reduzir prejuízos. Nusda ressalta que alertas são enviados automaticamente para as equipes. “Tudo o que acontece com as máquinas nós mandamos lá: ‘Ó, está acontecendo um alerta’”, diz, ao reforçar a importância do suporte próximo ao produtor.

Tecnologia acessível e foco em resultado
Mesmo com alto nível de inovação, a tecnologia não está restrita a grandes propriedades. O portfólio atual permite atender diferentes perfis de produtores, com soluções adaptadas a cada realidade.
“Hoje a gente pode afirmar que nós atendemos todos os perfis de clientes”, afirma o gerente de território da John Deere, Cristiano Fernandes. De acordo com ele, há opções que vão desde áreas menores até grandes operações, ampliando o acesso às novas tecnologias.
Para o diretor-executivo da MacPonta Agro, Alyson Gondaski, o avanço tecnológico está diretamente ligado ao aumento da eficiência no campo. Ele observa que a automação já mudou a forma de operar as máquinas. “A máquina vai fazer o ajuste da velocidade, vai fazer o ajuste da rotação […] e vai garantir assim que tenha menos perdas no campo”, afirma.
Ao avaliar o cenário, Gondaski reforça que o investimento em tecnologia precisa vir acompanhado de capacitação. E deixa um recado ao produtor: “Continue avançando na tecnologia, nas capacitações da equipe de campo […] porque realmente a agricultura no Brasil evoluiu e ela já é a melhor do mundo”.

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