21/08/2026

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Barão do Tráfico, Leonardo Mendonça, morre em Campo Grande

Leonardo Dias Mendonça, de 63 anos, conhecido como “Barão do Tráfico” em Goiás e apontado como ex-aliado de Fernandinho Beira-Mar, morreu na tarde desta quinta-feira (20), em Campo Grande (MS). Ele estava internado em estado grave na Santa Casa desde a última segunda-feira (17), quando passou mal dentro da Penitenciária Federal de Campo Grande, onde cumpria pena.

A morte encefálica foi constatada após a piora do quadro de saúde. Segundo a defesa, Leonardo vinha apresentando queixas relacionadas ao estado de saúde desde a semana anterior e precisou ser encaminhado para atendimento médico após passar mal no interior da unidade prisional. A causa da morte ainda não foi divulgada oficialmente.

“Foi declarada a morte encefálica dele, porém, desde então, enfrentamos muitos obstáculos com o hospital em que ele estava internado desde segunda-feira. Como não haviam emitido a declaração de óbito ainda, um funcionário do hospital me informou, e também a família, de que havia suspeita de envenenamento”, explicou a advogada Ana Cláudia Alves.

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A família esteve no hospital e acompanhou a evolução do quadro. Depois da constatação da morte encefálica, os familiares autorizaram o desligamento dos aparelhos. A defesa agora aguarda as providências necessárias para a liberação do corpo e o traslado para Goiás, onde Leonardo mantinha residência e tinha vínculos familiares.

O corpo deverá ser liberado após a conclusão dos procedimentos periciais determinados pela Justiça. A defesa informou que espera realizar o traslado para Goiás assim que houver autorização das autoridades.

Leonardo Dias Mendonça cumpria pena por tráfico de drogas em Campo Grande (Foto: Reprodução)

Morte será investigada

As circunstâncias da morte também deverão ser apuradas. De acordo com a defesa, o Juízo Corregedor da Penitenciária Federal de Campo Grande determinou a realização de exame necroscópico para esclarecer a causa da morte, incluindo exames toxicológicos e histopatológicos.

Também foi determinada uma inspeção extraordinária na penitenciária para verificar as circunstâncias do óbito e o atendimento médico prestado a Leonardo. A decisão prevê ainda a preservação integral das imagens do circuito interno de monitoramento da unidade no período considerado relevante para a investigação.

A defesa afirmou que pretende acompanhar os procedimentos para garantir uma apuração técnica e independente sobre a morte de Leonardo, que estava sob custódia do Estado.

Quem era o “Barão do Tráfico”

Leonardo Dias Mendonça ganhou notoriedade no início dos anos 2000, quando era apontado pelas autoridades como um dos principais nomes do tráfico internacional de drogas na América Latina. Ele chegou a integrar a lista de procurados da Interpol e foi procurado por autoridades do Brasil, Estados Unidos, Holanda e Colômbia.

Segundo investigações da Polícia Federal, Leonardo atuava na obtenção e distribuição internacional de cocaína e mantinha negócios utilizados, conforme as apurações, para ocultar recursos provenientes do tráfico. Entre os bens apontados nas investigações estavam terras e gado.

O histórico criminal atribuído a Leonardo começou a se consolidar no fim da década de 1990. Ele foi condenado por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, falsidade ideológica e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.

Mesmo durante períodos em que esteve preso, investigações apontaram que Leonardo continuava exercendo influência sobre organizações ligadas ao tráfico internacional. Uma das apurações resultou no desmantelamento de um grupo criminoso que, segundo o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, tinha dezenas de integrantes.

Em 2018, Leonardo conseguiu progressão para o regime semiaberto e passou a cumprir a pena em Aparecida de Goiânia, utilizando tornozeleira eletrônica. No ano seguinte, porém, voltou a ser preso durante uma operação da Polícia Federal que investigava o transporte internacional de cocaína.

Na ocasião, a investigação apontou que a organização utilizava aeronaves para transportar drogas e estruturas em Goiás para receber os carregamentos. Leonardo foi novamente levado ao sistema prisional e, em novembro de 2023, transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande, onde permaneceu até passar mal e ser encaminhado à Santa Casa.

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