05/07/2026

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Quem São os 10 Interessados em Ficar com os Ativos da Ex-potência Argentina Sancor

A falência da cooperativa argentina ex-SanCor abriu uma etapa decisiva para o futuro de seus ativos. Dez empresas compraram o edital com as bases e condições para disputar a aquisição dos bens da histórica cooperativa, de acordo com as informações apresentadas no processo pelo síndico, Ignacio Martín Pacheco Huber, e pela coadministradora Lucila I. Prono. A SanCor foi uma das marcas de laticínios mais importantes da Argentina.

A lista de interessados inclui seguradoras, grupos de laticínios, investidores financeiros e empresas regionais. Entre os que adquiriram o edital estão SanCor Seguros, PDA Punta del Agua, Milkaut SA, L3N SA/Adecoagro, Jewell Especialidades SA/Ceibos Group, Finanzas y Gestión SA, Fidulac, presidida por Gustavo Scaglione, Failar SA/Tarantela, Elcor/La Tonadita e Alimentos Fransro SRL.

O relatório foi encaminhado ao juiz Marcelo Gelcich, titular do Juizado de Primeira Instância Distrital nº 5 em Matéria Cível e Comercial. No documento, Pacheco Huber e Prono destacaram que “trata-se de uma resposta do mercado que supera amplamente as expectativas”, com interesse de perfis bastante distintos da indústria e do mercado financeiro.

Entre os grupos industriais, a Milkaut aparece como um dos nomes de maior relevância por sua escala de produção, suas operações na província de Santa Fé e seu perfil exportador. Também figura a L3N SA, vinculada à Adecoagro, um grupo agroindustrial listado na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e com presença na região pampeana.

A diversidade de perfis foi um dos aspectos mais destacados pela sindicatura e pela coadministração. No documento apresentado ao juiz, os profissionais ressaltaram que o interesse reúne “operadores de laticínios de primeira linha com presença nacional e internacional, investidores financeiros com capacidade para estruturar operações complexas e atores regionais com profundo conhecimento do setor e do território”.

O processo abre uma etapa fundamental para os credores e para as localidades que dependeram durante anos da atividade da SanCor. A eventual reativação das fábricas por novos operadores poderá recuperar a capacidade de recebimento de leite cru, os empregos diretos e indiretos, a rede de fornecedores e as relações comerciais afetadas após a crise da cooperativa.

A crise da SanCor entrou na esfera judicial em 14 de fevereiro de 2025, quando foi aberto o processo de recuperação judicial preventiva da cooperativa no Juizado Cível e Comercial da 4ª Vara de Rafaela. A empresa, com sede em Sunchales, província de Santa Fé, chegou a essa situação após entrar em estado de insolvência. A decisão judicial teve como objetivo organizar o passivo, manter as atividades e preservar os postos de trabalho enquanto eram conduzidas negociações com os credores.

O processo mostrou rapidamente a dimensão da deterioração. A sentença de falência registrou 1.519 pedidos de verificação de créditos e reconheceu um passivo composto por dívidas comerciais, financeiras, fiscais e trabalhistas. Também detalhou créditos de fundos internacionais superiores a US$ 86 milhões (cerca de R$ 473 milhões na cotação atual), dívidas com a ARCA, compromissos com trabalhadores e passivos posteriores ao processo de recuperação judicial. No fim de janeiro de 2026, a empresa tinha 914 funcionários e suas seis fábricas operavam muito abaixo de sua capacidade.

O desfecho ocorreu em 22 de abril de 2026, quando o juiz Marcelo Gelcich decretou a falência da SanCor Cooperativas Unidas Limitada. A decisão determinou a continuidade temporária das operações e abriu caminho para a venda dos ativos. Posteriormente, a Justiça aprovou o edital da licitação e estabeleceu uma oferta mínima conjunta de US$ 52,1 milhões (cerca de R$ 286,6 milhões na cotação atual) para as fábricas industriais e os ativos intangíveis. O cronograma prevê que as propostas sejam apresentadas até as 9h da manhã do próximo dia 20 de julho e que, uma hora depois, o juízo realize o ato formal de abertura dos envelopes.

A SanCor chegou a processar mais de 3 milhões de litros de leite por dia, mas, em meio à crise e ao processo posterior de reestruturação, perdeu relevância. Das 14 fábricas industriais que possuía, permaneceu com cinco. Até o fim de 2024, processava menos de 500 mil litros de leite por dia.

No momento da falência, a cooperativa contava com seis unidades de negócios: creme de leite, doce de leite, leite, fórmulas infantis, manteiga e queijos. Esta última era a mais importante, concentrando a maior quantidade de produtos e marcas da cooperativa.

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