27/05/2026

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Estudo encontra microplástico em 93,6% de peixes analisados no litoral do Paraná

Um estudo do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) identificou microplásticos no trato digestivo de 93,6% dos peixes analisados em feiras e mercados do litoral do Paraná. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (27) e se baseiam em 47 indivíduos examinados, dos quais 44 apresentaram partículas menores que 5 milímetros. O levantamento também encontrou fragmentos em aves com contato com o mar.

Segundo a oceanógrafa Fernanda Possatto, vinculada ao estudo desenvolvido na Associação Mar Brasil, a maior contaminação foi observada em peixes demersais, espécies que vivem em contato mais direto com o fundo do mar. Os microplásticos são formados pela fragmentação de resíduos maiores, como embalagens, garrafas, pneus, tecidos e tintas, e podem ser transportados por correntes, ventos e marés.

A pesquisadora afirmou que os resultados não indicam, até o momento, risco direto à saúde alimentar humana, porque a análise foi feita no trato digestivo, e não no músculo, parte normalmente consumida. Ela ressaltou, no entanto, que os dados apontam a necessidade de ampliar as pesquisas para verificar se compostos associados a esses fragmentos podem atingir outros tecidos dos peixes.

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Em aves, o Rebimar analisou material regurgitado por gaivotas e corujas-buraqueiras e encontrou microplásticos em 69% das amostras. O estudo indica que a presença dos fragmentos ocorre tanto em áreas com intensa atividade humana, como o entorno do Porto de Paranaguá, quanto em áreas preservadas, o que sugere dispersão ambiental ampla.

Para a cadeia do pescado, o levantamento adiciona um dado técnico relevante sobre a qualidade ambiental das zonas costeiras e sobre a necessidade de monitoramento contínuo. Ainda faltam informações sobre limites de referência para água, fauna e eventual transferência de contaminantes para partes comestíveis, o que impede conclusões mais amplas sobre efeitos econômicos ou sanitários no mercado.

O programa também monitora tartarugas-verdes com apoio da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Desde 2014, foram realizadas 435 capturas de 313 indivíduos, e 80% das tartarugas encontradas mortas no litoral paranaense tinham lixo no trato digestivo, segundo os pesquisadores.

Os resultados reforçam a necessidade de acompanhamento técnico sobre contaminação por microplásticos em ambientes costeiros, especialmente em espécies ligadas ao consumo e à conservação marinha. Até o momento, os dados disponíveis indicam um problema ambiental disseminado, mas ainda não permitem estabelecer parâmetros conclusivos sobre efeitos no alimento consumido pela população.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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