
O Brasil chegou a 37,5 milhões de registros de ocorrências de espécies até dezembro de 2025, alta de 65,49% em relação a 2022, segundo a Avaliação dos Dados sobre a Biodiversidade Brasileira – 2025, divulgada nesta terça-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo usa informações do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) e analisou nove grandes grupos taxonômicos no país.
Os maiores volumes absolutos de registros em 2025 foram observados em aves, com 19.011.519 ocorrências, plantas vasculares, com 11.157.476, e artrópodes, com 3.694.793. Já os maiores avanços frente a 2022 ocorreram em fungos, com aumento de 176,6%, seguidos por mamíferos, com 155%, e peixes ósseos, com 139,9%.
A publicação também aponta melhora na qualidade dos dados. Em 2025, 34,1% dos registros foram classificados como “Nível 1”, ante 32,74% em 2022. As aves tiveram o melhor desempenho, com cerca de metade das ocorrências na categoria de maior completude. Os répteis avançaram de 11% para 24%. Apesar disso, a ausência de coordenadas geográficas ainda afeta cerca de 9,45 milhões de registros, além de persistirem redundâncias e falhas na identificação taxonômica.
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Segundo Leonardo Bergamini, gerente de Meio Ambiente e Geografia do IBGE, a avaliação sistemática dos dados fornece subsídios para políticas públicas, planejamento territorial e conservação de serviços ecossistêmicos. O estudo mostra ainda que iniciativas de ciência cidadã responderam por 49,83% dos registros totais e por 93,84% das ocorrências de aves.
A desigualdade regional permanece. As áreas com maior nível de conhecimento seguem concentradas no Sudeste e no litoral, enquanto partes do Norte, especialmente Pará e Amazonas, mantêm lacunas relevantes. Em 2025, 376 municípios tinham menos de dez registros e 43 não apresentavam nenhuma ocorrência na base analisada. Poconé (MT) liderou em número de registros, com 897.113.
Para o setor agropecuário, a ampliação dessa base técnica pode apoiar zoneamento, planejamento ambiental, conservação de habitats e ações de adaptação climática em áreas rurais. O levantamento, porém, indica que o avanço dos dados ainda ocorre de forma mais intensa em regiões já conhecidas, o que limita diagnósticos mais homogêneos no território.
O IBGE informa que parte dos resultados está disponível no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), com consultas por município e unidade da federação. A publicação indica avanço na digitalização e no acesso às informações, mas aponta que a redução das lacunas geográficas e o aumento da completude dos registros seguem como condicionantes para análises mais precisas sobre biodiversidade, uso do território e formulação de políticas públicas.
Fonte: agenciadenoticias.ibge.gov.br
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