05/05/2026

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Como o Choque nos Fertilizantes Tende a Se Refletir na Inflação nos Próximos Meses

A previsão do Banco Mundial é que os preços dos fertilizantes aumentem 31% neste ano, impulsionados pela alta de 60% na ureia, o fertilizante nitrogenado sólido mais utilizado pelo agronegócio, produzido a partir da conversão do gás natural em amônia e dióxido de carbono. Como o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país, a pressão inflacionária tende a ser relevante e tem efeito direto sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Relatório produzido pela Lev Intelligence mostra que o impacto da disparada dos preços dos fertilizantes na inflação acontece em duas etapas. A primeira aparece nos custos de produção no campo e nos preços no atacado. Qualquer alta no exterior ou no câmbio eleva rapidamente o custo de produção de culturas como milho, soja e trigo. Esse movimento aparece no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) calculado pela FGV, em até um mês.

A segunda etapa demora mais a aparecer, mas é mais forte do ponto de vista macroeconômico, segundo o estudo. É quando esse aumento chega ao consumidor, espalhado pelos alimentos ao longo da cadeia. A alta atinge inicialmente grãos e hortifruti e, na sequência, encarece proteínas como carne, leite e ovos, por conta da ração mais cara.

Não é a primeira vez que esse choque acontece. Entre 2021 e 2022, por exemplo, a ureia chegou a subir mais de 100% em um ano, com efeito direto sobre os preços agrícolas.

Inflação que se constrói ao longo do tempo

O impacto no atacado ocorre em até um mês. A produção agrícola sente o efeito entre três e seis meses. Já os alimentos começam a subir entre dois e quatro meses no caso de itens in natura e entre quatro e nove meses no caso das proteínas.

Os cálculos do relatório indicam que, em um cenário de alta de 20% nos fertilizantes, o custo agrícola sobe cerca de 6%, considerando uma elasticidade entre 0,25 e 0,35 ponto percentual. Esse aumento se traduz em aproximadamente 3% de alta nos preços de alimentos.

Como a alimentação no domicílio tem peso próximo de 17% no IPCA, o impacto final pode chegar a cerca de 0,5 ponto percentual no índice cheio.

Esse efeito não ocorre de uma só vez. Cerca de 0,20 a 0,25 pontos percentuais vêm do impacto inicial em grãos e hortifruti. Outros 0,25 a 0,30 ponto percentual aparecem depois, com a alta de proteínas e alimentos processados.

Em cenários mais extremos, combinando câmbio, geopolítica e clima, esse impacto pode superar 0,80 ponto percentual.

Impacto na cautela do Copom

O repasse não é simétrico. Quando os fertilizantes sobem, os preços avançam rapidamente. Quando caem, o alívio é mais lento e parcial. Essa conclusão vai na linha do que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) tem enfatizado em seus comunicados, diz à Forbes Brasil Jason Vieira, economista-chefe da Lev. Na semana passada, o comitê promoveu o segundo corte de juros do ano, levou a Selic, a taxa básica de juros, de 14,75% a 14,50%, em linha com o esperado pelo mercado.

“O problema não reside no choque inicial de preços, mas na persistência, em especial nas proteínas.” Na decisão de cortar 0,25 ponto percentual na semana passada, esse raciocínio, ainda que indireto, foi relevante, explica Vieira. “O Copom não vai reagir ao custo mais alto do fertilizante em si, mas ao risco de difusão na cadeia, dado o histórico disso ocorrer com frequência, para cima ou para baixo.”

A inflação já mostra resistência, afirma o economista, ao citar a resiliência do núcleo. “Qualquer vetor adicional ao cenário tende a deixar a autoridade monetária mais conservadora. O fertilizante não é causa, mas reforça o cenário de assimetria da inflação, um fator de desconforto adicional.”

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