25/04/2026

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Tecnologia e industrialização dominam debates na sétima edição da Norte Show

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A sétima edição da Norte Show, em Sinop, concentra as discussões do setor produtivo na busca por eficiência operacional diante de um cenário de margens espremidas. Localizada em um dos principais polos de grãos de Mato Grosso, a feira reflete o avanço das lavouras de soja e milho que impulsionam o crescimento regional. O evento busca oferecer alternativas práticas para que o produtor rural consiga transformar a alta produtividade em rentabilidade real.

O atual momento do agronegócio exige estratégias que vão além da porteira, focando em gestão e redução de custos operacionais. Com a participação de lideranças políticas e entidades do setor, a abertura oficial do evento na terça-feira (21) pautou temas sensíveis, como o endividamento exponencial e a pressão logística. A feira se consolida como um ambiente de convergência para discutir o futuro da produção em Mato Grosso.

Nesta edição, o foco central é a implementação de tecnologias que permitam o controle total da operação na palma da mão. O uso de telemetria e sistemas de automação em máquinas agrícolas surge como uma ferramenta indispensável para otimizar o uso de insumos e o tempo de colheita. A proposta é migrar da agricultura de precisão para o que especialistas definem como agricultura de decisão.

Além da modernização mecânica, a genética de sementes apresenta variedades desenvolvidas para o controle de plantas daninhas resistentes, oferecendo maior segurança técnica ao manejo. A feira reúne cerca de 400 expositores e projeta superar o volume de negócios do ano anterior, reforçando a importância do polo de Sinop para a economia estadual e o potencial de novos investimentos na região.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Inovações em genética e gestão de dados

No segmento de sementes, empresas apresentam tecnologias voltadas à produtividade e ao manejo sustentável. O gestor da Agro Amazônia Agrícola, Guilherme Invaldi, destaca a chegada da tecnologia Conkesta Enlist, tolerante a herbicidas como glufosinato, glifosato e 2,4-D. “Além de ser uma soja mais produtiva, ela entra como uma ferramenta de manejo no controle de ervas de difícil controle”, explica o gestor ao detalhar os benefícios da nova variedade.

Já no setor de máquinas, o destaque são as colheitadeiras com sistemas de automação que permitem o monitoramento via celular por meio da telemetria. Felipe Stefanello, do suporte ao produto da Case, ressalta que o objetivo é tornar a colheita do milho mais eficiente e assertiva. “A gente precisa não apenas vender um produto, a gente precisa vender e ajudar o produtor a tomar decisões mais assertivas e vender soluções”, afirma. Segundo ele, o foco atual da indústria é estar junto ao agricultor para auxiliar na “agricultura de decisão”.

O acesso a esses recursos tecnológicos é apontado como um diferencial para produtores de todos os portes. O agrônomo Alexis Diesel afirma que a feira consegue reunir opções que atendem desde o pequeno agricultor até os grandes grupos do estado. Para ele, o evento é uma oportunidade de encontrar qualidade e marcas renomadas em um só lugar.

A estrutura do evento também reflete esse crescimento, embora já sinta os limites do espaço físico disponível. O presidente do Sindicato Rural de Sinop, Ilson José Redivo, revela que a procura foi tão alta que o parque atingiu sua capacidade máxima. “O parque está lotado, foram comercializados todos os espaços, não conseguimos colocar mais gente porque nós não temos espaço para atender mais o público que ficou na lista de espera”, relata o presidente sobre o sucesso comercial da edição ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Pauta política e verticalização da produção

Para além da vitrine tecnológica, a Norte Show serve como palco para discussões sobre a saúde financeira do produtor mato-grossense. O vice-presidente da Aprosoja-MT, Luiz Pedro Bier, demonstrou preocupação durante a solenidade de abertura da feira com o cenário de endividamento, agravado pelos custos do óleo diesel e fertilizantes. “A gente tem acompanhado atentamente o endividamento, ele tem aumentado de maneira exponencial”, alerta Bier. Conforme ele, a conjuntura econômica desfavorável e os preços baixos da soja exigem medidas urgentes.

Uma das principais reivindicações do setor é a garantia de que o Fethab 2 não seja renovado, aliviando a carga tributária sobre a produção. Bier reforça que o compromisso precisa ser firmado com as lideranças políticas para evitar novos impactos no próximo ano. “O Fethab 2 pode ser reeditado o ano que vem. Então nós queremos ter esse mesmo compromisso de todos os candidatos ao governo do estado”, defende, ao destacar que a margem de lucro do produtor está cada vez mais espremida.

A industrialização e a verticalização da produção também foram apontadas como caminhos necessários para o desenvolvimento de Mato Grosso. O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, utiliza o exemplo do milho e do etanol para ilustrar como agregar valor pode transformar a economia local. “Não podemos ficar na dependência de um país só e verticalizar é necessário. É uma forma de agregar valor, uma forma de gerar empregos”, afirma Tomain ao defender a criação de novos polos industriais.

O governo do estado também projeta expansão na agroindústria, aproveitando o excedente da produção que ainda deixa Mato Grosso como matéria-prima. O governador Otaviano Pivetta destaca que o esmagamento de milho cresceu rapidamente nos últimos sete anos, mas ainda há margem para evoluir. “Esse ano a expectativa que nós temos é produzir 55 milhões de toneladas, ainda sobram 35 milhões”, diz Pivetta. Para ele, o crescimento da produção de carne está diretamente ligado ao melhor aproveitamento do farelo de soja e de milho no estado.


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