Em meio a um cenário de cautela no agronegócio, marcado por rentabilidade pressionada e custos elevados, a Norte Show se consolidou como um espaço estratégico para o setor em Sinop, região médio-norte de Mato Grosso. A feira reúne inovação, tecnologia e linhas de crédito com o objetivo de apoiar o produtor rural na tomada de decisão. O evento foca em alternativas de gestão e armazenagem para enfrentar o atual momento de incertezas, já com o olhar voltado para o planejamento da próxima safra.
A movimentação intensa nos corredores e estandes reflete a busca por soluções que garantam a sobrevivência do negócio. Empresas expositoras apresentaram serviços voltados a diferentes atividades, apostando em estratégias para atender a demanda de quem precisa produzir com mais eficiência e menor custo. O suporte técnico tornou-se um diferencial para auxiliar o agricultor em um ambiente de negócios desafiador.
“A gente precisa não apenas vender o produto, mas ajudar o produtor a tomar decisões mais assertivas e vender soluções”, afirma Felipe Stefanello, do suporte ao produto da Case. Para ele, o desenvolvimento regional está diretamente atrelado ao sucesso do campo. “A nossa região é extremamente agrícola e nós dependemos que o produtor vá bem. Ele indo bem, nós também vamos bem”.

Tecnologia e autonomia na gestão da safra
Uma das inovações apresentadas no evento foi um sistema automático de classificação de grãos, desenvolvido para garantir mais precisão nos resultados das amostras. A tecnologia surge como uma alternativa para reduzir divergências nas análises, um ponto que historicamente gera discussões entre produtores e compradores. O equipamento elimina a interferência humana direta, enviando os dados automaticamente para a nuvem.
Segundo o engenheiro agrônomo Roney Smolareck, a ferramenta traz transparência para a negociação comercial e agilidade no campo. “O equipamento dá o resultado direto na tela. É muito valor envolvido para ter uma decisão baseada em anotação manual”, explica ao Canal Rural Mato Grosso. Além da versão para transações, existe uma linha portátil para uso antes da entrega na armazenadora. “Passou pelo equipamento, já vai para a nuvem e, se precisar, imprime na hora para ser muito mais transparente essa negociação“.
O investimento em estruturas próprias de armazenagem também é destaque, apresentado como forma de agregar valor à produção. A proposta é oferecer ao agricultor mais autonomia e segurança, permitindo que ele não dependa exclusivamente dos preços de mercado no momento da colheita. Com o armazém na propriedade, o produtor consegue gerir melhor o tempo de venda e reduzir custos pagos a terceiros.
O empresário Stefano Tormen destaca que, embora o preço da soja não esteja favorável, a armazenagem é uma necessidade de sobrevivência. “A gente busca encaixar dentro do orçamento porque o armazém permite ao produtor reter o produto na propriedade. Ele vai trabalhar com prazo e preço, não depende daquele preço momentâneo”, pontua. Ele ressalta que as taxas de juros para esses investimentos têm sido negociadas a partir de 8,5% ao ano.
Reestruturação financeira e o custo do dinheiro
Para viabilizar esses investimentos, o setor tem buscado parcerias com consultorias especializadas em crédito rural, focando na reestruturação de dívidas. Diante do endividamento elevado e de questões climáticas que prejudicaram as últimas colheitas, o alongamento de prazos tornou-se prioridade. O objetivo é buscar linhas subsidiadas que permitam o fôlego necessário para a continuidade das operações no campo.
Cláudia Salomão, diretora comercial da B2B, alerta que os indexadores variáveis são os maiores desafios do produtor atualmente. “O que está matando o produtor é o indexador, seja a Selic ou o IPCA. Ele tem que pensar em reestruturação de crédito e achatamento dos juros”. Ela defende a busca por taxas pré-fixadas e linhas onde o governo subsidia parte do custo. “A linha de crédito certa muda o jogo no campo”, afirma a diretora.

Planejamento rigoroso para superar a turbulência
O clima de apreensão também é visível dentro das cooperativas de crédito, onde a estratégia é oferecer condições que se encaixem no orçamento apertado do agricultor. O aumento da inadimplência e o número de pedidos de recuperação judicial no setor ligam o sinal de alerta para as instituições. O foco das cooperativas agora é garantir que o recurso para o custeio da próxima safra seja viável dentro da realidade atual.
O presidente da Sicredi Celeiro MT/RO, Laércio Pedro Lenz, destaca que a produtividade foi alta, mas insuficiente para cobrir os custos financeiros elevados. “A safra de soja mal está pagando a conta. O custo do dinheiro está muito alto e o agro não consegue pagar juros de 17%, 18% ao ano, porque o lucro fica todo nos juros”, explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Conforme ele, as cooperativas tentam buscar soluções para que nenhum produtor fique desassistido.
Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), o momento exige que o produtor “faça conta” de forma rigorosa antes de investir em pacotes tecnológicos pesados. Com o preço da soja em patamares baixos e custos de insumos elevados, a eficiência administrativa passou a ser o fator determinante. A orientação é priorizar o equilíbrio financeiro da propriedade sobre a busca por produtividades recordes sem margem de lucro.
“Não adianta o produtor fazer um pacote robusto, com adubação pesada, e no final não fechar a conta”, alerta Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja-MT. Para o dirigente, a fase atual exige resiliência e revisão de estratégias de manejo e gastos. “É a hora do produtor repensar onde consegue tirar um pouco e passar por essa turbulência”, conclui.
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O post Inovação e crédito no agro: Norte Show traz caminhos para o produtor enfrentar a nova safra apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.