20/04/2026

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Soja em queda e custos altos desaceleram negócios e colocam revendas em alerta

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Com a soja perdendo valor e os custos de produção ainda pressionados, principalmente por fertilizantes e combustíveis, o cenário no campo preocupa produtores e o mercado para a próxima temporada. O resultado é uma conta mais apertada dentro da porteira e decisões cada vez mais cautelosas.

Em Mato Grosso, os reflexos já aparecem no ritmo lento de negócios e no sinal de alerta das revendas de insumos. O desequilíbrio entre receita e custo de produção vem pressionando a rentabilidade, exigindo um planejamento financeiro muito mais rigoroso por parte dos agricultores.

O produtor Nelei José Kraemer, de Lucas do Rio Verde, sente os efeitos desse gargalo no dia a dia da propriedade. O atraso na colheita da soja acabou empurrando o calendário do algodão de segunda safra, o que aumenta o risco climático e pode comprometer o teto produtivo da pluma.

Margem de lucro estreita no campo

Nelei explica que o plantio, finalizado apenas em fevereiro, coloca a cultura em uma zona de exposição perigosa. “Costumamos finalizar o plantio do algodão no final de janeiro. A gente fica mais exposto ao clima”, destaca o agricultor ao Canal Rural Mato Grosso.

Para ele, o histórico recente mostra que o setor está operando no limite da sobrevivência financeira. Ele pontua que, com os preços das commodities abaixo do patamar de anos anteriores e o custo dos fertilizantes em ascensão devido aos conflitos globais, a rentabilidade foi drasticamente reduzida.

“No geral, as commodities, se a gente pegar um histórico dos últimos anos, nós estamos trabalhando praticamente sem margem de lucratividade. Os preços estão bem abaixo do que já foram no passado. E agora, com esse cenário de guerra, os custos mudam o tempo todo. Fertilizante não para de subir. Isso vem espremendo muito a nossa margem”, reforça Nelei.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Foco na lucratividade do agricultor

A estratégia de “esperar para ver” também é adotada por Leonardo Lorenzi em suas terras. Ele relata que, embora já tenha garantido sementes e defensivos químicos, o alto preço dos fertilizantes travou as negociações de adubação, pois o cálculo atual inviabiliza o fechamento da conta.

Segundo Leonardo, o custo apenas com fertilizantes chega a representar quatro sacas por hectare, o que o obriga a aguardar uma janela de oportunidade melhor até o mês de setembro. “Um ano desse aqui você tem que esperar para ver se melhora para frente para fazer esses investimentos”, afirma o produtor à reportagem.

Nesse contexto, o agricultor Flávio Kroling defende que o produtor mato-grossense precisa mudar o foco da produtividade absoluta para a saúde do caixa. Para ele, produzir grandes volumes não faz sentido se o retorno financeiro não acompanhar o esforço e o risco da operação.

“O agricultor americano não fala em produtividade, ele fala em lucratividade. Então não adianta a gente produzir 70, 80, 90, 100 sacas por hectare sem ter lucratividade. Isso é muito bom para o estado, mas nós temos que pensar também em nós agricultores”, defende Kroling.

Alerta nas revendas e o travamento do mercado

O impacto dessa retração dentro da porteira chega rapidamente ao setor de distribuição de insumos. O Conselho Estadual das Associações das Revendas de Produtos Agropecuários de Mato Grosso (Cearpa) aponta que a queda no preço da soja compromete o fluxo de caixa para a próxima safra.

De acordo com Marcelo Cunha, tesoureiro do Cearpa, o estado registra hoje um volume de compra de fertilizantes entre 20% e 25%, patamar significativamente inferior aos 40% registrados no mesmo período do ano passado. O aumento de 31% no preço do fósforo é um dos principais vilões.

Para quem depende de crédito ou trabalha com áreas arrendadas, a situação é ainda mais crítica, pois o cenário de incerteza trava as linhas de financiamento. “É um cenário desconfortável, pior do que o ano passado”, detalha Cunha, ressaltando que a cautela agora é mútua entre produtores e revendedores.

Gilson Antônio de Mello, vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), reforça que o objetivo principal em todo o estado é plantar com o menor custo possível. A meta é garantir que a safra atual consiga, ao menos, minimizar os débitos acumulados de temporadas passadas.

“O produtor hoje está muito preocupado no estado inteiro com essa questão de passar esse ano, de plantar no menor custo possível e obter renda ainda para poder minimizar o débito que ele tem dos anos anteriores”, conclui Mello.


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