A Fazenda Novorá, localizada em Ventania, na região dos Campos Gerais no Paraná, consolidou o milho como um componente indispensável para o equilíbrio de seu sistema produtivo. Com uma trajetória de quatro décadas na agricultura, a propriedade utiliza a cultura não apenas para a comercialização de grãos, mas como uma ferramenta estratégica de manejo que potencializa os resultados da soja e de outros cultivos subsequentes.
O investimento contínuo em tecnologia e a gestão rigorosa de custos permitem que a fazenda alcance níveis de produtividade acima da média nacional. Em talhões específicos, a produção já chegou a atingir 15 mil quilos por hectare, o equivalente a cerca de 250 sacas. Na safra atual, a expectativa é que o rendimento médio encoste nos 13.500 quilos por hectare, um desempenho considerado excelente pelo setor.
A evolução da propriedade acompanha a história da própria agricultura na região, migrando da pecuária nos anos 50 para o cultivo de grãos na década de 70. Desde os anos 80, a família Zanoni mantém o foco no plantio direto, sistema que foi a base para a modernização das operações. Hoje, o grupo gerencia cerca de 5 mil hectares de cultivo, totalizando mais de 10 mil hectares trabalhados por ano entre safra, safrinha e inverno.
Para o produtor rural Juliano Zanoni, o sucesso do negócio está diretamente ligado ao “capricho” aplicado em cada etapa do processo. Segundo ele, o cuidado com o manejo é o que diferencia os resultados no campo. “O capricho faz a diferença. É aí que você vai conquistar o sucesso do teu negócio”, afirma ao Especial Mais Milho.

Gestão como diferencial
Em um cenário de oscilação nos preços das commodities e custos de produção elevados, a gestão eficiente tornou-se o principal pilar de sustentabilidade da porteira para dentro. Zanoni destaca que a margem de lucro atual depende da capacidade do produtor em otimizar processos e garantir altas produtividades para diluir os gastos.
“A gestão hoje é o que faz a diferença numa propriedade rural. Você vai ter que fazer gestão de custo, de gente, de compras e de vendas. Quem não estiver produzindo bem e não estiver com a gestão em dia, vai ter dificuldades para passar esse momento”, pontua o produtor.
Atualmente, a gestão é apontada como o divisor de águas entre as propriedades que conseguem atravessar ciclos de baixa e as que enfrentam dificuldades financeiras. O foco na produtividade caminha lado a lado com o controle rigoroso de cada centavo investido no ciclo produtivo.
Tecnologia no plantio
A busca por eficiência operacional levou a Fazenda Novorá a investir em maquinários modernos, equipados com inteligência preditiva e sistemas de taxa variável. O uso de tecnologia é rigoroso desde a implantação da lavoura, com o uso de plantadeiras que possuem desligamento linha a linha e distribuição a vácuo, garantindo um estande de plantas uniforme.
De acordo com o produtor, o milho é uma cultura exigente que não permite erros no início do ciclo. “O plantio já determina praticamente o teu estande do milho. Se você tiver uma largada mais ou menos, depois você não consegue compensar. O milho tem que dar tudo certo do início ao final para você ter uma lavoura de alto desempenho”, explica Zanoni à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Além das máquinas, a escolha dos híbridos é feita com base em ensaios realizados dentro da própria fazenda. A equipe técnica analisa o comportamento de materiais para decidir qual material se adapta melhor a cada janela de plantio e tipo de solo.

Cultura estratégica
Apesar do crescimento da produção de sementes de soja na propriedade, o milho mantém sua importância vital na rotação de culturas. Atualmente, o cereal ocupa cerca de 33% da área total entre o cultivo de verão e a safrinha. Além do retorno financeiro direto, o milho entrega a palhada necessária para o sistema de plantio direto de alta performance.
Para Zanoni, a evolução logística e de mercado nas últimas décadas transformou o perfil da cultura na região. “O milho evoluiu muito. De lá para cá, a logística melhorou, o mercado melhorou, a produtividade melhorou. A gente considera uma cultura estratégica dentro do negócio; para produzir mais soja, tem que plantar mais milho”, conclui.
O produtor destaca ainda que em anos de clima favorável, como o atual, a rentabilidade do milho pode até superar a da soja. Com chuvas na hora certa e manejo de precisão, a cultura deixa de ser um complemento para se tornar a protagonista do balanço financeiro da safra.

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