Enquanto o governo tenta conter os efeitos da escalada do preço do petróleo nos combustíveis, um levantamento do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) obtido com exclusividade pela Forbes, mostra que o diesel ficou até 30% mais caro no Brasil em março. O estudo analisou 348 mil notas fiscais de distribuidoras e 137 mil de consumidores, cobrindo operações em todos os estados.
Segundo o relatório, o diesel S10 comum subiu 24,92% na média nacional nas distribuidoras entre 1º e 30 de março. No Centro-Oeste, o preço nas distribuidoras passou de R$ 5,26 (1º/03) para R$ 6,80 (30/03), enquanto nos postos chegou a R$ 8,52 em alguns momentos do mês.
Outras regiões também registraram alta:
Sudeste: de R$ 5,45 para R$ 6,65 nas distribuidoras e até R$ 8,14 nos postos.
Sul: de R$ 5,42 para R$ 6,68 nas distribuidoras e cerca de R$ 8,11 nos postos.
Nordeste: de R$ 5,34 para R$ 6,88 nas distribuidoras e até R$ 7,88 nos postos.
Norte: de R$ 5,62 para R$ 6,82 nas distribuidoras e até R$ 8,25 nos postos.
A volatilidade de preços é preocupante, diz o presidente do IBPT, Gilberto Amaral. “Estamos diante de uma explosão inflacionária no Diesel que supera os 24% na média nacional e beira os 30% no coração do agronegócio”, diz.
A pesquisa também indica que outras versões do diesel também tiveram aumentos. O S10 aditivado avançou 23,01%, enquanto o S500 comum e aditivado subiram 23,21% e 20,98%, respectivamente. No diesel S10 aditivado, os preços ao fim de março chegaram a:
R$ 6,89 no Nordeste (distribuidoras) e R$ 8,15 nos postos.
R$ 6,77 no Centro-Oeste e até R$ 8,00 no varejo.
O diesel S500 também ficou mais caro. No Nordeste, o tipo comum atingiu R$ 7,04 nas distribuidoras e R$ 8,33 nos postos no fim do mês, após variações superiores a 30%.
Gasolina
A gasolina também aumentou de preço ao longo do mês. A gasolina comum teve alta média de 8,76%, com maior variação no Nordeste, onde o avanço chegou a 13,77%. A gasolina aditivada subiu 7,95% no período. Veja a variação nos preços:
R$ 5,75 no Sudeste, com cerca de R$ 6,92 nos postos.
R$ 6,03 no Nordeste, com valor de até R$ 7,45 nos postos.
R$ 6,19 no Norte, chegando a R$ 7,60 no varejo.
Etanol
Já o etanol apresentou comportamento mais estável. Tanto a versão comum quanto a aditivada tiveram variação média nacional de 1,10%, com pequenas oscilações regionais, incluindo queda no Centro-Oeste no atacado. Os preços verificados no fim de março pelo IBPT foram:
Sudeste: R$ 3,99 nas distribuidoras e R$ 5,02 nos postos.
Centro-Oeste: R$ 3,75 nas distribuidoras e R$ 4,81 nos postos.
Sul: R$ 3,96 nas distribuidoras e R$ 5,49 nos postos.
Repasse e Efeitos na Cadeia
O relatório aponta que a isenção de PIS e Cofins (Decreto nº 12.875/2026) não gerou o efeito esperado. Segundo o IBPT, a medida foi “matematicamente anulada” pela dinâmica do mercado.
Na prática, o reajuste da Petrobras combinado com a volatilidade das distribuidoras resultou em um aumento líquido de R$ 1,25 por litro no diesel no atacado.
Por conta de o transporte rodoviário concentrar a maior parte da movimentação de cargas no país, o frete tende a subir o que, consequentemente, vai afetar os preços ao consumidor, especialmente de alimentos, onde o transporte é um componente relevante do preço final.
No consolidado, a variação média dos combustíveis em março foi de 9,81%, segundo o IBPT.