A JBS inaugurou nesta quarta-feira (1º), em Florianópolis (SC), a JBS Biotech, um centro de biotecnologia avançada focado em elevar o padrão competitivo da cadeia global de proteínas.
Com investimento estratégico em uma estrutura de 4.000 m², o complexo busca abocanhar uma fatia do mercado de suplementos proteicos, setor estimado em US$ 30,0 bilhões (R$ 151,3 bilhões, segundo a cotação atual) e que registra expansão de 10% ao ano.
A unidade opera no Sapiens Parque com mais de 20 laboratórios especializados, integrando desde a biologia molecular até a engenharia de dados para validar tecnologias de aplicação industrial imediata.
O movimento marca a transição da maior processadora de carnes do mundo para uma fase de intensa agregação de valor tecnológico.
Com um faturamento de R$ 416,95 bilhões em 2024, a JBS encabeçou a Lista Forbes Agro100 2025, ranking anual da Forbes Brasil onde estão as 100 maiores empresas e cooperativas que atuam no país que contam com resultados financeiros publicados.
A era das superproteínas
Em vez de apenas processar a commodity, a companhia passa a desenvolver as chamadas “superproteínas” e ingredientes bioativos. A estratégia foca na nutrição de precisão, capaz de modular respostas fisiológicas em humanos e animais por meio de proteínas desenhadas em nível molecular.
“A JBS Biotech é capaz de desenvolver desde proteínas funcionais até novos ingredientes bioativos para o mercado de suplementos e alimentos,” destaca o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.
“Mais do que fabricar um produto acabado, nosso objetivo é desenvolver conhecimento e tecnologia, acelerar provas de conceito e abrir caminhos para futuras aplicações em escala industrial,” diz Tomazoni.
Tecnologia por trás do centro
A operação é liderada pela engenheira química Fernanda Berti, doutora em Desenvolvimento de Processos Químicos e Biotecnológicos.
Sob sua gestão, o centro utiliza sequenciadores de última geração e ciência de dados ômicos para reduzir a distância entre a pesquisa básica e o consumidor final. Um dos pilares fundamentais é o biobanco, estrutura que preserva amostras biológicas para extrair riqueza de cada etapa da cadeia agroindustrial.
Além da nutrição humana, a unidade atua diretamente na saúde animal e na eficiência operacional. O uso da biotecnologia permite o desenvolvimento de produtos veterinários mais seguros e o aproveitamento de coprodutos da indústria.
Poder além da alimentação
Através de técnicas de extração e bioconversão, o que antes era tratado como subproduto passa a ser matéria-prima para os setores farmacêutico e de cosméticos, reforçando o modelo de economia circular da empresa.
Este avanço posiciona o Brasil como um polo de inovação em proteínas alternativas e funcionais. Ao integrar competências multidisciplinares, a JBS busca garantir segurança alimentar e atender a uma demanda crescente por alimentos que ofereçam suporte imunológico e desempenho metabólico.
O próximo passo da companhia envolve a escala industrial dessas soluções, consolidando a biotecnologia como o motor de rentabilidade para a próxima década no agronegócio.