21/04/2026

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Agtechs Chegam a 2.075 no Brasil e Ampliam Atuação Fora do Eixo Tradicional

O número de startups de base tecnológica voltadas ao agronegócio no Brasil chegou a 2.075 em 2025, crescimento de 5% em relação ao ano anterior, segundo a sexta edição do Radar Agtech Brasil, elaborado por Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens. O resultado indica desaceleração frente aos anos anteriores e ocorre em um contexto de maior maturidade tecnológica, mudanças na dinâmica de capital e ampliação da presença regional das empresas. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (24), durante o Radar Agtech Summit, em São Paulo.

Produzido desde 2019, o levantamento das agtechs acompanha a evolução do ecossistema de inovação no agro brasileiro. Ao longo das edições, passou a integrar dados territoriais, tecnológicos e financeiros, sendo utilizado como base para análise de ambientes de inovação, startups e investidores.

Em 2025, foram mapeados 390 ambientes de inovação no País. A Região Sul passou a concentrar a maior parcela, com 37,18% das estruturas localizadas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Sudeste reúne 32,82%, distribuídos entre São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

No Sul, o avanço do sestá associado à ampliação do número de incubadoras, com destaque para o Rio Grande do Sul. Segundo o analista da Embrapa Aurélio Favarin, há atuação do governo estadual na criação de estruturas voltadas às etapas iniciais da inovação. “A maior parte das incubadoras está vinculada às universidades estaduais, com planejamento para formação de novas empresas”, afirma.

O Sudeste concentra maior número de hubs, aceleradoras e ecossistemas com governança estruturada, indicando estágio mais avançado de desenvolvimento. Nesse recorte, as iniciativas estão direcionadas à aceleração de negócios e à conexão com capital.

Entre 2019 e 2021, o setor registrou expansão acelerada, impulsionada pela criação de ambientes de inovação e entrada de fundos. Em 2025, o ritmo mais moderado reflete a consolidação de modelos de negócio e maior seletividade na alocação de recursos. “As iniciativas passam por um processo de acomodação, com permanência das estruturas mais organizadas”, diz o pesquisador da Embrapa Vitor Mondo.

A concentração regional ainda é relevante. Sudeste e Sul reúnem 79% das agtechs, sendo 55,2% no Sudeste e 23,7% no Sul. Ao mesmo tempo, cresce a participação das demais regiões, aproximando as empresas de áreas de produção agropecuária. O Norte concentra 7,6% das startups, o Nordeste 6,5% e o Centro-Oeste 7,1%. Em 2019, Norte e Nordeste somavam 5%.

Estados fora do eixo tradicional passaram a registrar novos empreendimentos. Em 2025, o Amazonas contabiliza 17 agtechs, Goiás 15 e Mato Grosso 14. Minas Gerais e Rondônia tiveram os maiores acréscimos, com 13 novas empresas cada. Em sentido oposto, houve redução no número de startups no Rio Grande do Sul, Tocantins, Distrito Federal e São Paulo.

O levantamento também aponta mudança na inserção das empresas na cadeia produtiva. A maior parte das agtechs atua dentro da fazenda, com 41,1%, seguida pelas soluções pós-produção, com 40,5%. Esse movimento indica maior proximidade com o produtor rural e capacidade de aplicação direta das tecnologias. “Há aumento das empresas que operam dentro das fazendas, o que indica maior inserção no campo”, afirma Mondo.

Entre as áreas de atuação, alimentos inovadores e novas tendências alimentares concentram 15% das startups. Sistemas de gestão da propriedade rural representam 8%, enquanto plataformas integradoras de dados somam 7,5%.

A presença de tecnologias digitais é predominante. Segundo o estudo, 83% das empresas utilizam inteligência artificial em processos ou produtos, e 35% têm essa tecnologia como base do modelo de negócio. “A inteligência artificial passou a integrar a estrutura das soluções desenvolvidas”, diz Favarin.

O cenário também indica mudanças na dinâmica de investimentos. Nos últimos anos, o ambiente de captação de recursos se tornou mais restritivo, o que levou à revisão de estratégias pelas startups.

“As empresas passaram a estruturar seus negócios com maior foco em eficiência e rentabilidade desde os estágios iniciais”, afirma Pedro Jábali, da SP Ventures.

Além dos dados quantitativos, o relatório inclui iniciativas de inovação aberta e experiências de incentivo público à inovação regional. A edição de 2025 também passa a ser disponibilizada em inglês e espanhol.

Para Luiz Sakuda, da Homo Ludens, a evolução do setor depende da articulação entre esses elementos. “O próximo ciclo do ecossistema está relacionado à integração entre tecnologia, capital, governança e produção”, afirma

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