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Dois painéis realizados no Forbes Agro100, na última terça-feira, 25, na capital paulista, reuniram líderes do agro, cooperativismo, indústria de insumos e tecnologia para discutir como o Brasil pode acelerar produtividade, eficiência e integração digital em toda a cadeia, da fazenda às plataformas digitais.
Fernando Degobbi, presidente da Coopercitrus, resumiu o desafio: “Nosso papel é garantir que essas famílias continuem na atividade, com renda e com futuro.” Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes, reforçou: “O produtor brasileiro é referência global em adoção de novas tecnologias.”
No painel seguinte, dedicado à transformação digital, Conrado Leister, vice-presidente da Meta no Brasil, conectou a discussão interna à revolução conversacional: “O agro já é pioneiro em tecnologia. O WhatsApp só amplia isso.” A conversa mostrou como a digitalização reduz fricções e aumenta velocidade operacional em um setor cada vez mais pressionado por custo, clima e incertezas regulatórias
Cooperativismo, escala produtiva e o novo perfil do produtor
Fernando Degobbi abriu o painel “O Brasil que se move por dentro” lembrando a magnitude e a força do modelo cooperativista no país: “As cooperativas agro faturaram R$ 400 bilhões no ano passado. Representam cerca de 20% a 25% do PIB do agro.”
Ele reforçou que mais de 80% dos cooperados da Coopercitrus são pequenos e médios produtores — exatamente o grupo mais pressionado por custos, crédito e sucessão.
Degobbi explicou que a cooperativa tem focado em dar condições para manutenção de renda e continuidade produtiva: “Criar condições para que essas famílias continuem no ar é o propósito central.”
Ele destacou ainda o avanço de projetos ambientais com impacto direto em produtividade, como o CooperNascentes — iniciativa que já recuperou mais de mil nascentes e viabilizou novos sistemas de irrigação. “Quando recuperamos uma nascente, a propriedade ganha escala, irrigação e possibilidade de verticalizar.”
Em um país que tem 5 milhões de propriedades rurais e precisará produzir até 40% dos alimentos adicionais demandados pelo mundo até 2050, Degobbi reforçou a urgência: “O produtor está entendendo que precisa verticalizar. E que as decisões agora definem quem fica na atividade.”
Insumos, biológicos e o produtor como gestor de riscos
No mesmo painel, Eduardo Monteiro trouxe a visão da indústria de fertilizantes e insumos. Ele lembrou que o Brasil importa cerca de 85% dos nutrientes que consome, fator que expõe o produtor a volatilidades externas.
Ainda assim, vê espaço para reduzir a dependência com tecnologia: “No bioinsumo, não. Ali temos potencial de produção local, impacto ambiental e independência estratégica.”
Monteiro detalhou o avanço acelerado dos biológicos: “São mercados que crescem mais de R$ 2 bilhões por ano há uma década.”
Ele defendeu que o país combina clima, solo e perfil empreendedor em condições únicas. “A gente está na meca da agricultura mundial — e o agricultor é, acima de tudo, um gestor de riscos.”
Sobre custos e volatilidade, ele foi direto: “Hoje a rentabilidade da soja está no mesmo nível de 3 ou 4 anos atrás. Quando você coloca arrendamento e juros na planilha, vê que a conta muitas vezes não fecha.” A adaptação, segundo ele, depende de tecnologia, gestão e capacidade de ajustar decisões no campo.
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Lu PreziaPainel “O Brasil que se move por dentro” durante o Forbes Agro100 2025
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Grupo PHDEduardo Monteiro, da Mosaic Fertilizantes
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Grupo PHDFernando Degobbi, da Coopercitrus (ao microfone)
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Grupo PHDFernando Degobbi, da Coopercitrus (à esq.) e Eduardo Monteiro, da Mosaic Fertilizantes
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Grupo PHDVera Ondei, da Forbes Brasil
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Lu Prezia
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Lu PreziaMarcos Oliveira, Head de Parcerias Estratégicas Latam da Meta
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Lu PreziaConrado Leister, vice-presidente Brasil da Meta
Painel “O Brasil que se move por dentro” durante o Forbes Agro100 2025
Crédito, sucessão e o gargalo financeiro do agro
Degobbi reforçou que o crédito tornou-se o ponto mais sensível da operação rural em 2025. Ele citou reduções expressivas nas linhas de investimento e custeio: “As linhas do Plano Safra estão 47% menores que no ano passado. Na área de máquinas, o segundo semestre está muito desafiador.”
Para aliviar essa pressão, a Coopercitrus estruturou uma fintech, a Fincoop, que conecta produtores a soluções financeiras: “O problema é que muitos não conseguem explicar a própria atividade ao banco. A fintech ajuda a organizar, comprovar e baratear o acesso ao crédito.”
Monteiro complementou: “O Brasil tem um desafio institucional. O uso distorcido da recuperação judicial aumenta o risco setorial e afeta linhas e taxas. Mas o país é resiliente. Vamos atravessar o ciclo e sair mais fortes.”
O digital como infraestrutura invisível do agro
No painel “Conversas pelo futuro: o WhatsApp como ferramenta para transformação digital”, a discussão migrou para eficiência tecnológica.
Luiz Gustavo Pacete, editor da Forbes Tech, abriu com um exemplo prático usando a inteligência artificial conversacional da Magalu: a assistente digital respondeu sobre origem do produtor, certificações e intolerâncias alimentares em segundos, dentro do WhatsApp.
Conrado Leister explicou o movimento: “Mais de 80% das pessoas querem falar com empresas da mesma forma que falam com amigos: pelo WhatsApp.”
Ele destacou peculiaridades brasileiras: “O Brasil tem três a quatro vezes mais mensagens em áudio do que qualquer outro país. Então precisamos de soluções que lidem com áudio. Isso é essencial para o agro.”
Entre eficiência e escala: o WhatsApp como motor de produtividade
Marcos Oliveira, head de parcerias da Meta, trouxe dados que impressionaram o público: “Temos casos de aumento de mais de 200% no uso do WhatsApp no núcleo do negócio.”
Ele explicou que o agro já utiliza o aplicativo para alertas de clima, manutenção preventiva de máquinas e confirmação de entrega. “O DNA sempre foi produtividade. O que muda agora é a profundidade. Toda a jornada pode acontecer ali.”
Sobre como começar, Leister resumiu com um mantra: “Escolhe um caso de uso que dói, faz um piloto e escala rápido. O que funcionar vira operação; o que não funcionar morre cedo.”
Oliveira reforçou que a experiência conversacional exige velocidade: “Ninguém aceita esperar 24 horas por uma resposta no WhatsApp. É outro nível de expectativa.”
O Forbes Agro100 mostrou que, da porteira para dentro ou para fora, a agenda é a mesma: eficiência, tecnologia e resiliência.