05/05/2026

05/05/2026

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As 10 Empresas Mais Inovadoras do Brasil

Ilustração: Bibi Sakata

Lista Forbes Empresas Mais Inovadoras é destaque da 136ª edição da Forbes Brasil

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Inovações são, por definição, incomparáveis. Afinal, se houver base para medi-las, é porque não são assim tão desbravadoras. Não estarão cumprindo o que o megainvestidor Peter Thiel aponta como sua missão primária no mundo dos negócios: estabelecer um monopólio – permitir que a empresa reine sozinha num nicho de mercado, nem que seja por um breve tempo (até que os concorrentes a copiem). Que as inovações sejam incomparáveis, porém, não significa dizer que não se possa julgá-las. Fazemos isso não diretamente, mas por seus efeitos: o quanto elas ajudaram a trazer bons resultados financeiros, ganhos de eficiência ou de mercado, melhor percepção de marca ou mesmo o quanto facilitam o surgimento de outras inovações. Foi por essa análise que chegamos às empresas desta nossa lista. Como não poderia deixar de ser, cada uma chegou aqui por um caminho: avanço tecnológico, aplicação inteligente de uma nova ferramenta (em geral IA), investimento massivo em pesquisa e desenvolvimento, novas formas de organizar a atividade… São 10 histórias que celebram a capacidade de criar; e podem inspirar dezenas de outras.

BIOTROP

COM CENTROS NO BRASIL E UNIDADES NOS EUA E NA EUROPA E UMA DEZENA DE PEDIDOS DE PATENTES POR ANO, A EMPRESA ESTÁ NA PONTA DA TECNOLOGIA DA LAVOURA – COM ÊNFASE NA AGRICULTURA TROPICAL

Há pouca dúvida no agro e em seus mercados coligados de que os insumos biológicos na produção de alimentos, energia e afins vão ditar cada vez mais os caminhos a tomar. A Biotrop, que nasceu em 2018 e desenvolve bioinsumos como inoculantes, bioestimulantes e biofertilizantes, organiza a próxima etapa de crescimento com base em duas frentes complementares: o avanço em bioherbicidas e a consolidação do Brasil como centro global de inovação, produção e exportação de biológicos para a agricultura tropical.

“O objetivo é entregar produtos capazes de competir com moléculas químicas em escala global, com o Brasil como base de ciência, produção e exportação”, afirma Jonas Hipólito, CEO da Biotrop.

A consultoria americana DurhamTrimmer estimou para 2024 um mercado global de produtos biológicos da ordem de US$ 14 bilhões, com previsão de US$ 20 bilhões anuais até 2027. Para esse mercado, os insumos desenvolvidos pela Biotrop miram em produtos sistêmicos, como tratamentos de sementes com efeito foliar, além de soluções para bioestimulação, tolerância à seca e fixação biológica de nitrogênio. “O produtor precisa de tecnologia que entre na rotina da lavoura sem aumento de complexidade operacional”, diz Hipólito. “Por isso trabalhamos combinações que entregam proteção, nutrição e eficiência em uma mesma aplicação.”

A estrutura de inovação da Biotrop reúne uma equipe multidisciplinar de 70 pessoas, entre biólogos, agrônomos, químicos, engenheiros de bioprocessos, bioinformatas e estatísticos. Eles estão em centros no Brasil e em unidades nos Estados Unidos e na Europa, hoje sob a gestão brasileira. Embora global, isso significa uma plataforma de biológicos ancorada na agricultura tropical, capaz de desenvolver, testar e escalar soluções para diferentes ambientes produtivos considerando um mesmo conjunto tecnológico.

Na prospecção de novos ativos, equipes percorrem biomas, mapeiam microambientes, coletam amostras e formam uma biblioteca de microrganismos com rastreabilidade alinhada ao Protocolo de Nagoya e ao brasileiro Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen).

Para inovar, a empresa sequencia microrganismos, analisa comunidades de solo e gera bases de dados sobre suas funções agronômicas. É a partir daí que a equipe de bioinformática modela relações entre perfil genético, condição de solo e desempenho em campo das soluções. “A decisão de pipeline não se baseia somente em ensaios isolados”, explica o CEO. “Usamos dados genômicos, metagenômicos e estatísticos para entender o que o organismo faz, em que ambiente funciona melhor e como se encaixa em combinações com outros ativos.”

Segundo o executivo, atualmente a Biotrop é a companhia privada que mais deposita patentes verdes. Já foram concedidas sete, e o volume anual depositado é de cerca de 10 por período, incluindo pedidos nos Estados Unidos, no Canadá, na China e na Europa.

A aposta em biológicos acompanha a pressão de pragas e doenças em culturas fortemente exportadoras, como algodão, soja, milho, café, cana-de-açúcar e frutas, ao lado de exigências de redução de resíduos nas cadeias globais. Esses produtos entram como componente de programas integrados, em combinação com químicos e outros bioinsumos.

Na avaliação de Hipólito, o papel do Brasil como produtor e exportador de commodities agrícolas cria condições para a liderança em bioinsumos. “O campo brasileiro adota tecnologia com rapidez, expõe produtos a diferentes condições de clima e manejo e gera dados em escala”, afirma. Não por acaso, o plano da Biotrop inclui ampliar o portfólio baseado na biodiversidade nacional. “A agricultura tropical ainda tem uma reserva de funções biológicas pouco exploradas. Quem organizar essa informação em modelos escaláveis vai liderar a próxima etapa dos biológicos”, afirma Hipólito. (VO)

BYD

RAINHA DAS BATERIAS, A MONTADORA ESTÁ ALIANDO SUAS INOVAÇÕES GLOBAIS A INVENÇÕES TIPICAMENTE BRASILEIRAS, COMO O HÍBRIDO PLUG-IN FLEX

Foi neste ano que a BYD assumiu a liderança mundial no segmento de veículos elétricos. Entre janeiro e setembro, a gigante chinesa emplacou 1.605.903 carros elétricos, superando as 1.217.902 unidades da rival Tesla. Segundo a consultoria Counterpoint Research, a companhia deve fechar o ano como líder global em BEVs (veículos elétricos a bateria), com 15,7% de participação. Em um segmento que tem por essência a missão de revolucionar a gigantesca indústria automobilística, é claro que esse sucesso tinha que ser ancorado em inovação acelerada. A estratégia foi de verticalização de processos e domínio de tecnologias-chave – especialmente baterias, área na qual a BYD é a segunda maior fabricante do mundo.

No coração dessa escalada está a Super e-Platform, lançada recentemente e já considerada um divisor de águas na engenharia automotiva. Em apenas cinco minutos é possível garantir 400 quilômetros de autonomia. Trata-se do carregamento mais rápido disponível em veículos de produção em massa. No Brasil, a bateria chega dentro dos carros da recém-lançada Denza, a divisão de luxo da chinesa. “A grande mudança será a bateria de carregamento super-rápido. Isso será a grande transformação do setor porque você vai levar o mesmo tempo para carregar um carro elétrico que leva para abastecer um carro a combustão”, afirma Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e head de comercial e marketing da BYD no Brasil.

O avanço tecnológico da marca também se manifesta no segmento de alto desempenho. Em setembro, o Yangwang U9 Xtreme (divisão de esportivos da chinesa) superou o Bugatti Chiron Super Sport 300+, passando dos 490 km/h e tornando-se o carro mais rápido da história. Trata-se da prova de que eletrificação e esportividade não são caminhos opostos, mas complementares. Segundo Baldy, essa fronteira continuará a ser expandida: “A pergunta é se o futuro será baterias com maior autonomia ou com menor tempo de carregamento. A resposta virá do custo e da eficiência para eletrificar a frota global”.

No Brasil, a BYD se firma como protagonista da transição energética local. A fábrica na Bahia – um complexo industrial equivalente a 645 campos de futebol, inaugurada em outubro – é símbolo dessa ambição. Construída em 15 meses, já emprega mais de 1.500 trabalhadores e prevê chegar a 20 mil empregos diretos e indiretos quando estiver totalmente consolidada. O investimento total soma R$ 5,5 bilhões, com capacidade inicial de produzir 150 mil veículos por ano, ampliando para 300 mil na segunda fase e 600 mil quando todo o complexo estiver em operação até 2031. A planta foi projetada para montar até oito modelos diferentes, reforçando a estratégia de nacionalização.

Além da produção, há também um movimento de inovação e engenharia local: a BYD investiu R$ 80 milhões no desenvolvimento do primeiro híbrido plug-in flex do país, focado no uso do etanol. O modelo foi apresentado durante a COP30, em Belém, com 30 unidades cedidas ao governo como marco da transição energética. Para chegar às ruas brasileiras, ainda falta passar pelo processo de homologação e organizar a produção em escala – algo que deve levar dois anos. Para Baldy, esse passo consolida o papel estratégico do país: “A BYD ficou mais conhecida pelos carros de passeio, mas mais de 22% dos smartphones do planeta têm uma bateria da BYD. Trazer essa engenharia para o Brasil é parte de uma visão global”.

A força desse movimento se traduz também em mercado: a BYD acaba de atingir 100 mil veículos 100% elétricos emplacados no Brasil, com 75% de share do segmento de eletrificados. A marca foi alcançada em pouco mais de três anos e é inédita entre fabricantes com atuação local. (GG)

EMBRAER

COM SEU SOFISTICADO LABORATÓRIO NAS NUVENS, A CAMPEÃ AERONÁUTICA LANÇOU UMA INOVAÇÃO AO QUADRADO: QUE PERMITE ACELERAR INVENTOS E PROJETOS

Uma das empresas mais inovadoras do mundo, a Embraer está mandando para os ares um novo celeiro de tecnologia. Desde o início do ano, está em testes a Plataforma Demonstradora de Novas Tecnologias (PDNT), um laboratório voador que permite experimentar soluções aeronáuticas com menor risco, já que pode ser controlado remotamente, sem a presença de piloto. Uma inovação em si, a iniciativa abre espaço para testar tecnologias de baixa e média maturidade, reduzindo custos e acelerando ciclos de pesquisa ao viabilizar ensaios em voo com mais frequência e flexibilidade. A proposta é ampliar a capacidade de avaliar sistemas em condições reais, encurtando o caminho entre o desenvolvimento em solo e a aplicação prática nas aeronaves.

Até o formato da iniciativa favorece inovações, com uma integração entre indústria, governo e academia (infelizmente, pouco frequente no país) que permite ampliar o escopo de estudos e formar mão de obra altamente qualificada para o setor aeroespacial. “Vemos com entusiasmo a evolução do projeto que reúne indústria, governo e academia no desenvolvimento de pesquisas aplicadas que contribuem para a geração de conhecimentos e formação de pessoas”, disse Cleiton Silva, diretor de Tecnologia e Projetos Avançados da Embraer. “As inovações tecnológicas são fundamentais para acelerar a aviação sustentável do futuro e para fortalecer a competitividade da indústria nacional.”

O projeto conta com o apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Além da Embraer, participam como coexecutoras as empresas Alltec, Equatorial, Motora e TecCer. O ecossistema de pesquisa inclui ainda institutos de ciência e tecnologia nacionais, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP).

Com investimentos previstos de R$ 181 milhões, o PDNT deve ser concluído em 2026. A empresa aposta que o modelo reduzirá o tempo entre o surgimento de uma ideia e sua validação em voo, um dos gargalos tradicionais da aviação. A expectativa é de que o demonstrador sirva como base para futuras gerações de aeronaves, sistemas embarcados e tecnologias de automação. Essa abordagem está alinhada à estratégia mais ampla da companhia, que hoje estrutura suas operações em torno da inovação aberta. A Embraer ampliou parcerias com universidades, empresas e, especialmente, startups em busca de metodologias mais ágeis e soluções de nicho. Ao mesmo tempo, trabalha a cultura de inovação dentro de casa. Com mais de 20 mil funcionários, estruturou em 2025 o programa Embaixadores da Inovação, que envolve representantes de todas as gerências na identificação de desafios e na criação de soluções internas. A meta é distribuir a capacidade de inovar por toda a organização.

Outro marco foi colocar no ar o KC-390, aeronave multimissão desenvolvida para operações militares e humanitárias. O modelo reúne grande capacidade de carga, sistemas digitais avançados e capacidade de operar em pistas curtas ou pouco preparadas, ampliando o leque de missões possíveis. A automação reduz a carga de trabalho da tripulação, enquanto a arquitetura robusta permite desde transporte de equipamentos até evacuações médicas. Sua entrada em serviço em forças aéreas de diferentes países reforça o papel da engenharia brasileira no mercado global.

A companhia também intensificou o uso de IA, principalmente no monitoramento da cadeia de suprimentos, para identificar riscos de interrupções, antecipar cenários e ajustar o planejamento de forma dinâmica. Os algoritmos também auxiliam na manutenção preditiva ao cruzarem dados de uso, desempenho e desgaste de componentes. (SG)

EMS

COM UM RESPEITÁVEL TIME DE 800 PESQUISADORES, A FARMACÊUTICA APOSTOU NO DESENVOLVIMENTO DAS PRIMEIRAS CANETAS DE GLP-1 INTEIRAMENTE BRASILEIRAS PARA ENGORDAR VENDAS E LUCROS

A EMS provavelmente está dentro da sua casa agora mesmo. Ou, no mínimo, já esteve em algum momento. Isso porque há cada vez mais produtos da gigante farmacêutica brasileira. Somente entre janeiro e outubro deste ano, a empresa vendeu 360 milhões de unidades de medicamentos no país – um crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O investimento em inovação é a principal explicação para esse resultado, que garantiu a liderança da empresa na corrida por alguns medicamentos no Brasil.

Todos os anos a EMS destina pelo menos 6% do faturamento para pesquisa e desenvolvimento (P&D), uma das maiores taxas do setor na América Latina. “A gente tem uma tendência até de superar esses 6% nos próximos dois anos”, diz Marcus Sanchez, vice-presidente da organização.

Não basta investir, obviamente. É preciso saber no que se investe. E a EMS conseguiu dar um salto na área de maior sucesso hoje no mundo dos remédios: as canetas de emagrecimento. Ao criar uma plataforma de pesquisa de peptídeos (cadeias de aminoácidos que regulam alguns processos do corpo), pode desenvolver do início ao fim as canetas Olire e Lirux, à base de liraglutida, voltadas ao controle de peso e à regulação glicêmica. O avanço colocou o país no mapa global dos tratamentos com GLP-1, hormônio que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue e a controlar o apetite.

“Só na plataforma de peptídeos nosso investimento foi superior a R$ 1 bilhão”, diz Marcus. As canetas – as primeiras e únicas do tipo completamente produzidas no Brasil – receberam a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro do ano passado e chegaram ao mercado em agosto deste ano. A expectativa da farmacêutica é vender 420 mil unidades nos 12 primeiros meses.

Em se confirmando a previsão, a EMS deve quase dobrar seu crescimento, de 7,5% do ano passado (com faturamento de R$ 6,5 bilhões), para vendas de R$ 7,5 bilhões. Isso deverá ter impacto positivo no grupo ao qual ela pertence, o NC Pharma, cujo faturamento deve chegar a R$ 11,5 bilhões em 2025, 12% a mais que no ano passado.

CIENTISTAS DE VOLTA
A sustentação do ciclo de inovações vem de um respeitável time de P&D: atualmente, a EMS conta com cerca de 800 cientistas e técnicos na área. O objetivo é passar dos mil no ano que vem.

“Já temos aqui cientistas de altíssimo gabarito e agora estamos com um programa de repatriação de brasileiros que seguiram a vida acadêmica fora do país”, conta Marcus. “Percebemos que existe bastante interesse de especialistas brasileiros de voltar para o país e aportar conhecimento na nossa indústria.”

Além do time de carne e osso, a empresa aposta na inteligência artificial no processo de pesquisas, principalmente de peptídeos. “Estamos falando de proteínas projetadas para desempenhar funções muito específicas. Então conseguimos fazer sínteses computacionais para identificar quais sequências têm maior probabilidade de gerar o tratamento desejado, e assim encurtamos o processo de desenvolvimento”, afirma.

A estrutura física da empresa também está em transformação. O plano é investir mais de R$ 1 bilhão nos próximos dois anos na ampliação e modernização das suas instalações, a começar por um novo laboratório, já este mês. “É um espaço supertecnológico, com maquinários de desenvolvimento inéditos na América Latina”, afirma o VP.

Para o ano que vem, a expectativa da EMS é pela queda, em março, da patente do Ozempic, o revolucionário medicamento para o tratamento de diabetes tipo 2 da norueguesa Novo Nordisk, feito com semaglutida. “Desejamos ser a primeira empresa do Brasil a ter o lançamento. Tem outras empresas brigando por esse registro, mas todas elas através de licenciamento, não através de plataforma proprietária como nós.” (CF)

GRUPO CAMPANELLI

A FAZENDA EM ALTAIR CRIOU UM CENTRO DE INOVAÇÃO PARA MONITORAR 3,7 MIL ANIMAIS EM TESTES DE DIETAS, MANEJO, ADITIVOS. O RESULTADO? UMA PECUÁRIA TURBINADA

Em Altair, município do interior paulista de cerca de 4 mil habitantes, o gado domina a paisagem. O número já era impressionante em 2019: a fazenda do Grupo Campanelli terminava a engorda de cerca de 30 mil animais. Em cinco anos, a quantidade quase quadruplicou, para 110 mil bovinos. Este ano, eles devem chegar a 130 mil. E, com a conclusão de um novo confinamento, a capacidade total vai subir para até 180 mil animais por ano a partir de 2026.

De todos esses bichos, no entanto, 3,7 mil são considerados especiais. E recebem uma atenção extraordinária. Eles fazem parte do CIC, o Centro de Inovação Campanelli. “A gente montou o que considera ser hoje o maior centro de pesquisa em pecuária da América Latina”, afirma Victor Campanelli, CEO do Grupo Campanelli e da Tecnobeef, empresa de nutrição criada em 2017. “São milhares de animais dedicados apenas a gerar dados para decisão dentro e fora da fazenda.”

O CIC começou a sair do papel em 2019, dentro da estrutura de confinamento. Os animais da unidade experimental são destinados exclusivamente à pesquisa, com investimento estimado em cerca de R$ 6 mil por animal. É algo próximo de R$ 20 milhões imobilizados em gado voltado a experimentos.

A história do CIC acompanha a evolução do grupo, uma empresa familiar com atuação em cana, grãos e pecuária desde a década de 1980. O confinamento de gado nasceu para aliviar o pasto na seca e ganhou escala à medida que a empresa avançou em mecanização e agricultura de precisão. Quando a operação cresceu, surgiu a necessidade de testar aditivos, protocolos de manejo e dietas em grande volume. “As universidades têm limitação no número de animais. No CIC, a gente consegue testar com milhares de bois e reduzir muito a margem de erro”, afirma.

O modelo incorpora ainda economia circular, com parte do esterco gerado no confinamento alimentando a Tello, fábrica de biofertilizantes instalada dentro da fazenda em 2024, em parceria com grupos do agronegócio, em um investimento de R$ 120 milhões. O biofertilizante retorna às áreas agrícolas, fechando o ciclo entre lavoura e pecuária e reduzindo custos de adubação.

Para as pesquisas, lotes de animais recebem chips no rúmen (em linguagem popular, a pança do animal) e sob a pele, além de sensores que monitoram movimento, consumo e comportamento. Cada bovino tem controle diário de peso, ingestão de alimento e água, permitindo ajustar dieta, ambiente e uso de aditivos com base em resultado medido.

Os estudos já renderam artigos científicos em revistas internacionais, com dados gerados em condições tropicais. “No CIC, a gente não quer fazer poesia. A pesquisa precisa ser replicável no confinamento comercial e deixar dinheiro no fim do ciclo”, diz Campanelli.

Um dos trabalhos, por exemplo, avaliou o impacto do sombreamento no confinamento, medindo ganho de peso e consumo de água. Em taurinos de pelagem escura, a sombra elevou o ganho no período de engorda em seis quilos e reduziu em cerca de oito litros o consumo de água por animal ao dia. “O que a gente busca aqui é o lucro máximo, não o maior ganho por dia a qualquer custo. Por isso precisamos de números, de dados, para saber até onde vale a pena avançar em tecnologia”, diz Campanelli. Hoje, grande parte das pesquisas trata de emissões de metano e desempenho em sistemas intensivos. A lógica, segundo o executivo, é que a forma mais direta de reduzir gases de efeito estufa por quilo de carne é encurtar o ciclo e aumentar a produtividade. “Há 10 anos, o boi brasileiro era abatido com média de quatro anos de idade.

Hoje, a média caiu para três. É um ano a menos emitindo metano, e essa é a lógica: buscar precocidade e aumentar a produtividade”, afirma.

O reforço financeiro mais recente vem de um projeto aprovado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Uma linha de R$ 50 milhões será destinada à implantação de um laboratório próprio de ruminantes dentro do complexo de Altair, a partir de 2026, para acelerar análises e ampliar o controle sobre variáveis nutricionais e ambientais. (VO)

ISA ENERGIA BRASIL

COM IA PARA PREVER OSCILAÇÕES DE CONSUMO, USO DE BATERIAS EM LARGA ESCALA E ANÁLISE AUTOMÁTICA DE IMAGENS CAPTURADAS POR DRONES, A DISTRIBUIDORA GANHA EFICIÊNCIA NO COMBATE A APAGÕES

Os moradores e os (muitos) turistas das cidades do litoral sul do estado de São Paulo sabem que o verão é acompanhado de faltas periódicas de eletricidade. Seria de se esperar: os quatro principais municípios da região – Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe – abrigam 612 mil habitantes. Nos feriados, essa população quase triplica. Muitas lâmpadas, ventiladores e chuveiros ligados ao mesmo tempo costumam derrubar o sistema. Um problema que a Isa Energia Brasil, responsável pela transmissão de 95% da eletricidade no estado de São Paulo, vem buscando resolver desde fins de 2023.

A solução encontrada é o primeiro sistema de armazenamento de energia em baterias em larga escala do país, no qual a companhia investiu R$ 150 milhões. Quando a demanda sobe repentinamente e ameaça provocar panes no sistema, a eletricidade armazenada em baterias na subestação de Registro, um dos municípios da região, é lançada na rede. Nos momentos em que a demanda se normaliza, as baterias são recarregadas.

Explicando assim parece fácil, mas essa solução requer o uso intensivo de inteligência artificial para funcionar da maneira correta. Por exemplo, para acompanhar as oscilações da demanda em tempo real. E esse é apenas um dos exemplos em que a empresa, responsável pelo envio de 30% da eletricidade consumida no Brasil, está inovando para ganhar eficiência e previsibilidade em um negócio que passou décadas sem mudanças significativas.

Quando começou a ser usada em larga escala, no início do século passado, eletricidade era uma atividade simples. A energia percorria uma via de mão única. As usinas geravam energia e a transmitiam para grandes cidades, onde fica a maior parte dos consumidores. Dez anos atrás, isso começou a mudar graças à Geração Distribuída (GD). Os painéis solares instalados em telhados de norte a sul respondem por 25% da capacidade instalada do parque gerador brasileiro, que é de 210 gigawatts (GW) no total.

A GD fez com que, pela primeira vez na história do Brasil, houvesse mais oferta de energia do que demanda. E alterou a maneira como a eletricidade é transportada. Em vez de um caminho linear, o sistema exige múltiplas conexões em rede – o que é um desafio para as transmissoras. “A Geração Distribuída transformou consumidores em produtores, o que alterou a direção, a frequência e a intensidade da energia que trafega na rede”, diz Rui Chammas, CEO da Isa. “Agora há milhares de pequenos geradores lançando eletricidade no sistema e é preciso medir e controlar isso.”

Ter um controle mais apurado do que ocorre na rede não é o único uso da IA por parte da Isa. Em setembro de 2025 a companhia colocou em prática um método de inspeção automática de estações de transmissão que combina o uso de drones com o de IA. Todas as inspeções em subestações já são realizadas por drones, que fotografam as subestações de energia em voos definidos por computador.

Agora, a informatização avançou. A Isa é pioneira em enviar as imagens para uma plataforma digital e analisá- -las por IA, o que permite identificar falhas difíceis de descobrir com inspeções humanas. “Isso reduz em 70% o tempo para capturar e analisar as imagens”, diz Bruno Isolani, diretor-executivo de Operações da Isa. A empresa pretende ampliar o uso desse método para as linhas de transmissão e para as vielas de servidão.

Iniciativas como essa têm garantido a aprovação dos investidores. Mesmo em um setor bastante estável nas bolsas, as ações da companhia têm tido um desempenho melhor do que a média: valorização de 38,3%, ante 35,9% do Índice de Energia Elétrica (IEEX) da B3, nos 24 meses desde novembro de 2023, quando a Isa começou a colocar suas iniciativas de inovação em prática. As ações estão cotadas em cerca de R$ 27,40, acima da mediana do preço-alvo, que é de R$ 25,90, segundo avaliações de XP, BTG Pactual e Itaú BBA. Cotações acima do preço-alvo indicam uma percepção positiva dos investidores, quando a empresa pode “destravar” valor pela melhoria dos seus resultados. (CG)

MRV

BANHEIROS E COZINHAS FEITOS EM UMA FÁBRICA E ENCAIXADOS NA OBRA SÃO UMA DAS INOVAÇÕES QUE A MAIOR INCORPORADORA DE CAPITAL ABERTO DO PAÍS USA PARA GANHAR EFICIÊNCIA

Maior incorporadora listada em bolsa do Brasil, com faturamento de R$ 10,2 bilhões nos 12 meses até setembro de 2025, a MRV é um dos participantes mais relevantes na habitação popular. “Um em cada 120 brasileiros mora em um apartamento construído por nós”, diz Rubens Menin, presidente do conselho de administração e um de seus fundadores (o R que integra o nome da empresa vem de sua inicial).

Como constrói em grande escala, a MRV tem de manter processos e custos sob controle rigoroso. “Quanto mais leve for a construção, menos material ela vai gastar e mais eficiente será”, diz Menin. E é aí que a incorporadora concentra suas inovações: na automação e na digitalização das obras. Isso permite padronizar as construções e usar a chamada modelagem BIM (sigla para Building Information Modeling), que cria um modelo virtual da obra para permitir o cálculo de custos e a necessidade de material.

Há outros exemplos no grupo, como o de sua subsidiária americana, a Resia. Atuando na Flórida e focada no consumidor americano de renda mais baixa, a companhia reduz o trabalho nos canteiros de obra por meio de módulos. “Montamos uma fábrica de cozinhas e banheiros, despachamos de caminhão e só encaixamos onde está sendo construído”, diz Menin. Parece pouco, mas a necessidade de instalar encanamentos e equipamentos torna esses cômodos os mais trabalhosos de qualquer construção.

Além dos aspectos diretamente relacionados às obras, a MRV está tratando de acompanhar o ritmo de inovações obrigatórias para qualquer empresa – leia-se as diversas aplicações de inteligência artificial (IA). A mais recente é a Miag, um portal de IA generativa lançado em maio de 2024. O portal integra as informações de outros sistemas – como OpenAI, Google e Anthropic – e tem cerca de 100 assistentes virtuais para resolver problemas do negócio que vão da gestão de fornecedores até a avaliação de projetos.

Não foi a primeira incursão da MRV nesse campo. A incorporadora vem testando modelos automatizados desde 2017. O primeiro foco foi o atendimento ao cliente. Em vez de ser totalmente humanizado, parte do processo ficava a cargo de um assistente virtual. Segundo a companhia, isso elevou a retenção dos prospects, os clientes que faziam o primeiro contato, de 20% para 70%.

Com o passar do tempo, mais problemas passaram a ser resolvidos por meio da IA. No ano passado foi lançado o Marco, um copiloto de vendas criado para apoiar os cerca de 5 mil corretores. O sistema responde dúvidas sobre produtos e condições de pagamento e auxilia a nivelar o conhecimento entre os diversos vendedores. Como é aberto a interessados em trabalhar como corretores, ele também veio a ser usado como uma ferramenta de recrutamento.

Outra inovação foi um copiloto de IA voltado para engenheiros e outros profissionais de construção. Denominado Melhor Amigo da Obra (MAO), o sistema ajuda em tarefas práticas, como assentar um piso ou instalar encanamentos, e facilita a integração de quem está começando na empresa.

Os profissionais de mercado gostaram. Em um relatório assinado pelo analista Elvis Credendio, do Itaú BBA, “as operações de Minha Casa Minha Vida continuam a evoluir na direção correta, como esperado, após as revisões estratégicas do modelo de negócios implementadas pela administração”.

A melhora nos resultados vem principalmente de ganhos de eficiência, pela economia de etapas e redução de custos, e os ganhos de eficiência devem muito às inovações. Segundo a companhia, as obras estão mais rápidas, mais seguras e com custos mais previsíveis.

Previsibilidade é algo que agrada a Menin. Torcedor apaixonado do Atlético Mineiro, ele possui, ao lado do irmão Rafael, 41,8% da Sociedade Anônima de Futebol (SAF), que controla o clube. Nessa área, “há um imponderável muito grande”, diz (leia a entrevista na reportagem na pág. 72). “Se a bola adversária bater na trave, você é campeão; se não bater e entrar, você perdeu o campeonato.” Contra esses imponderáveis, haja inovação! (CG)

PORTO

COM A INTEGRAÇÃO DE OPERAÇÕES EM DIVERSAS ÁREAS, A SEGURADORA CRIOU UM ECOSSISTEMA DE SERVIÇOS QUE AUMENTA SUA EFICIÊNCIA E TRAZ UMA EXPERIÊNCIA MAIS COMPLETA AOS CLIENTES

O ano de 2025 representou um ponto de virada para o Grupo Porto. Uma plataforma de IA analisou mais de 12 mil horas de chamadas e dados dos atendimentos para encontrar modos de tornar a operação mais eficiente. O resultado foi a integração de suas operações e a criação de um ecossistema de serviços que redefine sua atuação no mercado brasileiro. Trata- -se de unir seguros, saúde, banco e serviços em uma única lógica operacional, reposicionando a empresa como uma plataforma múltipla de soluções para clientes e parceiros, algo raro no setor.

A transformação central do período foi a reorganização em quatro verticais – Saúde, Banco, Seguros e Serviços –, construída sobre uma arquitetura tecnológica que conecta dados, processos e atendimento. Esse modelo permitiu que a Porto unificasse jornadas e entregasse experiências mais completas. Segundo Luiz Arruda, vice-presidente comercial e de marketing, o avanço resulta da convergência entre estratégia, cultura interna e execução.

Não é um movimento estranho à cultura da Porto. Nos últimos 10 anos, a empresa tem se esmerado em conectar seus funcionários com startups, universidades e novas tecnologias por meio da aceleradora de empresas Oxigênio – várias das mais de 80 startups conectadas integram hoje a família da empresa.

“Cada vez mais, a Porto vem se consolidando como uma plataforma múltipla, que vai se aperfeiçoando e se moldando às mudanças do mundo e aos desejos e necessidades das pessoas ao longo da vida, como o lar, a mobilidade, a saúde financeira, mental e física das pessoas e suas famílias”, afirma Arruda.

A mudança tem impacto nos resultados. No terceiro trimestre de 2025, o grupo registrou lucro líquido de R$ 832 milhões, crescimento de 13% na comparação anual, e receita de R$ 10,5 bilhões. A diversificação ganhou força: Saúde, Banco e Serviços responderam juntas por 44% do lucro consolidado, demonstrando evolução na geração de valor em frentes que antes eram complementares ao negócio principal de seguros. No segundo trimestre, todas as verticais operaram com rentabilidade superior a 21%.

A digitalização foi outro vetor determinante. O aplicativo da Porto superou 4,4 milhões de usuários ativos e se consolidou como principal ponto de contato com os clientes. Em um único ambiente, reúne solicitações de assistência, manutenção residencial, serviços financeiros e soluções de saúde. Arruda destaca o papel dessa plataforma no novo modelo: “Com todo esse esforço, a Porto presta mais de 5 milhões de serviços por ano e realiza mais de 700 mil visitas trimestrais a lares, cuidando das famílias, das casas e dos carros das pessoas que nos prestigiam”.

O aumento de eficiência nos atendimentos ajuda a sustentar a presença da marca, que também foi trabalhada. Ativações proprietárias e patrocínios como o GP São Paulo de Fórmula 1 e o festival The Town ampliaram sua visibilidade e fortaleceram a conexão com novos públicos. Não à toa, a Porto alcançou o terceiro lugar entre as marcas mais fortes do país no ranking da Brand Finance e integrou o Top 15 da Interbrand.

Com quase oito décadas de operação, mais de 18 milhões de clientes e presença nacional em expansão, a Porto encerra 2025 com a expectativa de trilhar um novo ciclo de crescimento. (LGP)

TOTVS

INTEGRAR A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AOS PROGRAMAS E PROCESSOS DA GESTÃO – E LEVAR ESSA PLATAFORMA AO PULVERIZADO SETOR DE VAREJO – É O GRANDE SALTO DA EMPRESA EM SUA NOVA FASE

Ampliar o ecossistema e redefinir a estratégia de negócios em um momento de massificação da inteligência artificial tornou-se o principal desafio da Totvs no início de 2025. A companhia, fundada em 1983, iniciou um ciclo decisivo ao reorganizar sua estrutura – antes dividida entre Gestão, RD Station e Techfin – e incorporar, em julho, a Linx, maior desenvolvedora de tecnologia para o varejo do país, em uma aquisição de R$ 3,05 bilhões.

Para Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs, o movimento marca uma das transformações mais relevantes da empresa nas últimas três décadas. A unificação dos negócios, afirma, cria “uma arquitetura integrada que conecta operação, finanças, relacionamento com clientes e inteligência artificial em uma única plataforma”. O ganho de escala e sinergia se torna especialmente estratégico em um cenário em que provedores de tecnologia precisam se reposicionar frente à rápida adoção de IA em diversos setores.

“Esse é um avanço importante em nossa oferta para o varejo. O investimento ampliado em pesquisa permitirá acelerar o desenvolvimento de inovações, inclusive em IA”, afirma Dennis. Com a chegada da Linx, a companhia busca estruturar um portfólio mais responsivo às mudanças do mercado. Segundo dados da Microsoft, 74% das micro, pequenas e médias empresas brasileiras já utilizam IA em suas rotinas, público que também se tornou prioridade na agenda de inovação da Totvs ao longo do ano.

Nos últimos três anos, a empresa destinou mais de R$ 3 bilhões às áreas de pesquisa e desenvolvimento. “Orientamos parte dos nossos esforços na criação de ferramentas para pequenas e médias empresas, que buscam automação acessível e ganhos rápidos de eficiência”, diz o CEO. O avanço, segundo ele, está associado tanto à expansão geográfica quanto ao fortalecimento da receita. A atuação combinada das unidades trouxe maior escala comercial, mais velocidade na entrega de soluções digitais e presença ampliada em setores estratégicos. No terceiro trimestre, a receita líquida subiu 18%, alcançando R$ 1,6 bilhão, enquanto a receita recorrente avançou 21%.

Com a nova estrutura consolidada, a Totvs projeta um ciclo de tecnologias orientadas pela inteligência artificial, com prioridade para três frentes: integração total da Linx ao ecossistema, desenvolvimento de produtos voltados à automação de processos críticos de gestão e finanças e oferta de análises avançadas em tempo real. “A meta é permitir que empresas tomem decisões mais precisas e rápidas em um ambiente de negócios marcado por competição crescente e margens pressionadas.”

Para 2026, a expectativa é manter o ritmo de investimentos e aprofundar a presença no varejo e em outros setores de grande capilaridade. Dennis reforça que a visão de longo prazo permanece inalterada. “A ambição é consolidar um ecossistema capaz de combinar profundidade tecnológica, integração de dados e automação em larga escala, posicionando a companhia como um dos principais vetores de transformação digital do país nos próximos anos.”

A estrutura para os movimentos deste ano começou a ser construída em julho de 2024, quando a Totvs anunciou a criação de uma área dedicada à inteligência artificial, liderada pelo CDO (Chief Data Officer) Cristiano Nobrega. De acordo com Dennis, a iniciativa foi necessária para garantir protagonismo no tema. “É uma área transversal e, principalmente, dedicada a acelerar projetos entre nossos clientes, mas jamais com o objetivo de centralizar decisões. A IA generativa, para ser escalável, lida com desafios culturais e de governança que precisam ser enfrentados com muita dedicação, e essa foi a base de tudo que fizemos em 2025”, explica. (LGP)

VULCABRAS

EM UM CENTRO DE PESQUISA COM MAIS DE 700 PROFISSIONAIS, A EMPRESA INVESTE EM TRAZER TECNOLOGIA DE PONTA PARA A REALIDADE BRASILEIRA – E ACELERA SEU CRESCIMENTO

Na corrida que vem disputando, a Vulcabras parece ter encontrado o ritmo ideal da passada – e avança como alguém que conhece a rota melhor do que os outros. A empresa brasileira de produtos esportivos, dona das marcas Olympikus, Mizuno e Under Armour, mantém um crescimento consistente há anos, que caminha – ou corre – de mãos dadas com a estratégia de inovação dos produtos. “Inovar é um dos principais pilares que guiam nossa cultura e é essencial para manter a competitividade”, diz Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras. “A metáfora que usamos internamente é de que estamos em uma maratona sem linha de chegada. Para ser ultrapassado, não é preciso parar; basta manter a mesma velocidade.”

A Vulcabras definitivamente está acelerando o passo para não perder posições. Em 2024, registrou o melhor resultado em mais de 70 anos de história. Foram 32 milhões de produtos comercializados. A receita líquida atingiu cerca de R$ 3,05 bilhões, o que representou crescimento aproximado de 8% em relação a 2023. E, nos primeiros nove meses deste ano, a empresa já cresceu 19% em relação ao ano anterior. “O cenário atual coloca a Vulcabras como um ponto fora da curva, sustentando um crescimento robusto e acima da média do setor”, avalia o CEO.

Para manter a dianteira, a empresa calcula ter investido cerca de R$ 1 bilhão nos últimos seis anos para impulsionar a inovação. “Esses recursos foram direcionados não apenas para pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas também para modernização das fábricas, implantação de processos mais eficientes e adoção de sistemas integrados”, conta Bartelle.

Foi com essa estratégia que a Vulcabras lançou em 2022 uma das maiores inovações do setor: o Olympikus Corre Grafeno, o primeiro tênis de corrida do mundo com placa de grafeno para melhorar a propulsão, desenvolvido em parceria com a Universidade de Caxias do Sul. “Dentro da categoria de corrida, existe o grupo dos super shoes, que utilizam placas rígidas para gerar propulsão, tradicionalmente feitas de fibra de carbono. Com o objetivo de democratizar a alta performance, decidimos buscar um caminho tecnológico diferente, utilizando matérias-primas abundantes no Brasil e eficientes do ponto de vista de custo”, diz Bartelle.

A mágica acontece principalmente dentro do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Vulcabras, em Parobé (RS), onde trabalham mais de 700 profissionais, entre designers, pesquisadores, projetistas e engenheiros de materiais e processos. Por lá, por exemplo, nasceu o Olympikus Corre 4, que pelo segundo ano consecutivo ganhou o título de preferido dos corredores brasileiros, de acordo com o aplicativo Strava.

“O Centro é o pilar central da nossa estratégia de inovação. Hoje é responsável por desenvolver e testar mais de 800 protótipos entre as três marcas que gerimos”, afirma o CEO. “A tecnologia faz parte de todo o nosso ciclo de desenvolvimento, desde a concepção inicial até a chegada do produto ao consumidor. Nós utilizamos inteligência artificial, modelagem digital, impressão 3D e realidade virtual para acelerar escolhas de design, trazendo agilidade e garantindo maior assertividade antes mesmo da produção das primeiras amostras.”

A inovação também está presente na estratégia de sustentabilidade da Vulcabras. Desde 2022, a empresa tem sido pioneira na utilização de energia eólica na produção de seus calçados esportivos. Atualmente, duas fábricas – Horizonte (CE) e Itapetinga (BA) – já operam com energia gerada pelo vento, sendo a unidade do Ceará 100% abastecida com energia limpa, com contrato firmado com a Casa dos Ventos, uma das principais companhias eólicas do Brasil. “Essa integração entre indústria, times, tecnologia e marcas é o motor que sustenta a nossa evolução e faz da Vulcabras uma das empresas mais inovadoras, completas e consistentes da indústria esportiva”, declara Bartelle. (CF)

*Colaboraram: Caio Ferretti e Simone Guimarães
Edição: David Cohen

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