Reuters_Khaled Abdullah
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A safra de café do Brasil em 2026 poderá crescer em relação a 2025, embora tenha havido uma diminuição do otimismo para a produção do ano que vem após problemas climáticos recentes, avaliou nesta quarta-feira um analista do Rabobank.
Segundo o especialista Guilherme Morya, o banco holandês ainda está trabalhando em um número para a colheita de 2026 no maior produtor e exportador de café do mundo.
Mas, a se confirmar a expectativa preliminar, os volumes brasileiros ajudariam em um alívio na oferta global, pressionando preços.
Em 2025, segundo o banco, a colheita brasileira somou 62,8 milhões de sacas de 60 kg, com uma produção de arábica de 38,1 milhões de sacas, uma queda anual de 14%, enquanto a safra de canéforas (robusta e conilon) somou 24,7 milhões de sacas, alta de 10% ante 2024.
Para 2026, há incertezas quanto ao potencial produtivo, especialmente para o arábica, após episódios de geadas de 2025 e chuvas de granizo em algumas áreas. Segundo o Rabobank, chuvas isoladas em setembro e outubro afetaram as floradas e o pegamento dos frutos para 2026.
Ainda assim, disse Morya, a expectativa é de um aumento de produção em 2026, dependendo ainda de fatores climáticos até o início da colheita, entre abril e maio.
“Para o próximo ciclo, a preocupação é um pouco maior com café arábica, o otimismo de três a quatro meses foi diminuindo pouco a pouco”, disse ele, citando a irregularidade climática em setembro e outubro. Ainda assim, ele considera que a safra de arábica de 2026 poderá crescer ante 2025, a depender do clima nos próximos meses.
Para a produção de canéfora, o Rabobank “imagina um leve crescimento”, afirmou Morya, destacando que o impacto de podas em lavouras mais velhas poderá ser compensado pelo aumento de área plantada.
A se confirmar o crescimento esperado no Brasil, o superávit no mercado global de café poderia aumentar para 3,3 milhões de sacas no ano global do café 2025/26 (outubro/setembro), versus 1,7 milhão em 2024/25.
Essa condição poderia pressionar os preços na bolsa de referência do café arábica em Nova York para a faixa de US$3,10 a US$3,55 por libra-peso, versus cerca de US$3,80 atualmente, segundo avaliação do banco.
“2024/25 é um superávit bem apertado, e agora a gente enxerga um pouco de alívio, o mercado está passando por transição. Mas ainda é muito apertado, vale a pena pontuar, por mais que seja 3,3, é apertado, fator que provoca volatilidade no mercado”, disse o analista, lembrando que o mercado global vem de déficits nos últimos anos.
Ele lembrou que a situação projetada para 2025/26 no mercado global está longe do superávit de mais de 10 milhões de sacas visto no início da década, quando o Brasil colheu uma safra recorde em 2020.
Também colaboram para este alívio esperado no mercado global em 2025/26 safras melhores em países como Colômbia e Indonésia, citou o analista.
O Rabobank estimou a exportação de café do Brasil em 2025/26 (julho/junho) entre 39 milhões e 41 milhões de sacas, ante 45,6 milhões no ciclo anterior, com o setor no país lidando com colheitas frustradas nos últimos anos e estoques de passagem menores, após exportações recordes de 47,5 milhões de sacas em 2023/24.