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Elas foram subindo ao palco do Congresso das Mulheres do Agronegócio, uma a uma, momento esperado todos os anos no CNMA, como é conhecido o evento que completou uma década, é organizado pelo Transamerica Expo Center e neste ano ocorreu nesta quarta e quinta-feira (22 e 23). Elas, nove produtoras rurais e uma pesquisadora, foram anunciadas como as finalistas da oitava edição do Prêmio Mulheres do Agro, uma iniciativa idealizada pela Bayer, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
A criação do prêmio serve para mostrar que gestão, eficiência e propósito podem caminhar lado a lado e que a inovação no campo pode ir além de investimentos bilionários ou tecnologias ultramodernas. Essa é uma ideia central na economia da inovação e faz ainda mais sentido no agronegócio.
A inovação é a capacidade de resolver problemas de forma mais inteligente, eficiente e sustentável. No campo, isso significa encontrar novos processos, métodos de gestão e soluções criativas que aumentam a produtividade, reduzem desperdícios ou ampliam o valor agregado sem necessariamente depender de grandes investimentos em maquinário ou digitalização avançada. Essa é a missão do Prêmio Mulheres do Agro, mostrar as boas histórias.
“É essa força que o Prêmio Mulheres do Agro reconhece e amplifica, pois acreditamos que a atuação feminina vem contribuindo para que o agronegócio continue seu caminho de inovação e sustentabilidade”, afirma Daniela Barros, diretora de Comunicação da Divisão Agrícola da Bayer Brasil. Segundo Daniela, a premiação confirma os dados da pesquisa Produtoras Rurais e Inovação no Campo, conduzida pelo Instituto Quiddity, que indicam que mais de 80% das mulheres entrevistadas são reconhecidas como criativas, questionadoras e propositivas.
Para Gislaine Balbinot, diretora-executiva da Abag, o prêmio é “uma iniciativa que amplifica a voz e o impacto dessas produtoras rurais e pesquisadoras. Elas são a prova de que a evolução do agro se perpetua também pelo talento e dedicação, transformando o setor de dentro para fora.”
Histórias de mulheres que inovam
Na categoria Pequena Propriedade, Lucivanda Fernandes Siqueira, da Fazenda Santo Expedito, em Ubajara (CE), foi a vencedora. Com produção anual de mais de 12 milhões de hastes de rosas de corte — cultivadas com reuso de água da chuva e controle biológico de pragas —, ela transformou o negócio familiar em um ecossistema inovador.
Além da produção agrícola, diversificou com turismo de experiência e criou a linha Aromas da Fazenda, que reaproveita resíduos florais para produzir sabonetes e difusores, agregando valor e promovendo sustentabilidade. Fora da porteira, oferece treinamentos à comunidade e realiza ações como o Outubro Rosa e o Dia do Meio Ambiente, reforçando compromisso social e ambiental.
Na categoria Média Propriedade, a vencedora foi Naiara Kasmin de Oliveira, da Fazenda Campestre, em Varginha (MG). Em sua gestão, a produção diária de leite triplicou graças a uma análise rigorosa de custos e à identificação de gargalos operacionais.
Adotou práticas sustentáveis como agricultura regenerativa, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), energia solar e bioinsumos. Na cafeicultura, a fazenda se tornou referência regional em cafés especiais e tecnologias de rastreabilidade. Naiara também investe em educação, abrindo a propriedade para escolas e universidades, e atua em parceria com a Copasa na preservação de nascentes que abastecem a região.
Na categoria Grande Propriedade, o destaque foi Flávia Strenger Garcia Cid, da Fazenda Jaracatiá, em Querência do Norte (PR). Sua gestão integra produção orgânica certificada de óleos essenciais, plantas aromáticas e bioinsumos derivados de resíduos, num modelo verticalizado que vai do cultivo ao processamento e à venda.
Flávia implantou destilaria própria, criou maquinários para culturas não convencionais e aplica governança e sustentabilidade em todas as etapas — com energia limpa, desperdício zero e inclusão social. Por meio do Instituto Fazenda Jaracatiá, promove capacitação e desenvolvimento social, oferecendo oportunidades de emprego e um centro de convivência para idosos e crianças.
Na categoria Ciência e Pesquisa, foi premiada Dalilla Carvalho, agrônoma e professora do Instituto Federal do Sul de Minas. Doutora em Fitopatologia pela ESALQ/USP e pesquisadora visitante na Technische Universität München, ela se destaca por projetos que aproximam ciência e campo. Coordena o programa Paisagens Sustentáveis, que já capacitou mais de 1.500 cafeicultores, e é inventora de um fermentador de uso agroindustrial, patenteado, voltado à sustentabilidade e à inovação tecnológica no agronegócio.
Conheça todas as vencedoras da 8ª edição do Prêmio Mulheres do Agro 2025
Categoria Pequena Propriedade
1º lugar – Lucivanda Fernandes Siqueira – Ubajara (CE)
2º lugar – Fabiane Kiyoko Shimokomaki – Monte Carmelo (MG)
3º lugar – Francisca Luciana Araújo Lisboa de Athayde – Igarapé-Açu (PA)
Categoria Média Propriedade
1º lugar – Naiara Kasmin de Oliveira – Varginha (MG)
2º lugar – Maria Helena da Silva Monteiro – Dourado (SP)
3º lugar – Rhaissa Martins Gustin – Monte Alegre de Minas (MG)
Categoria Grande Propriedade
1º lugar – Flávia Strenger Garcia Cid – Querência do Norte (PR)
2º lugar – Cláudia Carvalho Calmon de Sá – Salvador (BA)
3º lugar – Juliana Basso – Presidente Olegário (MG)
Categoria Ciência e Pesquisa
1º lugar – Dalilla Carvalho – Machado (MG)