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A americana de tratores autônomos Monarch Tractor prevê multiplicar por três ou mais sua receita em 2025. O faturamento, que passou de US$ 5 milhões em 2021 para US$ 22 milhões no ano passado, pode superar US$ 66 milhões e possivelmente chegar a US$ 100 milhões neste ano, segundo seu fundador e CEO, Praveen Penmetsa. O número de tratores em operação deve saltar de pouco mais de 100 para 1.000 unidades, fortalecendo a posição da empresa no mercado de máquinas agrícolas autônomas.
Fundada em 2018 e sediada em Livermore, Califórnia, a Monarch foi a primeira companhia a colocar no campo tratores elétricos totalmente autônomos. A empresa já levantou US$ 116 milhões de investidores e alcançou uma avaliação de US$ 271 milhões em sua rodada mais recente, em novembro de 2021.
Seu modelo de negócios combina a venda das máquinas com assinaturas anuais de software, que podem gerar até US$ 8.376 por trator. O sistema digital processa dados em tempo real para oferecer alertas sobre a saúde das plantas, riscos de segurança e indicadores de produtividade.
Penmetsa afirma que convencer produtores a adotarem novas tecnologias é um desafio. “Eles são avessos ao risco. Porque quando você fala com um agricultor, todos temos que perceber que estamos falando com alguém que talvez só tenha 40 ou 50 oportunidades em sua vida, desde o momento em que assume a fazenda até ter que entregá-la para a próxima geração”, diz.
“Então, quando chegamos lá e pedimos que mudem suas operações ou façam alterações radicais que poderiam colocar toda a fazenda em risco ou a produção em risco, obviamente esses produtores são avessos ao risco nesse ponto de vista, mas eles não têm medo de experimentar coisas novas.”
Segundo a Mordor Intelligende, a estimativa do mercado global de tratores autônomos estava estimado em US$ 1,30 bilhão em 2024, e deverá atingir US$ 4,15 bilhões até 2029, crescendo a um CAGR de 26,10% no período de previsão. Além da Monarch, disputam este mercado nomes como a John Deere, CNH Industrial, AGCO Corporation, Kubota e Yanmar Source.
No caso, à frente da Monarch, Penmetsa traz mais de 22 anos de experiência no desenvolvimento de tecnologias ligadas a mobilidade elétrica, energia e robótica agrícola. Ele já participou da criação de produtos que vão de aeronaves autônomas a robôs para capina. Também lidera a Motivo Engineering, especializada em soluções robóticas para energia, alimentos e transporte. Para ele, a transformação digital e a eletrificação terão impacto mais profundo na agricultura do que na mobilidade urbana, convicção que orienta a estratégia da Monarch.
O presidente e cofundador Mark Schwager acrescenta que, embora cautelosos, os agricultores demonstram clareza sobre suas demandas. “A principal coisa que aprendi sobre os agricultores é o quanto eles são abertos em relação aos seus problemas. Você não precisa imaginar sobre o que um agricultor está preocupado ou no que ele está pensando. Eles dirão exatamente o que precisam e, se você puder levar essa solução para eles, eles adotarão o seu produto.”
Carlo Mondavi, que também é cofundador da Monarch, aponta para ganhos de eficiência com o uso da automação e isso para o executivo é um caminho sem volta. Em visita a um vinhedo, onde já é utilizado tratores autônomos, ele diz: “Neste momento estamos em um vinhedo, na vinícola da família Winty aqui em Livermore, Califórnia. O foco deles é cultivar uvas para fazer vinho. Mas agora eles também podem cultivar a própria energia que está nutrindo suas plantações e abastecem a fazenda”.
Mandavi afirma que atualmente nos EUA estima-se que os agricultores, quando pulverizam, são cerca de 95% ineficientes, ou seja, apenas 5% dos fungicidas ou inseticidas realmente atingem o alvo. “Ao conseguir reduzir a velocidade de um trator, por meio da automação, conseguimos, mesmo que aumentemos essa eficiência para 30%, gerar uma economia relevante para os agricultores”, afirma.
A proposta das máquinas autônomas é facilitar o uso de tecnologia avançada sem sobrecarregar os produtores com processos burocráticos. Penmetsa afirma: “Não estamos pedindo que os agricultores configurem seus equipamentos com grandes quantidades de inserção de dados. Se há uma coisa que os agricultores odeiam é sentar e digitar dados. Nosso sistema de IA, que é alimentado por câmeras e pelos computadores instalados no teto dos tratores, fornece os insights sem que o agricultor precise sentar e inserir muitos dados, entre eles onde está localizada esta fileira, qual é o número da fileira, o que está acontecendo nesta fileira. E o agricultor tem o benefício de visualizar isso no aplicativo móvel ou, quando volta para casa, pode ligar o PC e olhar lá.”