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A ManageEngine, que se originou como uma startup na Índia e cresceu de forma orgânica ao longo de 22 anos, traçou uma meta ambiciosa de atingir US$ 1 bilhão em receita nos próximos dois a três anos. Para alcançar esse objetivo, a empresa identificou o Brasil como um mercado de importância estratégica. Rajesh Ganesan, presidente da companhia, destacou que a receita não é um fim em si mesma, mas um meio para viabilizar mais investimentos e o desenvolvimento de novos produtos, reforçando o compromisso de longo prazo da empresa com o crescimento e a inovação.
O Brasil se destaca por ser um dos mercados de maior crescimento da ManageEngine, com uma taxa anual de 45%, superando a média global. O país já figura entre os 10 maiores geradores de receita para a empresa, impulsionado pela demografia favorável, uma economia em expansão e uma rápida adoção de tecnologia. Além disso, as rigorosas regulamentações locais têm aumentado a demanda por soluções de cibersegurança e gerenciamento de TI.
Para consolidar sua presença e apoiar o crescimento acelerado, a ManageEngine investiu na abertura de seu primeiro escritório no Brasil e triplicou o número de funcionários em um curto período. Rajesh veio ao Brasil para participar de um dos principais eventos da empresa e falou sobre negócios e o impacto do atual cenário de impostos envolvendo Estados Unidos, Brasil e Índia.
Forbes Brasil (FB): Há um ano, você anunciou que o Brasil fazia parte importante de uma receita global de US$ 1 bilhão. Como estão os negócios desde então?
Rajesh Ganesan (RG): A ManageEngine tem planos sólidos para o Brasil, incluindo o crescimento do escritório e a realocação de um líder da Índia para o país. A estratégia foca em crescimento orgânico e de longo prazo. A equipe local já conta com cerca de 40 pessoas, que cuidam de vendas, marketing e pré-vendas. O próximo passo é expandir o suporte pós-venda. A empresa teve um crescimento de 36% no primeiro semestre deste ano, mostrando o sucesso dos investimentos. A estratégia é contratar pessoas do Brasil para a força de trabalho local.
FB: Quais são os principais desafios da ManageEngine para crescer no Brasil?
RG: O principal desafio é o recrutamento, pois a empresa precisa convencer talentos brasileiros de que é uma empresa global. Outros desafios incluem a percepção do mercado e a complexidade de um país com diferentes regiões, culturas e regulamentações. O mercado brasileiro não é visto como único, mas como quatro ou cinco mercados diferentes. A empresa nota uma maturidade maior nas regiões Sul e Sudeste e foca em criar conscientização sobre segurança cibernética no Norte e Nordeste. A empresa cria parcerias regionais para entender as especificidades locais e adaptar sua estratégia para cada estado. A estratégia de vendas é o modelo “land and expand” (aterrissar e expandir). A empresa começa vendendo ferramentas para equipes de TI e, após conquistar sua confiança, busca o nível C (diretores) para apresentar a plataforma completa. O objetivo é simplificar a vida dos executivos, consolidando a gestão de múltiplos fornecedores em um único contrato, o que reduz a complexidade e os custos.
FB: Quais são os setores de mercado mais importantes para a ManageEngine?
RG: A empresa se considera agnóstica em relação à indústria, mas foca em setores altamente regulamentados, como serviços financeiros (BFSI), saúde e educação. No Brasil, o agronegócio, o e-commerce e os serviços de TI também são segmentos importantes.
FB: Como a ManageEngine aborda a Inteligência Artificial (IA)?
RG: A empresa utiliza IA desde 2012 e foca em modelos de linguagem (LLMs) especializados para problemas de TI, priorizando a privacidade dos dados do cliente. A empresa lançou um LLM próprio, acessível e ajustado para resolver problemas específicos de gerenciamento de TI.
FB: Qual é a relação entre a Índia e o Brasil do ponto de vista de negócios, e como as taxações recentes dos Estados Unidos podem afetar os negócios aqui?
RG: A relação entre os dois países está mais forte do que nunca, com o aumento de delegações comerciais e a participação no BRICS. A ManageEngine não tem enfrentado barreiras para operar no Brasil e não notou impactos negativos do contexto geopolítico global em seus negócios.