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O grupo Forbes Mulher Agro (FMA), formado por 51 produtoras rurais e executivas do agronegócio brasileiro, promoveu na tarde desta terça-feira (12) um encontro no rooftop do Hotel Fasano, em São Paulo. Criado a partir da lista 100 Mulheres Poderosas do Agro da Forbes Brasil, publicada em 2021, o FMA atua como um think tank para fortalecer a presença feminina no setor, com foco em troca de experiências, debates estratégicos e articulação entre diferentes segmentos da cadeia produtiva. Além do grupo fechado, os encontros do FMA sempre contam com algumas mulheres convidadas.
A reunião marcou a celebração do primeiro ano da coluna Forbes Mulher Agro e contou com patrocínio do Bradesco BBI e apoio da Moët & Hennessy. “O FMA nasceu como um espaço de conexão, reflexão e ação”, disse Nina Ploger, atual presidente, que na abertura do encontro disse que “hoje, mais do que nunca, é fundamental estarmos unidas para pensar soluções, compartilhar aprendizados e fortalecer o papel da mulher na tomada de decisão do agronegócio brasileiro”.
Para a diretora da Forbes Brasil, Katarina Camarotti, o encontro reafirma o papel do grupo como força econômica e de liderança. “É muito prazeroso reunir mais uma vez esse grupo tão poderoso” disse ela. “Essas mulheres movimentam a economia que move o nosso país. Hoje, discutimos temas cruciais para o agro em um cenário macroeconômico instável, com conversas profundas e colaborativas. É um privilégio ver esse nível de engajamento.”
Cofundadora do FMA, que junto com a editora de agro da Forbes Vera Ondei, modelou o grupo por quase um ano, até que ele fosse oficializado em Ribeirão Preto (SP), durante a Agrishow em 2023, a agropecuarista Helen Jacintho relembrou o desafio de estruturar o coletivo.
“Um dos maiores desafios foi formar e fundar o FMA. O impacto das lideranças femininas no agro é muito positivo, porque o que a gente vê é que a mulher no agro traz um olhar para a inovação, um olhar para a sustentabilidade”, disse ela.
Na cadeia do agro, no antes e depois da porteira, como definiram John Davis e Ray Goldberg Goldberg, da Universidade de Harvard, no conceito de “agronegócio” como um sistema integrado, os desafios das mulheres são transversais. Letícia Cardelli Buso Gomes, diretora do Bradesco BBI Agro, destacou como a governança influencia no desenvolvimento de talentos.
Ela contou sobre de que modo sua trajetória é um exemplo de que no agro o protagonismo feminino vem se espalhando e ganhando força nos papéis de direção. “Estar ao lado de mulheres que constroem diariamente o agronegócio brasileiro é inspirador”, disse Letícia. “A governança é peça-chave para moldar e fortalecer talentos, preparando-os para lidar com desafios e oportunidades em um setor em constante transformação.”
O tema central do encontro foi sobre “governança pós-sucessão”, conduzido por Geovana Donella, conselheira de administração e especialista em governança corporativa, que falou sobre e os cuidados para garantir continuidade empresarial com diálogo intergeracional.
A programação ainda contou ainda com uma mesa conduzida pela economista Priscila Pacheco Trigo, economista do Bradesco, que discutiu o ambiente tarifário e os desafios econômicos globais e nacionais. “O momento exige atenção às mudanças nas tarifas internacionais e às pressões internas que afetam competitividade e investimentos”, disse ela. “O Brasil tem uma posição estratégica, mas precisa trabalhar com planejamento e visão de longo prazo, equilibrando produtividade, sustentabilidade e acesso a mercados.”
As mulheres que formam o FMA, de diferentes gerações, mostra que governar, decidir, compartilhar e aprender tem sido uma régua de atuação. Luiza Fatorelli, CEO da fazenda SJ Margarida, que é da geração Z, destacou o papel da infraestrutura e logística para o avanço do agro e como se enxerga neste momento de sua carreira.
Ela e a mãe são filhas únicas. “Minha maior conquista foi conquistar um espaço ativo em um setor historicamente masculino”, diz ela. E destaca um desafio que vê no setor. “No agro, nosso grande desafio segue sendo a logística: precisamos investir em armazenagem e novas rotas para que o Brasil ocupe plenamente seu lugar no cenário mundial.”
Marcela Molina, uma das sucessoras na Marfrig e BRF, apontou que sua trajetória tem sido marcada por aprendizados em áreas diversas e pela influência familiar. Ela também é uma mulher da nova geração de líderes em construção. “Entrei na empresa aos 17 anos e passei por logística, exportação, supply chain e área comercial. Aprendi a partir de perspectivas diferentes. Minha mãe, uma mulher forte e respeitada, foi e continua sendo minha maior inspiração.” Ela se refere a Márcia Marçal, que junto com o marido Marcos Molina, são controladores da empresa. Márcia, uma gestora sempre discreta, é reconhecida no mercado como a gestora que pavimentou de forma consistente os negócios familiares.
Alessandra Nishimura, do grupo Jacto, também tem em sua história a experiência e o desafio de retornar à empresa familiar. “Eu nunca imaginei trabalhar com minha família, mas percebi o valor de estar aqui”, diz ela “Como primeira mulher na segunda geração, aprendi a contribuir e a me adaptar em um ambiente tradicionalmente masculino.”
A vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado da Bahia e presidente do FAEB Mulher, Carmimha Missio Gatto, uma veterana desse movimento, afirma que o avanço feminino no agro está ligado à formação e à inovação que ocorre no setor e as mulheres vêm surfando nessa onda. “A força intelectual da mulher abriu espaços antes inacessíveis”, afirma ela. “Aliar conhecimento técnico, inovação e manejo responsável é o que garante a sustentabilidade e a eficiência da produção. As mulheres vieram e ficaram.”