05/05/2026

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O Vinho Além do Rótulo na Visão de Marcela Rienzo sobre a Sommellerie Global

Forbes Argentina

Marcela Rienzo, presidente da Associação Argentina de Sommeliers

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Representar a Argentina diante do mundo não é um ato menor, ainda mais quando se trata de defender uma profissão que combina conhecimento técnico, sensibilidade cultural e uma profunda vocação para o serviço. Marcela Rienzo, sommelier internacional e presidente da Associação Argentina de Sommeliers, há anos atua nesse ponto de encontro com firmeza e elegância, qualidades que compartilha com muitos vinhos argentinos.

Desde maio de 2023 está à frente da AAS e, neste ano, representou oficialmente o país na Assembleia Geral da Association de la Sommellerie Internationale, realizada na Cidade do Cabo, África do Sul. Lá, entre aromas novos, sotaques diversos e paisagens deslumbrantes, reafirmou que o papel do sommelier vai além de cada taça: “Implica estar à altura do momento, mas também olhar para a frente, imaginar o futuro que queremos construir como comunidade profissional”.

A sommellerie argentina ocupa hoje um lugar de prestígio no mapa global. “Temos referências reconhecidas e uma identidade profissional em constante evolução. Já não se trata apenas de conhecer vinhos, mas de assumir um papel cultural, social e educativo”, afirma Rienzo, com a convicção que resume anos de formação, docência e atuação em campo.

O encontro internacional na Cidade do Cabo foi uma oportunidade para abordar desafios compartilhados por profissionais de todo o mundo: a defesa do vinho como expressão cultural, a formação de novas gerações e a construção de espaços mais inclusivos. “Ouvir-nos entre colegas nos ajuda a ver que não estamos sozinhos nesses desafios”.

O vinho, até nas alturas

A experiência começou antes mesmo de aterrissar. Ela viajou para a África do Sul na classe executiva da Emirates, onde teve a oportunidade de degustar vinhos a mais de 10 mil metros de altura.

“Foi uma aula magistral de hospitalidade”, conta.

E também é uma prova sensorial singular, para ela. “Degustar em altitude é um desafio. A percepção muda: os aromas parecem menos intensos, a acidez se suaviza e os taninos podem parecer mais marcados. Mas também é uma experiência que abre novas perguntas, sobretudo quando a seleção de vinhos é tão cuidadosa. Voar na classe executiva foi um luxo, mas, acima de tudo, uma experiência sensorial completa: das taças à temperatura de serviço, passando pela harmonização com a cozinha de bordo. Tudo convida a desfrutar, mas também a refletir sobre como o contexto transforma a percepção do vinho”.

Quais vinhos brilham nas alturas? “Em voo, os vinhos que melhor se expressam são os que têm equilíbrio, certa amplitude aromática e textura agradável. Brancos com boa tensão, tintos com envelhecimento preciso, champanhes de borbulha fina e elegante”, responde, acrescentando: “A curadoria me impressionou; é um sinal de respeito pelo produto e por quem o aprecia”.

O desembarque foi tão marcante quanto a viagem. “Encontrei uma cena vitivinícola vibrante, que dialoga com sua história recente, com suas paisagens e com seu povo”. E rapidamente estabeleceu o paralelo com a Argentina. “Nós também viemos de uma história complexa. Também encontramos no vinho uma forma de dizer quem somos. Há uma força que nasce do desejo de construir algo novo sem negar o que veio antes”.

Com mais de quinze anos de experiência no setor e uma trajetória profissional que une comunicação, educação e criação de ferramentas sensoriais, Marcela Rienzo representa uma visão da sommellerie que respeita a tradição e aposta no futuro.

Para Rienzo, o sommelier não é apenas um tradutor de rótulos. É uma ponte. Uma voz que conecta, uma presença que escuta. “Em um mundo acelerado, oferecer essa pausa é um ato poderoso. Às vezes, uma boa recomendação não se mede pelo aspecto técnico, e sim pela emoção que consegue despertar. Ser sommelier é também estender a mão”, afirma. E ela o faz.

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